Falecimento do Professor Fernando Castelo Branco Chaves (1926-2025), antigo docente da Universidade Lusíada (Lisboa).
O Conselho de Administração da Fundação Minerva – Cultura – Ensino e Investigação Científica e a Reitoria da Universidade Lusíada comunicam, com extremo pesar e consternação, o falecimento, no dia 15 de fevereiro de 2025, do Professor Dr. Fernando José de Oliveira Castelo Branco Chaves, antigo docente da Universidade Lusíada (Lisboa), no Departamento de História e na Faculdade de Ciências Humanas e Sociais, entre 1986 e 2004. Historiador, escritor, arqueólogo e etnógrafo, destacou-se como brilhante olisipógrafo, com diversas publicações sobre o desenvolvimento histórico e urbanístico da cidade de Lisboa, a par de uma atividade docente de excelência.
Nascido em Lisboa, a 22 de setembro de 1926, licenciou-se em Ciências Histórico-Filosóficas pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, em 1952, tendo concluído no mesmo ano o curso de Ciências Pedagógicas. Iniciou atividade docente no magistério primário e no ensino liceal, tendo sido professor efetivo no Liceu Passos Manuel, de onde saiu (em 1970) para ocupar o cargo de chefe de repartição de Ação Cultural da Câmara Municipal de Lisboa (CML) e, posteriormente, passou para o Gabinete de Estudos Olisiponenses (até 1987), no qual se dedicou à sua grande paixão: o estudo de Felicitas Julia Olissipo (a Lisboa romana), desde o seu surgimento até à atualidade. Foi redator-bibliotecário da Agência Geral do Ultramar e era sócio da Academia Portuguesa de História (na qual chegou a ser vice-presidente) e da Academia das Ciências de Lisboa. Era membro do Instituto de Investigação Científica e Tropical, da Academia Nacional das Belas Artes, da Sociedade Histórica da Independência de Portugal, da Sociedade de Geografia de Lisboa (na qual foi diretor da biblioteca durante mais de duas décadas), da Academia de Marinha e do Instituto Histórico e Geográfico do Rio de Janeiro (Brasil).
Regeu vários cursos de História na Escola de Educação do Instituto Politécnico de Setúbal e, na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, foi assistente e professor auxiliar, durante vários anos, de "História da Educação", no curso de Ciências Pedagógicas. Foi docente na então Universidade Livre e o seu percurso na Universidade Lusíada iniciou-se em outubro de 1986, tendo decorrido até 21 de setembro de 2004, como Professor Catedrático convidado nas unidades curriculares de "Teoria e metodologia da História" (anual, 1.º ano da licenciatura em História) e "História de Lisboa" (semestral, 3.º ano).
Produziu numerosa bibliografia (cerca de 120 estudos históricos), com trabalhos premiados como a "Correspondência pedagógica" (1976) e o "Valor histórico de Frei António Brandão" (1979). Como camonista e olisiponense, publicou vários artigos em periódicos especializados como: Panorama, Stvdia, Mare Liberum e Bracara Augusta, mas, igualmente, na revista municipal da CML. Destaque para as obras "Lisboa seiscentista" e "Breve história da Olisipografia", tendo, ainda, sido distinguido, por duas vezes, com o Prémio Júlio de Castilho, da CML. A Biblioteca Nacional de Lisboa recebeu, em 2006 e 2007, numa doação do próprio (Espólio N73), diversa documentação pertencente à sua biblioteca, destacando-se nesta coleção as cartas de David Mourão-Ferreira, um álbum de autógrafos e vários impressos.
Nas funções que desempenhou na área pedagógica, como docente nos três níveis de ensino portugueses – primária/ensino básico; liceal/secundário; e superior/universidade – pautou-se por defender uma formação de excelência dos seus estudantes, privilegiando um ambiente de ensino no qual todos participavam, estando sempre disponível, mesmo fora da sala de aula, para clarificar informação. De trato afável e empático, o Professor Fernando Castelo Branco preconizava um ensino no qual os estudantes eram, efetivamente, ouvidos e instados a colaborar ativamente na sua formação e deixará, certamente, saudades na memória de todos os que tiveram o privilégio de passar pelas suas aulas. Que a sua alma descanse em paz!
O corpo encontrar-se-á em câmara-ardente a partir das 17H00 do dia 17 de fevereiro, na Igreja Paroquial de São João de Deus (Lisboa), e o funeral será no dia 18, com Missa de Corpo Presente, pelas 16H00, seguindo para o crematório do Cemitério dos Olivais, pelas 17H30.