Aula aberta com a Arquiteta Mariana Sanchez Salvador debate “Paisagens alimentares urbanas”.
No dia 10 de abril de 2024, os estudantes da licenciatura (mestrado integrado) em Arquitetura, da Faculdade de Arquitetura e Artes (FAA) da Universidade Lusíada (Lisboa), tiveram a oportunidade de debater um assunto atual, mediante uma aula aberta, subordinada ao tema "Paisagens alimentares urbanas: o papel das cidades na transição para a sustentabilidade", organizada pela Professora Doutora Arqt.ª Ana Isabel Arez de Magalhães, docente da unidade curricular de "Ambiente e Sustentabilidade", do 3.º ano, na qual foi oradora a Doutora Arqt.ª Mariana Grácio Nunes Sanchez Salvador.
A aula desenrolou-se em torno da forma como os espaços que habitamos — da cidade à casa — são transformados pela nossa alimentação e pelas atividades que lhe estão associadas, temática central da sua tese de doutoramento "A paisagem alimentar de Lisboa: espaços de produção, distribuição e comercialização alimentar, nos séculos XX e XXI", defendida no mês de fevereiro de 2024, no Iscte – Instituto Universitário de Lisboa.
A docente alertou para os emergentes desafios ambientais, sociais e económicos colocados pelos sistemas alimentares, que levam a que as cidades se destaquem como lugares privilegiados para liderar a transição para a sustentabilidade e resiliência, sendo essencial o envolvimento de todos os atores da cadeia de valor, nomeadamente as grandes marcas do setor alimentar e da venda a retalho, do comércio local, bem como os cidadãos em geral. À semelhança de outras grandes cidades, Lisboa tem assistido ao aparecimento de um conjunto de projetos inovadores, de iniciativa pública e privada, que permitem vaticinar, a médio e longo prazo, um futuro otimista em matéria da sustentabilidade do seu território.

Ilustração 1: Pormenor da aula aberta. (© Fundação Minerva • Jorge Lopes Carvalho, 2024) • Ilustração 2: Doutora Arqt.ª Mariana Grácio Nunes Sanchez Salvador na aula aberta. (© Fundação Minerva • Jorge Lopes Carvalho, 2024)
A oradora considera que é na interdependência entre cidades e sistemas alimentares que pode residir o potencial para atingir um desenvolvimento (urbano) sustentável, baseado no lugar e na sua história e, aí, o papel do planeamento alimentar do desenho urbano e da arquitetura será determinante. A arquiteta lembrou, ainda, que a alimentação sempre fez parte das cidades, configurando paisagens alimentares urbanas complexas e identitárias, refletidas na forma urbana, uso do solo, espaço público e vias de circulação – e Lisboa não é exceção –, descrevendo, nesta aula, a "Paisagem alimentar histórica de Lisboa", através da caracterização e mapeamento dos "espaços alimentares" de produção, distribuição e comercialização, no início do século XX e no século XXI, cruzando-os com o território e a forma urbana existente, em cada momento.
A Universidade Lusíada (Lisboa) procura não só que os seus estudantes estejam a par dos desafios que se colocam à sociedade, a vários níveis, mas, igualmente, que tenham acesso a informação que lhes permita refletir e apontar soluções, numa modalidade que conjuga a teoria com a prática. No caso concreto, esta aula aberta possibilitou perceber como contribuir articuladamente para a construção de um sistema alimentar da cidade de Lisboa mais sustentável e resiliente, tendo em atenção que a promoção de iniciativas de exploração de base regenerativa e de fortalecimento dos sistemas alimentares de cadeia curta de base local e regional é hoje vista como prioritária, tendo presente o seu impacto no aumento da resiliência dos territórios às alterações climáticas, na promoção da biodiversidade e na aceleração da transição para sistemas económicos mais inclusivos e de base circular.
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Fotografia do banner: Doutora Arqt.ª Mariana Grácio Nunes Sanchez Salvador na aula aberta. (© Fundação Minerva • Jorge Lopes Carvalho, 2024)
