Radio France Internationale convida Professor Vítor Ramon Fernandes para analisar a situação no Médio Oriente.
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Ilustração: Logotipo da Radio France Internationale. (© RFI, 2013)
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O Professor Doutor Vítor Ramon Fernandes, docente da Faculdade de Direito da Universidade Lusíada (Lisboa), investigador do Centro de Estudos Jurídicos, Económicos, Internacionais e Ambientais (CEJEIA) da mesma instituição e professor adjunto do instituto de Estudos Políticos Sciences Po Aix (Aix-en-Provence, França), foi o convidado da rubrica "Convidado" do podcast da jornalista Neidy Ribeiro, no dia 22 de janeiro de 2025, da Radio France Internationale (RFI), na qual analisou a situação no Médio Oriente, nomeadamente a operação israelita na Cisjordânia, num momento em que o cessar-fogo na Faixa de Gaza está a decorrer.
Após 15 meses de conflito, o cessar-fogo entre Israel e o Hamas iniciou-se a 19 de janeiro de 2025, trazendo esperança a uma região devastada pela guerra, ensombrada, agora, pela operação lançada por Israel na Cisjordânia, dois dias depois do início das tréguas, tendo o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, anunciado o início de uma "operação militar em larga escala", antiterrorista, contra o "eixo iraniano", que teve como alvo o campo de refugiados na cidade de Jenin, que resultou em vários mortos e feridos.
O Professor Vítor Ramon Fernandes salientou que o cessar-fogo é em Gaza, não na Cisjordânia, e considera que, devido à fragilidade das tréguas, "[…] Israel mantém pressão, para tirar partido da posição de força em que está, para as negociações que vão ser extremamente difíceis […]". A política interna de Israel, e em concreto, a manutenção de Netanyahu no poder é, igualmente, um aspeto importante porque "[…] muito do que vai acontecer, relativamente à primeira fase do acordo de cessar-fogo, vai depender da política interna de Israel […]", destacando a recente demissão de três ministros da extrema-direita.
A questão da Cisjordânia tem de ser acautelada porque "[…] não se pode pensar em paz na região, sem haver um tratamento adequado – para além de Gaza […]. Aquilo que têm sido os colonatos israelitas e a situação em que está a Cisjordânia tem de se enquadrar para pôr termo a isto, se é que é possível. É urgente uma discussão séria sobre as questões relacionadas com a autonomia palestiniana." O especialista em relações internacionais não é defensor nem crente numa solução de dois Estados, algo defendido por grande parte da comunidade internacional (incluindo a União Europeia), porque "[…] Israel, enfim, não tem muita vontade nisto […]". Mas a verdade é que "[…] tem que haver alguma solução séria e que seja aceite por ambas as partes. A autonomia é uma parte que não pode ser deixada de lado em qualquer acordo de paz e em qualquer cessar-fogo, para que seja durável ou tenha a possibilidade de ser durável."
A operação militar na Cisjordânia pode colocar em causa o cessar-fogo em Gaza, que "[…] já está muito frágil […]. A primeira fase do acordo de cessar-fogo tem uma parte muito importante que tem a ver com a retirada das tropas de Israel de Gaza. Este vai ser um elemento fundamental. Porque, de facto, neste momento, temos um Hamas enfraquecido, mas que não está acabado. O Hamas vai aprovisionar-se e a retirada de tropas israelitas pode, de alguma forma, facilitar isto, em particular na parte sul de Gaza." Lembrou que "[…] o Hamas é mais do que um grupo militar. É uma ideia, um movimento que tem o apoio, como nós sabemos, da Irmandade Muçulmana. Está aqui uma tensão e um conflito que perdurará certamente."
O Professor Vítor Ramon Fernandes destacou, ainda, a questão da libertação dos reféns. No primeiro dia do cessar-fogo, 3 mulheres foram libertas pelo Hamas, prevendo o acordo a libertação de outros 30 reféns nas próximas semanas. No ataque do Hamas, em outubro de 2023, foram feitas prisioneiras cerca de 250 pessoas e, segundo o governo israelita, cerca de uma centena de reféns já foram libertos, resgatados ou os corpos recuperados; 94 permanecem em parte incerta, e destes, apenas 60 deverão estar vivos. No sábado, dia 25 de janeiro, houve uma segunda troca de prisioneiros e o docente chamou a atenção para o facto de "[…] nas imagens divulgadas vimos os reféns israelitas, mas não vimos o estado de saúde em que estão os prisioneiros que estavam nas mãos de Israel [considerando que] tivemos uma aposta nas imagens dos reféns israelitas […]. A libertação de prisioneiros palestinianos, que são numa proporção muito maior, leva menos atenção. São pessoas que estão lá, alguns deles há anos […]. E não esqueçamos que muitos desses prisioneiros não são só supostamente combatentes. Muitos deles são mulheres e, às vezes, crianças ou jovens."
A Radio France Internationale é uma estação de rádio pública francesa, de notícias e atualidades, da France Médias Monde, grupo responsável pela transmissão internacional francesa, que compreende o canal de notícias France 24 (em francês, inglês, árabe e espanhol), a estação de rádio internacional RFI (em francês e 16 outros idiomas) e a estação de rádio em língua árabe Monte Carlo Doualiya. A France Médias Monde transmite para o mundo em 21 idiomas.
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Ilustração do banner: Professor Doutor Vítor Ramon Fernandes. (Fundação Minerva • Arquivo da Universidade Lusíada • Jorge Lopes Carvalho, 2021)
