Ciclo de conferências "Serviço Social e bem-estar" promove evento acerca da longevidade e qualidade de vida, com a Professora Carla Ribeirinho.
No âmbito do ciclo de conferências "Serviço Social e bem-estar", promovido pelo Instituto Superior de Serviço Social de Lisboa (ISSSL), no dia 28 de março de 2023, decorreu, na Universidade Lusíada (Lisboa), a Conferência #2: "Longevidade e qualidade de vida", apresentada pela Professora Doutora Carla Ribeirinho, especialista no tema central do evento.
Com a organização da Professora Doutora Inês Casquilho-Martins, docente do ISSSL e investigadora do Centro Lusíada de Investigação em Serviço Social e Intervenção Social (CLISSIS), da Professora Doutora Teresa Rodrigues da Silva, diretora do ISSSL e investigadora do CLISSIS, e da Professora Doutora Vanda Ramalho, docente do ISSSL e investigadora do CLISSIS, o evento contou, ainda, com o comentário da Professora Doutora Isabel de Sousa, também docente do Instituto, perante uma assistência maioritariamente composta por estudantes do mestrado em Serviço Social que, estimulados pelas oradoras, refletiram acerca de como viver bem ao longo do processo de envelhecimento e da desconstrução de conceitos e ideias preconcebidas sobre a idade maior.

Ilustração 1 (da esquerda para a direita): Professora Doutora Carla Ribeirinho e Professora Doutora Inês Casquilho-Martins. (© Fundação Minerva • Joaquim Matos Ferreira, 2023)
A Professora Carla Ribeirinho apelou à noção de "longeviver com qualidade de vida", encarando o envelhecimento como processo individual e multidimensional, considerando que "[...] não existe envelhecimento, mas, sim, envelhecimentos". Para a conferencista, a longevidade representa uma conquista civilizacional que nos relembra que o envelhecimento é comutativo, do nascimento à morte, sendo que os pilares da qualidade de vida devem ser cultivados ao longo de todo o ciclo de vida – "[...] esse sentimento subjetivo de satisfação, saúde física e mental, sociabilidade, afeto, independência funcional e autonomia [...]", que garante a dignidade de nos sentirmos "[...] pessoas de corpo inteiro até ao fim".
Neste sentido, para evitar o vazio existencial que situações como a dependência, a doença, a solidão ou a insegurança podem associar a idades mais avançadas, o Serviço Social deve intervir na promoção de "[...] vidas longevas autodeterminadas, que façam sentido", referiu a oradora, sublinhando que vivemos, entre 2020 e 2030, a Década do Envelhecimento Saudável, promovida pela Organização Mundial de Saúde, cujo primeiro pilar pretende combater o idadismo e promover uma "[...] sociedade para todas as idades", cabendo aos assistentes sociais eliminar práticas protecionistas, paternalistas e infantilizadoras da pessoa idosa, bem como garantir cuidados com humanitude, evitando a confusão entre a perda de independência funcional e o direito à participação e a fazer escolhas, que se deve manter ao longo da vida.

Ilustração 2 (da esquerda para a direita): Professora Doutora Carla Ribeirinho e Professora Doutora Isabel de Sousa. (© Fundação Minerva • Inês Casquilho-Martins, 2023)
Na sequência da intervenção da Professora Carla Ribeirinho, a Professora Isabel de Sousa referiu que os assistentes sociais "[...] devem ser líderes inspiradores das pessoas com quem trabalham", tendo em vista a garantia da autodeterminação, evitando "[...] diagnósticos pessimistas" e promovendo uma visão holística do que de positivo e humano a "[...] pessoa idosa tem para oferecer", apesar da sua maior ou menor necessidade de cuidados biopsicossociais. Nas palavras da docente e investigadora, há que "[...] evitar que as instituições e respostas sociais se transformem em máquinas industriais de produção de cuidados", vigiando as microdecisões profissionais quotidianas, para serem promotoras de humanidade e dignidade, tendo em conta a pessoa idosa como sujeito de direitos.
A conferência terminou com um apelo ao cultivo do pensamento crítico, do otimismo e da esperança face ao processo de "longeviver", e com um espaço dedicado ao debate sobre os desafios e dificuldades de intervir e investigar as questões da longevidade e da qualidade de vida.
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Nota 1 – notícia elaborada com o apoio da Professora Doutora Vanda Ramalho.
Nota 2 – fotografia do banner: Professora Doutora Carla Ribeirinho. (© Fundação Minerva • Joaquim Matos Ferreira, 2023)
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Rita Neto Marques
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Rita Neto Marques é redatora e revisora no Departamento de Informação, Documentação e Internet da Universidade Lusíada.
É licenciada em Línguas e Literaturas Modernas, variante de Estudos Portugueses, e mestre em Ciências da Informação e da Documentação, área de especialização em Biblioteconomia.
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