Professor Fernando Hipólito publica artigo sobre Arquitectura de Interiores.
O artigo "Arquitectura de Interiores: habitar, transformar e preservar o espaço construído", da autoria do Professor Doutor Arqt. Fernando Manuel Domingues Hipólito, docente da Faculdade de Arquitetura e Artes (FAA) da Universidade Lusíada, e investigador do Centro de Investigação em Território, Arquitetura e Design (CITAD), foi recentemente publicado, em acesso aberto, integrado na obra coletiva "Culturas do Habitar: celebrando os 100 anos da cozinha Frankfurt (1926)" (pp.57-72), numa edição da DINAMIA'CET-Iscte (Centro de Estudos sobre a Mudança Socioeconómica e o Território do Iscte-Instituto Universitário de Lisboa), coordenada por Paula André.
O trabalho analisa a consolidação da Arquitetura de Interiores como disciplina autónoma, destacando o seu papel na transformação dos edifícios existentes, na preservação do património arquitetónico e na promoção de formas de habitar mais sustentáveis e humanizadas, "[...] distinguindo-se pela sua capacidade de intervir criticamente sobre o espaço construído, conciliando exigências funcionais, culturais, patrimoniais e ambientais. Salienta-se que "a crescente valorização da reutilização adaptativa, da sustentabilidade e da preservação do património veio reforçar a importância da disciplina, atribuindo-lhe uma responsabilidade ética perante o ambiente construído e as gerações futuras."
Uma das ideias centrais do artigo é a compreensão do espaço arquitetónico como uma experiência humana, sensorial e cultural, e não apenas como uma realidade física ou funcional. A partir de contributos teóricos de autores como Martin Heidegger, Gaston Bachelard, Maurice Merleau-Ponty, Christian Norberg-Schulz, Juhani Pallasmaa e Peter Zumthor, o Professor Fernando Hipólito evidencia a importância da memória, da perceção sensorial, da identidade dos lugares e das atmosferas espaciais. O trabalho aborda, igualmente, a relação entre Arquitetura de Interiores, património e sustentabilidade, sublinhando-se que a preservação do edificado não implica a imobilização dos edifícios no tempo, mas antes a sua transformação criteriosa, respeitando os elementos que lhes conferem identidade. Neste contexto, a reutilização adaptativa / adaptive reuse — a atribuição de novos usos a edifícios existentes — assume particular importância, permitindo prolongar a sua vida útil, reduzir o consumo de matérias-primas e os resíduos de construção e preservar a energia incorporada nos materiais. Em síntese, o artigo apresenta a Arquitetura de Interiores como uma disciplina fundamental para o futuro das cidades e do património construído, residindo a sua especificidade na capacidade de articular passado, presente e futuro, conciliando a adaptação funcional dos espaços com a preservação da identidade arquitetónica, a sustentabilidade ambiental e a qualidade da experiência humana.

Ilustração 2: Remodelação de apartamento, projeto de Fernando Hipólito, 2023/2024 (intervenção numa fracção de
edifício existente de habitação colectiva em Cascais, da autoria de Arqtº Gil Graça, 1969). (© Iscte, 2026)
Este trabalho resultou da participação do investigador no Ciclo de Conferências "Culturas do Habitar: celebrando os 100 anos da cozinha Frankfurt (1926)", que ocorreu entre 3 de março e 19 de maio de 2026, no ISCTE-Lisboa, e no qual o investigador interveio, no dia 28 de abril, com a conferência "Atmosferas: espaços interiores".
A antologia comemora o centenário do conceito inovador da "Cozinha de Frankfurt", de Margarete Schütte-Lihotzky (1897-2000), um marco histórico no design de interiores e na arquitetura moderna introduzido na década de 1920, no âmbito do Planeamento Municipal da "Nova Frankfurt" de Ernst May (1886-1970), e apresenta diversas (re)leituras em torno das culturas do habitar e das formas de as comunicar, realizadas por especialistas na área da arquitectura, habitação, paisagem, design, mobiliário, cerâmica e fotografia.
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Ilustração do banner: Professor Doutor Arqt. Fernando Manuel Domingues Hipólito. (© Fundação Minerva • Arquivo da Universidade Lusíada • Jorge Lopes Carvalho, 2022)
