Professor José Francisco Pavia comenta, na Antena 1, adesão da Suécia à NATO.
O Professor Doutor José Francisco Pavia, coordenador das licenciaturas em Políticas de Segurança e Relações Internacionais e dos mestrados em Relações Internacionais e Segurança e Justiça da Faculdade de Direito da Universidade Lusíada (Lisboa), comentou, no dia 26 de fevereiro de 2024, no Noticiário da Antena 1, a recente entrada da Suécia na NATO.
A Suécia tornou-se, a partir do dia 26 de fevereiro de 2024, o 32.º membro da NATO, após a ratificação, pelo parlamento húngaro, da adesão deste território à organização, o passo final necessário para o país nórdico aderir à Aliança Atlântica, tendo a candidatura de Estocolmo sido aprovada por uma esmagadora maioria de deputados (188 votos em 199 lugares).
O representante do governo sueco, Ulf Kristersson, congratulou-se com a adesão, afirmando que "[…] today is a historic day. The parliaments of all NATO member states have now voted in favour of Swedish accession to NATO. Sweden stands ready to shoulder its responsibility for Euro-Atlantic security." (fonte: Plataforma X)
A Suécia e a Finlândia tinham solicitado, em conjunto, a adesão à Aliança Atlântica, após a invasão russa da Ucrânia em fevereiro de 2022. A Finlândia tornou-se membro de pleno direito da NATO em abril do ano passado, o que levou a que a fronteira da Aliança com a Rússia mais do que duplicasse. No caso da Suécia, a Turquia e a Hungria ainda mantiveram o seu veto. Ancara, que tinha acordado compromissos de segurança com Helsínquia e Estocolmo, ainda tinha dúvidas sobre o envolvimento sueco na luta contra o alegado terrorismo curdo, tendo aprovado a adesão no final de janeiro. Faltava “desbloquear” o veto do Parlamento de Budapeste, agora conseguido, após pressão da própria organização, que reiterou que "[…] a adesão à NATO está aberta a qualquer outro Estado europeu em posição de promover os princípios deste Tratado e contribuir para a segurança da área do Atlântico Norte." (fonte: NATO).
Uma vez obtido o consenso de todos os países, para que a Suécia se torne membro de pleno direito da Aliança e possa beneficiar da defesa coletiva em caso de ataque, ainda existem algumas etapas administrativas que devem ser concluídas. Em concreto, o 32.º membro da Aliança deve depositar o chamado “protocolo de adesão” nas mãos dos Estados Unidos, que será mantido no Departamento de Estado norte-americano, em Washington, e, simbolicamente, a bandeira sueca será hasteada numa cerimónia na sede da NATO em Bruxelas, com as dos outros 31 aliados, em data a anunciar.
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Ilustração: Imagem do Noticiário. (© Antena 1, 2024)
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No Noticiário das 17H00, na Antena 1, numa edição de Miguel Soares, e na entrevista concedida a Alexandre David, do mesmo órgão de comunicação social, o Professor Doutor José Francisco Pavia destacou a importância desta adesão, nomeadamente pelo facto de, agora, todos os países banhados pelo Mar Báltico, com exceção da Rússia, serem membros da Aliança. O que é, reforçou o docente, "[…] mais uma fonte de pressão junto da Rússia e uma enorme mais-valia para a NATO".
O especialista em Relações Internacionais comentou, igualmente, o atraso no "Sim", por parte da Turquia, "[...] algo já expetável", mas sobretudo o da Hungria, considerando ser provável a existência de contrapartidas que poderão ter funcionado como "moeda de troca" para a aprovação final.
As recentes declarações do representante do governo eslovaco, a participar num encontro, à porta fechada, de líderes europeus, em Paris, sobre a hipótese da NATO e da União Europeia enviarem tropas para a Ucrânia (descartando, desde logo, a possibilidade da Eslovénia enviar soldados), levaram o jornalista Alexandre David a questionar se "o cenário é plausível?", tendo o Professor José Francisco Pavia, perentoriamente, respondido: "[...] com toda a franqueza, não me parece", criticando, ainda, "[...] a posição dúbia do primeiro-ministro eslovaco no apoio à Ucrânia [...]". Aliás, o próprio secretário-geral da NATO, sublinhou, várias vezes, junto dos órgãos de comunicação social, que a organização não faz parte do conflito.
O Professor José Francisco Pavia lembrou as questões geopolíticas relacionadas com a zona do Báltico, e com o High North (Círculo Polar Ártico e zonas circundantes), espaço que tem levantado algumas preocupações à Aliança Atlântica. O Alto Norte (High North), região limite do Ártico, tem ganho importância estratégica para a NATO, potenciada pelas alterações climáticas e o latente surgimento de novas rotas marítimas entre o Atlântico e o Pacífico.
As origens da NATO remontam aos finais da Segunda Guerra Mundial, em 1949, num contexto de Guerra Fria: "[...] At a time of chaos, ruin and despair, the birth of NATO inspired hopes for peace, solidarity and shared values [...]" e, na sua fundação, estiveram presentes 3 objetivos: travar o expansionismo soviético, dissuadir o renascimento do militarismo nacionalista europeu e incentivar a integração política europeia. (fonte: NATO)
A participação do Professor José Francisco Pavia no Noticiário da Antena 1 ajuda a clarificar situações complexas da atualidade internacional e, paralelamente, os seus comentários e análise crítica assumem uma relevância significativa para os estudantes dos cursos de Políticas de Segurança e de Relações Internacionais da Universidade Lusíada. Os insights informados não só enriquecem o entendimento académico, mas também capacitam os estudantes com uma compreensão mais profunda das implicações práticas das políticas internacionais, preparando-os para enfrentar os desafios do mundo real no campo dinâmico e em constante evolução das relações internacionais. Ao abordar temas atuais da ordem internacional, que influenciam as relações entre Estados, o docente proporcionou uma oportunidade valiosa para os estudantes conectarem teoria e prática, contribuindo para uma formação abrangente e informada dos futuros profissionais dessas áreas científicas.
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Fotografia do banner: Professor Doutor José Francisco Lynce Zagalo Pavia. (© Fundação Minerva • Jorge Lopes Carvalho, 2022)
