Professora Vanda Ramalho participou, no Museu Nacional de Arte Contemporânea, em mesa redonda sobre coabitação multicultural.
No dia 19 de setembro de 2025, a Professora Doutora Vanda Sofia Braz Ramalho, docente do Instituto Superior de Serviço Social de Lisboa (ISSSL) e investigadora do Centro Lusíada de Investigação em Serviço Social e Intervenção Social (CLISSIS) da Universidade Lusíada, participou como oradora na mesa-redonda "Imigrantes, Expats & Portugueses: como estimular a coabitação? / How can we foster cohabitation?", que teve lugar no Museu Nacional de Arte Contemporânea (MNAC), em Lisboa.
O Diaspora Salon Lisboa, uma plataforma de trabalho em rede que visa ligar as várias comunidades da diáspora em Lisboa, em parceria com o MNAC, organizou este encontro, "motivado pela presença crescente de comunidades de imigrantes, expats e nómadas digitais em Lisboa", propondo uma reflexão sobre como diferentes culturas coabitam, dialogam e transformam positivamente a cidade". O evento reuniu ativistas, artistas, investigadores e líderes comunitários para refletir sobre os desafios da capital portuguesa, marcada pela crescente diversidade e pelas contradições da globalização. A reflexão analisou os desafios e oportunidades da convivência entre imigrantes, expatriados e portugueses e procurou-se responder a "Como viver juntos em Lisboa?", expondo, ainda, as tensões culturais e sociais que se verificam na cidade.

Ilustração 1: Pessoa não identificada, Kasia Szczesniak, Professora Doutora Vanda Sofia Braz Ramalho, Priscila Valadão, Vítor Belanciano, Paulo Pascoal e Dr.ª Filipa Oliveira. (© Anónimo, 2025)
A sessão de abertura coube à diretora do MNAC, Filipa Oliveira, e o evento, moderado pelo jornalista, cronista e investigador Vítor Belanciano, contou, para além da investigadora da Universidade Lusíada, com a participação da polaca Kasia Szczesniak, fundadora da rede Lisbon Business Leaders, do artista multidisciplinar Paulo Pascoal, do promotor cultural e social José "Sinho" Baessa de Pina, da associação "Cavaleiros de São Brás", e da ativista brasileira Priscila Valadão, da associação "Vida Justa".
"Abordaram-se experiências pessoais e perspetivas complementares, revelando uma Lisboa em ebulição, onde o convívio entre culturas se confronta diariamente com as desigualdades. Falou-se da especulação imobiliária que expulsa moradores dos bairros, da gentrificação que redefine o tecido urbano, do turismo que pressiona serviços e espaços públicos, do aumento do custo de vida em contraste com salários estagnados e dos entraves burocráticos que se somam a episódios de xenofobia. Os participantes sublinharam que estas dificuldades não atingem apenas comunidades brasileiras, indo-asiáticas e racializadas, mas, também, portugueses e expatriados, mostrando que as fronteiras da exclusão são mais difusas e próximas do que muitos imaginam." (Fonte: Bantumen)
A investigadora e professora Vanda Ramalho sublinhou a importância da educação como motor de mobilidade social, reconhecendo, no entanto, que as desigualdades cada vez mais enraizadas colocam limites concretos à promessa de ascensão. A docente é responsável, na Universidade Lusíada (Lisboa) pelas unidades curriculares de "Globalização e desigualdades", do 1.º ano da licenciatura em Serviço Social, e de "Problemas de bem-estar social: desigualdades e exclusão social", do 1.º ano do mestrado em Serviço Social, e tem desenvolvido investigação na área da exclusão social e formas de combate, com destaque para a sua tese de doutoramento (2021) – "Craques de bola, mandinga e piruetas: experiência sociodesportiva e identidades juvenis no Bairro Padre Cruz", na qual analisou a importância da experiência sociodesportiva na construção de identidades, culturas e espaços informais de capacitação juvenis, em contextos de vulnerabilidade social.

Ilustração 2: Pormenor do debate. (© Anónimo, 2025)
A iniciativa destacou-se pela relevância social e cultural do tema, sublinhando a importância do diálogo como instrumento de inclusão, reconhecimento da diversidade e construção de comunidades mais justas e coesas. Estes debates demonstram a necessidade de criar espaços de encontro e diálogo entre as diferentes partes da comunidade, capazes de gerar oportunidades de participação e contribuir para uma coabitação mais harmoniosa e feliz. Foi, assim, uma oportunidade para, através das vozes e perspetivas de residentes locais e de recém-chegados, criar "um espaço de escuta, diálogo e partilha, onde a convivência é entendida não apenas como coexistência, mas como possibilidade de construção de comunidade." (Fonte: Bantumen)
O debate no MNAC foi o primeiro de um ciclo de encontros promovidos pelo Diaspora Salon Lisboa, plataforma que aposta no diálogo, na reflexão e na criação coletiva em torno da migração, da identidade e da diversidade cultural. Os próximos encontros deverão contar com especialistas em habitação e urbanismo, dando continuidade a uma discussão que pretende ser estruturante para o futuro de Lisboa.
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Ilustração do banner (da esquerda para a direita): Professora Doutora Vanda Sofia Braz Ramalho. (© Fundação Minerva • Jorge Lopes Carvalho, 2024)
