Lusíada apresenta livro do Embaixador Franco Nogueira sobre a sua acção diplomática em Tóquio no pós-guerra.
A obra "Tóquio II: o diplomata no pós-guerra • 1946-1950" do Embaixador Alberto Franco Nogueira (1918-1993), foi oficialmente lançada (a título póstumo), no dia 8 de janeiro de 2026, nas instalações da Universidade Lusíada (Lisboa), instituição na qual o diplomata exerceu funções de docência, entre 1987 e 1993, tendo sido, também, subdiretor (1989) e diretor (1991) do Departamento de História, e Vice-Reitor (1991), cargo que exerceu até ao seu falecimento, em 1993.

Ilustração 1 (da esquerda para a direita): Dr.ª Aida Franco Nogueira, Dr. Jaime Gama, Professor Dr. José de Matos Correia e Professor Doutor Jaime Nogueira Pinto.
(© Fundação Minerva • Jorge Lopes Carvalho, 2026)
A edição conta com uma introdução (com cerca de 70 páginas), da responsabilidade do Arqt. Eduardo Kol de Carvalho, que destaca a lucidez da análise de Franco Nogueira – "incisiva, clara e esclarecedora" – sobre momentos críticos da sua estada em Tóquio, entre 1946 e 1950, período de definição de blocos estratégicos e de início da Guerra Fria.
O jovem diplomata, "muito atento ao quadro geopolítico regional", valeu-se das "boas relações que mantinha nos diversos meios de Tóquio, entre japoneses, americanos, asiáticos ou europeus [e que foram] um precioso instrumento do trabalho diplomático que produzia.
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Ilustração 2: Professor Dr. José de Matos Correia. (© Fundação Minerva • Jorge Lopes Carvalho, 2026)
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A sessão de abertura coube ao Professor Dr. José de Matos Correia, Vice-Chanceler da Universidade Lusíada, que agradeceu o facto da Universidade Lusíada ter sido, mais uma vez, escolhida pela família do Embaixador Alberto Franco Nogueira, na pessoa da sua filha, Dr.ª Aida Franco Nogueira, para o lançamento oficial de uma obra que apresenta vários textos (cerca de 60) sobre a intervenção política de Franco Nogueira no cenário nipónico, no período entre 1946 e 1950, num contexto de pós II Guerra Mundial. Recordou, igualmente, os últimos anos de vida do autor, intimamente ligados à Universidade Lusíada, altura em que o conheceu pessoalmente, não obstante um primeiro contato (indireto) com a leitura de várias das suas obras. Mais tarde, já no Ministério dos Negócios Estrangeiros, confessa ter percebido, então, "o rasto que o Embaixador Franco Nogueira tinha deixado naquela casa e a forma como era apreciado, elogiado".
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Ilustração 3: Dr.ª Aida Franco Nogueira. (© Fundação Minerva • Jorge Lopes Carvalho, 2026)
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A Dr.ª Aida Franco Nogueira, responsável pela edição, agradeceu a presença de amigos e admiradores do pai, bem como "o acolhimento caloroso e espontâneo" com que a Universidade Lusíada abriu as portas a este evento, realizado precisamente no Auditório 3, que leva o nome do Embaixador Franco Nogueira, local onde, habitualmente, ocorrem iniciativas relacionadas com o diplomata (conferências e lançamento de livros). Destacou, ainda, que este livro, e o que o antecede ("Tóquio: Diário", 2022), estiveram expostos no Pavilhão de Portugal na Expo 2025 (abril-outubro), em Osaka, no Japão.
Dr. Jaime José Matos da Gama, antigo Presidente da Assembleia da República e antigo Ministro dos Negócios Estrangeiros, teceu algumas considerações sobre o autor e sobre a obra agora apresentada, salientando as "circunstâncias excecionais" em que foi expedida a telegrafia aqui publicada (via EUA até chegar a Lisboa).
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Ilustração 4: Dr. Jaime Gama. (© Fundação Minerva • Jorge Lopes Carvalho, 2026)
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A "leitura interessada" que fez deu-lhe algumas pistas para perceber a figura e o pensamento do jovem Alberto Marciano Gorjão Franco Nogueira, que chegou a Tóquio, a 6 de janeiro de 1946, para assumir a Legação portuguesa, na condição de Delegado de Portugal junto do Alto Comando Aliado no Japão, ocupado, então, pelas forças americanas (depois da rendição incondicional em agosto de 1945).
Franco Nogueira "vive o mundo na Ásia pós II Guerra Mundial, [observando] o desmantelamento dos grandes impérios europeus na Ásia (Holanda, França, Inglaterra), do próprio Império japonês […], e do Império chinês; [em síntese, tem a oportunidade de observar] uma grande mutação histórica". O representante português foi "um pioneiro na questão da Ásia, na emergência dos Não–alinhados e do Terceiro Mundo, do reaparecimento da República Popular da China depois da guerra civil, da presença americana no Pacífico". Os telegramas diplomáticos, que são a base desta obra, refletem um ponto de vista analítico, que resulta de uma prévia e exaustiva preparação, em linha com uma vasta cultura erudita, de matriz anglo-saxónica, e de um conhecimento de base literária.
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Ilustração 5: Professor Doutor Jaime Nogueira Pinto. (© Fundação Minerva • Jorge Lopes Carvalho, 2026)
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O analista político e professor do Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade de Lisboa, Professor Doutor Jaime Nogueira Pinto, teve o privilégio de conviver com o Embaixador a partir de 1969, quando este saiu do Ministério dos Negócios Estrangeiros e do governo, e com ele colaborou na revista "Política". Reencontrou, agora, o diplomata na leitura deste livro, destacando algumas das grandes qualidades de Franco Nogueira, nomeadamente "um grande e profundo realismo sobre a natureza humana e sobre a natureza dos países e da política". O conhecimento profundo (que foi adquirido muito rapidamente) da geopolítica do extremo oriente, aliado a uma "costela literária" (Franco Nogueira, para além de conviver com muitos escritores, fez, também, crítica literária), permitiu-lhe, expor, de forma clara e concisa, "no ponto certo", e com "grande crueza", a situação no Japão do pós-guerra. Os despachos/telegramas que compõem esta obra, "são muito bem escritos e leem-se com gosto, são narrativas, são histórias, com princípio, meio e fim", revelando outra grande qualidade de Franco Nogueira: a sua capacidade de comunicar. O Professor Jaime Nogueira Pinto realçou, ainda, por parte do diplomata, o respeito pelo Japão e a sensibilidade para com um povo que perdeu a guerra, mostrando-se altamente crítico e duro sobre a ocupação norte-americana do Japão, analisando, "de uma forma muito desassombrada" a atuação dos EUA, sobretudo nos "Processos de Tóquio", onde o "Direito contou muito pouco." Aqui, a legalidade e a imparcialidade são questionáveis. O Tribunal Militar Internacional para o Extremo Oriente (The International Military Tribunal for the Far East – IMTFE) foi constituído, como primeiro objetivo, para julgar criminosos de guerra japoneses (crimes contra a paz, crimes de guerra e crimes contra a humanidade).

Ilustração 6 (da esquerda para a direita): Dr. Jaime Gama, Professor Dr. José de Matos Correia e Professor Doutor Jaime Nogueira Pinto.
(© Fundação Minerva • Jorge Lopes Carvalho, 2026)
A valiosa contribuição que o Embaixador Franco Nogueira deu como professor na Universidade Lusíada, levou, em 1993, à concessão do título de Doutor Honoris Causa em História, como forma de homenagem póstuma pelo percurso académico de excelência como docente, enfatizando a máxima que norteou toda a sua vida como político, como diplomata e como professor: "Agir com fé em função dos princípios que possui, das convicções que sente, dos valores em que acredita — eis o dever de todo o homem" (preâmbulo do seu livro "Juízo Final").
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Ilustração do banner: Pormenor da capa do livro. (© Estúdio Didático, Lda., 2025)