Professor Nuno Palma apresenta as causas do atraso português, em seminário, na Lusíada.
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Ilustração 1: capa do livro. (© Dom Quixote, 2023)
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No dia 2 de abril de 2024, promovido pela Faculdade de Ciências da Economia e da Empresa (FCEE) da Universidade Lusíada (Lisboa), decorreu um seminário sobre "As causas do atraso português", proferido pelo Professor Doutor Nuno Palma, docente do Departamento de Economia da Universidade de Manchester e do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, autor do livro "As causas do atraso português: repensar o passado para reinventar o presente", publicado em novembro de 2023, e que foi o mote desta iniciativa.
O Professor Doutor Álvaro Matias, diretor da FCEE e investigador do Centro de Investigação em Organizações, Mercados e Gestão Industrial (COMEGI), responsável pela iniciativa, apresentou, na sessão de abertura, o autor e a obra na qual se baseou este seminário. O trabalho de investigação do Professor Nuno Palma foi destacado, considerando que "[…] este livro incomoda muita gente […], é um destruidor de mitos, com uma sólida base científica, […] escrito para o grande público, o que é uma combinação muito forte para uma obra literária […]". Salientou, ainda, que "[…] a narrativa tem afirmações que contrariam o status quo [e as ideias estão] apoiadas em evidências empíricas muito sólidas."
O Professor Nuno Palma começou por contextualizar a problemática, enfatizando que o atraso de Portugal tem séculos, abordando a evolução económica portuguesa desde o século XV até à atualidade, destacando a importância de se articular o "capital humano" (em quantidade e em qualidade) e o "capital físico". Numa segunda parte, o orador apresentou a interpretação dos dados empíricos recolhidos, por meio de gráficos detalhados, que nos dão uma perspetiva da economia e da sociedade portuguesas, permitindo apreender o atraso sistemático do nosso país em relação aos outros países europeus. Referiu, ainda, que, para refletirmos sobre o presente e sobre futuros possíveis, é essencial compreender o passado, e considerar, de forma ponderada, os fatores que podem explicar esse atraso.

Ilustração 2: Professor Doutor Álvaro Matias durante o evento.(© Fundação Minerva • Jorge Lopes Carvalho, 2024)
O investigador desconstruiu, também, algumas "ideias feitas", chamando a atenção, por exemplo, para o facto de, no tempo da expansão e do império, o país ser e continuar a ser de base económica agrícola, e "[...] ao enriquecimento da Coroa não corresponde necessariamente o enriquecimento do país [...]". Considera, ainda, que "[...] a religião católica não foi o grande impedimento para o desenvolvimento económico", porque o problema não é religioso, mas sim político. Na sua perspetiva, o ouro do Brasil levou Portugal "[...] a andar para trás no tempo [...]" e o Marquês de Pombal desenvolveu "um poder nepotista" que só prejudicou o país. Destacou, com base em dados empíricos, expostos em gráficos exemplificativos, que a convergência que se observa, "a partir dos anos 50 do século XX, entre Portugal e a restante Europa [...]".

Ilustração 3: Professor Doutor Nuno Palma durante o evento. (© Fundação Minerva • Jorge Lopes Carvalho, 2024)
Na síntese final, o Professor Nuno Palma apresentou o que considera serem as "causas fundamentais" do atraso português: históricas (atraso das instituições e baixo capital humano) e contemporâneas (condicionamentos culturais e ajudas europeias). Destacou "[...] a forma de pensar pós-revolução [...]", que limitou, e muito, a implementação de certas medidas pela conotação que se fez com o Estado Novo, e, ainda, os "[...] pensos rápidos, as aspirinas [...]" das ajudas europeias, que, do seu ponto de vista, "[...] são muito prejudiciais à economia portuguesa [...]". A par destas causas fundamentais, o investigador apresenta aquilo que designa por "causas intermédias", como, por exemplo, a reduzida literacia financeira, os condicionalismos políticos, "a cultura de compadrio" e os interesses privados que fazem do Estado refém. Os sintomas, ou "mecanismos" destas causas, são, entre outros, uma democracia limitada, um sistema educativo atrasado, más políticas públicas ou ausência de reformas. Tudo isto leva, inevitavelmente, a "baixa produtividade, atraso económico e social, desigualdade, divergência".
O evento permitiu que os estudantes conhecessem uma nova visão sobre esta problemática, identificando causas concretas e discutindo formas de implementar mudanças, vindo ao encontro do objetivo da FCEE e da Universidade Lusíada de capacitar a sua comunidade estudantil para refletir, de forma sustentada em dados empíricos, sobre questões atuais da sociedade e da economia portuguesas.
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Fotografia do banner: Professor Doutor Nuno Palma durante o evento. (© Fundação Minerva • Jorge Lopes Carvalho, 2024)
