Professor José Francisco Pavia comenta, no canal Now, os últimos acontecimentos no Médio Oriente.
O Professor Doutor José Francisco Pavia, coordenador da licenciatura e do mestrado em Relações Internacionais da Faculdade de Direito da Universidade Lusíada (Lisboa), investigador do Centro de Estudos Jurídicos, Económicos, Internacionais e Ambientais (CEJEIA) e antigo observador português junto da Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO), comentou, numa entrevista ao "Jornal à Noite", do canal News Now (do grupo Medialivre), no dia 22 de setembro de 2024, os últimos acontecimentos no Médio Oriente, com destaque para a utilização, por parte de Israel, de pagers e walkie-talkies armadilhados, contra o Hezbollah, no sul do Líbano.
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Ilustração: Logótipo do canal Now. (© Medialivre • Facebook, 2024)
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O investigador chamou a atenção para o facto de, no momento, Israel ter 4 frentes de combate – em Gaza, com o Hezbollah (sul do Líbano), com os houthis no Iémen, na Cisjordânia, e "[…] eventualmente, num futuro próximo, poderá ter cinco […]", referindo-se à zona de fronteira com a Síria, lembrando que "[…] o regime sírio é altamente hostil a Israel […]". Não está em cima da mesa a possibilidade de uma invasão terrestre no sul do Líbano, por parte de Israel, segundo a sua análise, tendo em conta que as últimas invasões não correram necessariamente bem para Israel, mesmo em termos de imagem pública. O Professor José Francisco Pavia é de opinião que "[…] Israel vai tentar com ataques cirúrgicos evitar essa invasão terrestre […] e vai tentar que o Hezbollah cumpra a resolução das Nações Unidas que obriga a que este se mantenha longe da fronteira […]". Avançou, ainda, que "[…] tão cedo não existirão acordos de paz ou uma solução política […]", pelo menos até às eleições presidenciais norte-americanas, sendo do interesse de Israel que ganhe Trump.
A utilização de pagers e walkie-talkies armadilhados introduz aquilo que podemos considerar uma nova tipologia de "armas de guerra", destacando o "[…] notável grau de sofisticação, de preparação atempada […] e o timing […]", considerando que o objetivo principal é evitar avançar para uma ofensiva terrestre e "[…] decapitar a capacidade ofensiva e de comunicação do Hezbollah […]". Este último comentário do especialista em relações internacionais relaciona-se com o recente episódio da guerra no Médio Oriente, ocorrido a 17 e 18 de setembro, que provocou, em Beirute, capital do Líbano, e na Síria, uma onda de explosões simultâneas de centenas de pagers e de walkie-talkies, usados pelos membros do Hezbollah, e que vitimou cerca de 37 pessoas e provocou mais de 3.500 feridos. Acredita-se que os ataques tenham sido conduzidos pela Mossad, os serviços secretos de Israel, que têm um longo historial de operações semelhantes, e que estarão por detrás da criação de empresas de fachada, há cerca de cinco meses, em Taiwan, para a venda dos equipamentos adulterados.
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Fotografia do banner: Professor Doutor José Francisco Lynce Zagalo Pavia. (© Fundação Minerva • Jorge Lopes Carvalho, 2018).
