Professor José Francisco Pavia comenta, na RTP, questões atuais da política internacional.
O Professor Doutor José Francisco Pavia, coordenador das licenciaturas em Políticas de Segurança e Relações Internacionais e dos mestrados em Relações Internacionais e Segurança e Justiça da Faculdade de Direito da Universidade Lusíada (Lisboa) e antigo observador português junto da Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO), comentou, em diversos programas noticiosos da RTP, questões atuais da política internacional, nomeadamente em relação à 37.ª Cimeira da NATO, realizada nos EUA, e ao atentado a Donald Trump na Pensilvânia, nos primeiros dias de julho de 2024.
No seguimento da Cimeira, que decorreu em Washington, entre os dias 9 e 11 de julho de 2024, e relativamente à questão da Ucrânia, o especialista em relações internacionais considerou, no "Noticiário" (18H00) da Antena 1, de 9 de julho, numa edição de João Vasco, que a NATO deverá optar por fazer um acordo militar e financeiro com Kiev, uma vez que, nesta fase, não pode convidar a Ucrânia para aderir à Organização: "[…] A NATO não pode convidar um país estando em guerra com a Rússia, porque isso iria pôr a NATO imediatamente em guerra com a Rússia […]" e, provavelmente, poderá avançar para 'uma parceria reforçada' e verificamos que "[…] há uma tentativa de garantir financiamento da Ucrânia, mesmo que Trump ganhe […]", o que lhe parece difícil, sendo de opinião que "terá de ser a União Europeia a garantir essa continuidade do financiamento à guerra […], porque do lado dos EUA as incógnitas são muito grandes […]".

Ilustração 1 (de cima para baixo): Jornalista Alexandre Brito e Professor Doutor José Francisco Lynce Zagalo Pavia. (© RTP3 • Programa "3 às 15", 2024)
Ainda no contexto da Cimeira da NATO, no programa "3 às 15" da RTP3, do dia 10 de julho, editado por Alexandre Brito, recordou-se o bombardeamento russo ao hospital pediátrico de Kiev, no início do mês de julho, considerando o comentador que "[…] é significativo e até simbólico que o presidente Biden tenha dito que vai fornecer à Ucrânia 5 baterias antimísseis Patriot […]". O problema, destacou o comentador, é saber o que vai acontecer em novembro, com as eleições presidenciais e, ainda, com as eleições para a "[…] totalidade da Câmara dos Representantes e para 1/3 do Senado [e] é a Câmara dos Representantes que tem o chamado poder financeiro […], o poder do dinheiro está aí […] e pode condicionar fortemente o empenho norte-americano na ajuda à Ucrânia […]". Advertiu, igualmente, para os riscos de uma vitória de Putin na Ucrânia, situação que poderá despoletar outros cenários de guerra, referindo-se concretamente a Taiwan e à China, salientando, ainda, que se preveem exercícios militares da China com a Bielorrússia, que faz fronteira com três países da NATO (Polónia, Letónia e Lituânia) e "[…] é um suicídio que não olhemos para esta situação".
O Professor José Francisco Pavia recordou a fundação da NATO (1949) e referiu que, depois do fim da Guerra Fria, houve quem não entendesse a manutenção de uma organização, depois da desagregação da URSS (1990-91), salientando, hoje, a ‘global NATO’ – NATO global, com parceiros globais (entre eles, Japão, Coreia do Sul, Nova Zelândia e Austrália que estão presentes, como convidados, nesta Cimeira). "[…] A NATO fortaleceu-se significativamente com a invasão russa da Ucrânia: tem, neste momento, 32 membros [e com a Suécia e a Finlândia, os mais recentes] reforçou o seu flanco norte […]", entre outros aspetos. As palavras de Jens Stoltenberg, última vez que preside a uma cimeira da aliança atlântica como secretário-geral da NATO, destacaram que este é um momento em que a NATO está a ser testada pela Rússia e informou, entre vários pontos, da criação de um comando da organização para a Ucrânia (muito possivelmente localizado na Polónia). O comentador entende ser um mecanismo para continuar com este apoio, indispensável, a este país para continuar a resistir "[…] a esta bárbara invasão russa […]".

Ilustração 2: Professor Doutor José Francisco Lynce Zagalo Pavia. (© Antena 1 • Programa "Noticiário", 2024)
O atentado a Donald Trump, num comício na Pensilvânia, a 13 de julho, e as eleições presidenciais norte-americanas foram os assuntos em destaque na intervenção do Professor José Francisco Pavia no "Noticiário" da Antena 1 (12H00) do dia 14, editado por Eduarda Maio. O comentador considera que a imagem que passou em todos os meios de comunicação social, é uma imagem da resistência do candidato à presidência dos EUA face ao que tinha acabado de acontecer, e vai ser decisiva para muitos norte-americanos que vão seguir aquilo que, na Ciência Política, se chama o 'efeito bandwagon' "[…] seguir aquele que está à frente nas sondagens, aquele que é visto como uma vítima do sistema […]". O facto do atentado ter ferido 3 apoiantes e morto outro, pode também trazer apoio a Trump, tendo o especialista em relações internacionais dado exemplos de anteriores situações semelhantes e que levaram a um 'boost' da popularidade do alvo.
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Fotografia do banner: Professor Doutor José Francisco Lynce Zagalo Pavia. (© Fundação Minerva • Jorge Lopes Carvalho, 2023)
