Lusíada organiza a conferência internacional "Um ano de Guerra na Ucrânia".
No dia 23 de fevereiro de 2023, teve lugar, na Universidade Lusíada (Lisboa), a conferência internacional "Um ano de guerra na Ucrânia", organizada pela Ukrainian Refugees UAPT, pelo Professor Doutor José Francisco Pavia, coordenador dos ciclos de estudos de Políticas de Segurança, Segurança e Justiça e Relações Internacionais da Faculdade de Direito, e pela Professora Dr.ª Teresa Leal Coelho, docente da mesma faculdade e investigadora do Centro de Estudos Jurídicos, Económicos e Ambientais (CEJEA), com o apoio da Ukrainian Refugees UAPT, do Centro de Estudos Políticos e de Relações Internacionais da Universidade Lusíada (Lisboa) e do Centro de Documentação Europeia da Universidade Lusíada (Lisboa).

Ilustração 1 (da esquerda para a direita): Professor Doutor Augusto Santos Silva e Professor Doutor Afonso d'Oliveira Martins, durante a assinatura do Livro de Honra. (© Fundação Minerva • Jorge Lopes Carvalho, 2023)
A sessão de abertura do evento foi da responsabilidade do Professor Dr. João Duarte Redondo, Chanceler da Universidade Lusíada, e do Professor Doutor Afonso d'Oliveira Martins, Reitor da Universidade Lusíada, após o que se seguiu a intervenção do Professor Doutor Augusto Santos Silva, Presidente da Assembleia da República, que explicou a posição perentória de Portugal no sentido da condenação liminar da Rússia, desde o exato momento em que a guerra teve início, à luz do respeito escrupuloso pelo Direito Internacional. Referiu que a Ucrânia está a exercer o seu direito à legítima defesa, bem como o seu dever de proteção da população, pelo que o apoio se tem materializado de múltiplas formas: política, diplomática, humanitária e militar. Sublinhou, ainda, que o equilíbrio de segurança na Europa é complexo e delicado, que a invasão da Rússia se faz contra a Europa e que a defesa da Ucrânia representa a defesa da própria Europa.
Seguiu-se a apresentação do Doutor Volodymyr Kozlov, encarregado de negócios da Embaixada da Ucrânia, que manifestou a sua condenação da agressão russa, destacando o apoio de um número significativo de países e salientando que a luta da Ucrânia corresponde à luta a favor da democracia, terminando a sua intervenção com um agradecimento pelo apoio concedido por Portugal.
Posteriormente, o Dr. Nuno Rogeiro, jornalista e comentador político, referiu a invasão russa como uma violação do Direito Internacional Público, do Direito Interno da Rússia, do Direito Interno Soviético e dos acordos de Minsk, explicando que não há qualquer tipo de justificação legal para a invasão e que uma guerra de longa duração é um acontecimento desastroso para a Europa. Concluiu a sua apresentação mencionando que o objetivo é libertar a Ucrânia e que é nesse sentido que convergem o Direito Internacional Público, o Direito dos Estados, a vontade das sociedades e das pessoas.

Ilustração 2: Doutor Volodymyr Kozlov. (© Fundação Minerva • Jorge Lopes Carvalho, 2023) • Ilustração 3: Dr. Nuno Rogeiro. (© Fundação Minerva • Jorge Lopes Carvalho, 2023)
Seguiram-se as intervenções dos oradores do painel 1: Doutora Diana Soller, investigadora do Instituto Português de Relações Internacionais da Universidade NOVA de Lisboa, General João Vieira Borges, Professor da Academia Militar e Presidente da Comissão Portuguesa de História Militar, Professor Doutor José Francisco Pavia e Professor Doutor Vítor Ramon Fernandes, docente de Relações Internacionais da Faculdade de Direito da Universidade Lusíada (Lisboa).
A Doutora Diana Soller abordou o imprevisto da guerra e o facto de, atualmente, se desconhecerem as efetivas consequências da mesma, destacando a imposição da Rússia, a respetiva improvisação e a capacidade de resposta da Ucrânia, bem como o papel da China como ator neste conflito. Segundo a investigadora, o futuro estará relacionado com a paz que se conseguir na Ucrânia, necessariamente em nome dos interesses ocidentais.
Na sua exposição, o General João Vieira Borges referiu que se trata de uma guerra destinada a modificar as fronteiras pela força, explicando, depois, detalhadamente, as várias fases do conflito, que teve início em 2014, numa fase 0, aquando da invasão da Crimeia, reiterando a importância da libertação da Ucrânia. Entre outros aspetos, referiu, ainda, algumas lições que podem ser aprendidas no contexto desta guerra.
O Professor Doutor José Francisco Pavia dedicou a sua comunicação ao facto de o Sul Global se demonstrar mais próximo da prevalência dos valores autocráticos sobre os democráticos, que caracteriza a versão da ordem internacional promovida pela Rússia e pela China, indicando que há um número considerável de países que não condena a Rússia, devido às campanhas de desinformação em África, que têm em vista o enfraquecimento da União Europeia, a criação de divisões no Ocidente, o caos político, a promoção de Estados autocráticos, etc.
A última intervenção do painel esteve a cargo do Professor Doutor Vítor Ramon Fernandes, que abordou a relação entre a Rússia e a NATO, a intenção de um revisionismo russo pós-Guerra Fria e a necessidade de se refletir sobre a intenção da Rússia nas situações de cooperação com o Ocidente, enumerando acontecimentos históricos importantes no âmbito deste conflito.

Ilustração 4 (da esquerda para a direita): General João Vieira Borges, Professor Doutor José Francisco Pavia, Carolina Maria de Sousa, Doutora Diana Soller e Professor Doutor Vítor Ramon Fernandes. (© Fundação Minerva • Joaquim Matos Ferreira, 2023)
A finalizar a primeira parte do evento, seguiu-se o painel 2, constituído pelo Coronel Mykhailo Karnaukh, chefe do Departamento Médico do Serviço de Fronteiras da Ucrânia, pelo Capitão Maksym Parubets, chefe do Departamento de Ortopedia e Traumatologia do Hospital Central do Serviço de Fronteiras da Ucrânia e responsável do Departamento de Traumatologia do principal Centro Médico do Serviço de Fronteiras de Kyiv, e Volodymyr Kryvonos, investigador e consultor sénior responsável pela reforma do Sistema de Saúde da Ucrânia, que relataram a experiência dos médicos militares na guerra. Ainda no âmbito deste painel, Shumeiko Volodymyr, militar ucraniano, veterano da guerra de 2014, partilhou a experiência que viveu durante a invasão da Crimeia pela Rússia.

Ilustração 5 (da esquerda para a direita): Volodymyr Kryvonos, Capitão Maksym Parubets, Coronel Mykhailo Karnaukh, Shumeiko Volodymyr, Carolina Filipe Martins Rebelo Martinho e Darya Papchenko. (© Fundação Minerva • Joaquim Matos Ferreira, 2023)
A segunda parte do evento foi totalmente dedicada ao painel 3, subordinado aos depoimentos de jornalistas portugueses sobre a sua experiência na cobertura da guerra na Ucrânia. Neste sentido, os jornalistas Paulo Jerónimo, da RTP – Rádio e Televisão de Portugal, Iryna Shev, da SIC – Sociedade Independente de Comunicação, Pedro Cruz, da TSF – Rádio Notícias, e Pedro Jorge Castro, do Observador, partilharam com a audiência o cenário com que se depararam, histórias de cidadãos ucranianos que conheceram, descrevendo o êxodo e a resistência ucranianos, bem como a adaptação, e refletindo sobre a imprevisibilidade, entre diversos aspetos. Por seu lado, o jornalista Rolando Santos, da TVI – Televisão Independente, apresentou a sua perspetiva da análise da guerra na Ucrânia a partir de Portugal, no contexto da política internacional.

Ilustração 6 (da esquerda para a direita): Pedro Jorge Castro, Rolando Santos, Paulo Jerónimo, Rodrigo Andrade Santos, Zakhar Venger, Pedro Cruz e Iryna Shev. (© Fundação Minerva • Joaquim Matos Ferreira, 2023)
A sessão de encerramento desta conferência internacional foi proferida pelo Professor Doutor José Francisco Pavia e pela Professora Dr. Teresa Leal Coelho, e contou com a presença do Dr. Angelo Neto, responsável pelas áreas de Media, Event Management e Institutional Relations da Ukrainian Refugees UAPT.

Ilustração 7 (da esquerda para a direita): Dr. Angelo Neto, Professor Doutor José Francisco Pavia e Professora Dr.ª Teresa Leal Coelho. (© Fundação Minerva • Joaquim Matos Ferreira, 2023)
Ao longo do evento, houve espaço para perguntas e respostas, e os painéis foram moderados por estudantes portugueses e ucranianos da Universidade Lusíada (Lisboa).

Ilustração 8: Dr.ª Daniela Bruto da Costa Antão. (© Fundação Minerva • Joaquim Matos Ferreira, 2023)
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Fotografia do banner (da esquerda para a direita): Professor Doutor Augusto Santos Silva, Professor Dr. João Duarte Redondo e Professor Doutor Afonso d'Oliveira Martins. (© Fundação Minerva • Jorge Lopes Carvalho, 2023)
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Rita Neto Marques
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Rita Neto Marques é redatora e revisora no Departamento de Informação, Documentação e Internet da Universidade Lusíada.
É licenciada em Línguas e Literaturas Modernas, variante de Estudos Portugueses, e mestre em Ciências da Informação e da Documentação, área de especialização em Biblioteconomia.
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