Professor José Francisco Pavia analisa a realidade atual de África, como convidado do programa Guerra e Paz do canal Now.
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Ilustração 1: Logótipo do canal Now. (© Medialivre • Now, 2025)
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O Professor Doutor José Francisco Pavia, coordenador da licenciatura e do mestrado em Relações Internacionais da Faculdade de Direito da Universidade Lusíada (Lisboa), e investigador do Centro de Estudos Jurídicos, Económicos, Internacionais e Ambientais (CEJEIA) da referida instituição, foi o convidado, da edição 43 do programa "Guerra e Paz", do canal News Now (do grupo Medialivre), do dia 22 de março de 2025, da responsabilidade dos jornalistas Germano Almeida e Marisa Caetano Antunes. A análise incidiu sobre aspetos da realidade política e económica de diversos países africanos, nomeadamente Angola, Nigéria, Cabo Verde e Marrocos, entre outros.
Face a um continente com um grande potencial que tem sido eternamente adiado, nas palavras do jornalista Germano Almeida, o que tem falhado em África? O especialista em relações internacionais começou por destacar a etnicidade, recordando que as fronteiras de muitos países africanos são resultado das decisões tomadas na Conferência de Berlim (1884-1885), "[…] desenhadas a régua e esquadro pelas potências coloniais e isso tem implicações até hoje: dividiram povos, dividiram culturas [esquecendo que] muitos países africanos são multiétnicos e isso é uma causa enorme de conflitualidade." Numa outra dimensão, referiu aquilo que é um paradoxo do continente africano, a chamada 'maldição dos recursos naturais': "[…] países com petróleo, gás natural, diamantes, são os países onde há mais conflitualidade, mais corrupção, pior governação", não obstante, existirem exceções: "Cabo Verde é um excelente exemplo e faz um contraste significativo com a Guiné-Bissau": países com a mesma história colonial, alcançaram a independência no mesmo ano, partilharam o mesmo partido (PAIGC), destacam a figura de Amílcar Cabral "[...] mas depois têm uma trajetória pós-independência radicalmente diferente".
A existência ou não de instituições políticas credíveis, a instabilidade ou a boa governação, a fraca transição democrática são circunstâncias que, numa relação causa-efeito, podem explicar parte das diferenças entre os países africanos. Reiterou que países produtores de petróleo e gás natural – Angola, Nigéria e Guiné Equatorial – são dos piores governados e com níveis altos de corrupção, com destaque para a Guiné, apesar da Nigéria (antiga colónia britânica) ser, neste momento, o país africano com o maior PIB, mas com graves problemas (terrorismo interno, por exemplo). Outro aspeto salientado: partidos e famílias que se eternizam no poder, em países que apresentam uma "democracia de fachada, para consumo ocidental", com eleições que não são verdadeiramente livres e justas, a par de "[...] uma fraqueza na cultura política por parte da população". Referiram-se, ainda, as diferenças entre uma África do Norte e uma África subsariana, com destaque para Marrocos, que apresenta uma estabilidade política relevante e com uma boa governação (é a única monarquia africana), tendo um grande apoio internacional e uma proximidade com a França.

Ilustração 2 (da esquerda para a direita): Professor Doutor José Francisco Lynce Zagalo Pavia e jornalistas Marisa Caetano Antunes e Germano Almeida no programa "Guerra e Paz ". (© Medialivre • Now, 2025)
Foi, igualmente, analisado o crescimento demográfico exponencial no continente africano, que conta atualmente com cerca de 1,3 biliões de habitantes, quase o mesmo valor que a China e a Índia, e duplicou nas últimas 3 décadas, uma tendência que pode ser um trunfo, mas "[...] que é sobretudo um enorme desafio [e] pode ser uma oportunidade, mas levanta também grandes problemas", sendo a Nigéria o país atualmente mais populoso. No caso de Angola e de Moçambique, presentemente com cerca de 35 milhões de habitantes, cada um, prevendo-se que cheguem aos 100 no final deste século, o Professor José Francisco Pavia chamou a atenção para o reflexo na quantidade de falantes de língua portuguesa, em África e a nível mundial.
África está a rejuvenescer, apresentando igualmente um aumento na expetativa de vida saudável, com a esperança média de vida a subir, em 20 anos, de 46 para 66 anos, muito em resultado dos apoios e ajudas internacionais. O investigador mostrou-se preocupado com o impacto que podem ter os recentes cortes norte-americanos (e não só) a programas de ajuda ao desenvolvimento e ao controlo de doenças, por exemplo. "Os países estão a desviar dinheiro para a defesa e a recuar na ajuda internacional e África pode vir a ser afetada", sublinhando que "[...] os fluxos migratórios, que já se verificam, em direção à Europa vão aumentar e esta deve estar preparada".
O Professor José Francisco Pavia tem uma vasta experiência em análise de assuntos de política internacional e assumiu, recentemente, a função de correspondente em Lisboa do Channel Africa, da South Africa Broadcasting Corporation (SABC) na rubrica Caleidoscópio, um serviço em língua portuguesa, emitido diariamente (exceto ao fim de semana), e que apresenta um painel diversificado de comentadores.
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Ilustração do banner: Professor Doutor José Francisco Lynce Zagalo Pavia no programa "Guerra e Paz". (© Medialivre • Now, 2025)
