Estudantes do 1.º ano de Arquitetura visitam o Museu do Dinheiro, em Lisboa.
Organizada pelo Professor Doutor Arqt. Mário Chaves, no âmbito das atividades da unidade curricular "Arquitetura 1", da licenciatura em Arquitetura (mestrado integrado), realizou-se, no dia 18 de outubro, uma visita de estudo ao Museu do Dinheiro, com a participação de cerca de 70 estudantes. O objetivo desta atividade era dar a conhecer, mediante exemplos práticos e concretos, a aplicação da política dos 3R na arquitetura: reconstrução, recuperação e requalificação de edifícios, tendo em conta o património imóvel histórico existente em Lisboa e a necessidade de o preservar.
Propriedade do Banco de Portugal, desde 1933, o edifício que hoje alberga o Museu do Dinheiro desde 2016, é um bom exemplo de reconstrução, recuperação e requalificação, tendo sido alvo de obras de reabilitação e restauro entre 2007 e 2012, num projeto dos arquitetos Gonçalo Byrne e João Pedro Falcão de Campos.
Neste espaço existiu a Patriarcal de D. João V, destruída aquando do terramoto de 1755, e aí foi reconstruída a Igreja de São Julião, cujo templo primitivo também tinha sido destruído durante o terramoto. Vários incidentes marcaram a recuperação do espaço religioso e só em 1854 terminaram as obras. Em 1933, depois de vários anos de negociações, o Banco de Portugal adquiriu o imóvel, procedendo-se à sua dessacralização. Durante várias décadas, a instituição bancária aproveitou os espaços disponíveis da igreja para arquivos e estacionamento, entre outras funções e, apesar da aprovação, em 1973, da Câmara Municipal de Lisboa, para avançar com obras que unissem a sede do Banco e a antiga igreja, os protestos populares foram tantos o projeto foi suspenso.
Finalmente, em 2007, avançou-se com a intervenção, que possibilitou ainda a descoberta de cerca de 30 metros da antiga muralha de Dom Dinis, de finais do século XIII, anterior à Cerca Fernandina, junto à zona ribeirinha da cidade, que pode ser apreciada no Núcleo de Interpretação, em conjunto com vários artefactos arqueológicos de vários períodos, indispensáveis para conhecer o passado da cidade de Lisboa.
O Museu do Dinheiro é um bom exemplo da museografia não convencional, com um ambiente inovador, oferecendo uma experiência marcadamente interativa que recorre à tecnologia multimédia para mostrar o seu acervo, convidando à participação do visitante.
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Fotografia do banner: Estudantes do 1.º ano da licenciatura em Arquitetura (mestrado integrado) no Museu do Dinheiro. (© Mário Chaves, 2023)
