Professor Vítor Ramon Fernandes comenta, na RTP3, as negociações de paz para a Ucrânia.
O Professor Doutor Vítor Ramon Fernandes, docente da Faculdade de Direito da Universidade Lusíada (Lisboa) e investigador do Centro de Estudos Jurídicos, Económicos, Internacionais e Ambientais (CEJEIA) da mesma instituição, esteve presente, no dia 15 de março de 2025, no noticiário "360°" da RTP3, coordenado pela jornalista Daniela Santiago, no qual analisou as recentes evoluções no processo de negociações de paz para a guerra na Ucrânia. O docente participa regularmente em programas de atualidade política, contribuindo para um melhor entendimento de assuntos de política internacional.
As negociações para o cessar-fogo estiveram em análise neste programa, que contou, ainda, com a presença do comentador da RTP, Miguel Szymanski, jornalista e escritor, tendo sido enfatizada a posição, muito fragilizada, da Ucrânia e de Zelensky no contexto das atuais negociações para a paz. O Professor Vítor Ramon Fernandes salientou que "[…] a situação está a ir muito para o lado russo, [tendo, ainda, presente que] há uma urgência e pressão de Trump […]", face a uma agenda pessoal que envolve o desejo de receber o Prémio Nobel da Paz. A realidade é que "[…] a Ucrânia vai continuar numa posição muito fragilizada e terá de aceitar muito do que não pensava aceitar […]."
O investigador é de opinião que Putin coloca algumas questões que, de facto, "são legítimas": preocupações de segurança russas que são importantes, salientando que não podemos olhar para esta situação do modo tradicional, "não podemos ver isto como bons e maus" e, aqui, destacou a intervenção de Angela Merkel, que tem tido uma posição interessante em todo esta situação, "com uma clarividência curiosa". A geoestratégia coloca questões e problemas que é necessário acautelar, referindo que o próprio secretário-geral da NATO, Mark Rutte, já avançou que, após o fim do conflito, há que reatar relações com a Rússia.

Ilustração: Professor Doutor Vítor Ramon Fernandes no programa "360º". (© Noticiário "360°" • RTP3, 2025)
Do lado da América, é patente a consciência das preocupações de segurança por parte de Putin e, neste momento, os dois dirigentes (Trump e Putin) necessitam, de certa forma, um do outro, mas o Professor Vítor Ramon Fernandes lembrou as palavras do antigo secretário de Estado norte-americano, Henry Kissinger, que considerava que "ter os EUA como inimigo é mau, mas ter os EUA como aliado é um risco" — "It may be dangerous to be America's enemy, but to be America's friend is fatal" —, e, atualmente, com a imprevisibilidade do líder norte-americano, isto é algo a não desvalorizar. Questionado sobre o papel da NATO e da União Europeia, que aparece, esta última, com uma imagem enfraquecida em todo este cenário, o analista foi perentório: "é uma imagem real […] a Velha Senhora [a Europa], está muito enfraquecida desde já há 80 anos, porque há uma opção estratégica, que foi tomada em 1945 e que foi de vassalagem estratégica face aos EUA [e] não se investiu na defesa como se deveria ter feito […]".
O cenário atual da guerra na Ucrânia contempla uma trégua de 30 dias, proposta pelos EUA e aceite ainda apenas pela Ucrânia, estando prevista uma conversa telefónica entre Trump e Putin, marcada para 18 de março. A posição do líder russo relativamente a esta trégua tem sido ambígua: afirma, por um lado, que Moscovo concorda "em teoria", mas que também vai apresentar condições rigorosas – nomeadamente 'concessões' por parte de Kiev. Recorde-se que a Rússia começou a ocupar territórios ucranianos em 2014, e, desde a grande invasão em 2022, a Ucrânia já perdeu o controlo de cerca de 11% do território. A cedência (ou reconhecimento) de território para a Rússia tem sido um tema irreconciliável para o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, sendo, igualmente, conhecida a posição de Putin, que não tem qualquer intenção de desistir das terras que ocupa atualmente. Na Europa, e na própria NATO, vários líderes têm manifestado receio sobre a ideia de se 'recompensar' Putin pela invasão.
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Ilustração do banner (da esquerda para a direita): Professor Doutor Vítor Ramon Fernandes e jornalista Daniela Santiago. (© Noticiário "360°" • RTP3, 2025)
