Arquiteto Ricardo Santos revisita o processo SAAL, em aula aberta com os estudantes de Arquitetura da Lusíada.
No dia 4 de abril de 2024, o Doutor Arqt. Ricardo Santos esteve presente na Universidade Lusíada (Lisboa) para uma aula aberta intitulada "Bairros SAAL Lisboa: revolução urbana, poder popular e participação", destinada aos estudantes da unidade curricular de "Projeto II", do 4.º ano da licenciatura em Arquitetura (mestrado integrado) da Faculdade de Arquitetura e Artes (FAA), organizada pela Professora Doutora Arqt.ª Helena Cristina Caeiro Botelho, coordenadora da área científica da unidade curricular e diretora da FAA, e pela Professora Doutora Arqt.ª Ana Isabel Arez de Magalhães, docente da referida unidade curricular.
O Arqt. Ricardo Santos veio falar com os estudantes sobre o projeto SAAL - Serviço de Apoio Ambulatório Local - criado em 1974, numa altura em que prepara o lançamento de mais um livro sobre este assunto, que será publicado pelas Edições Tinta da China, intitulado "Cidade participada: arquitetura e democracia: Lisboa". Nesta iniciativa que pretendia responder à crise da habitação que Portugal vivia há largos anos, equipas de arquitetos, engenheiros, desenhadores, assistentes sociais, sociólogos, juristas e estudantes de arquitetura, denominadas brigadas, com o apoio da população local, procuraram arranjar soluções arquitetónicas para a população mal alojada (barracas, bairros de lata ou casas degradadas). O SAAL abrangeu três grandes zonas geográficas - Norte, Lisboa, Centro-Sul e Algarve - e resultou na construção de vários bairros, os denominados Bairros SAAL.

Ilustração 1 (da esquerda para a direita): Professora Doutora Arqt.ª Ana Isabel Arez de Magalhães e Doutor Arqt. Ricardo Santos. (© Fundação Minerva • Jorge Lopes Carvalho, 2024)
Durante dois anos, na cidade de Lisboa, segundo o autor, "[...] o empenho foi partilhado entre os moradores organizados dos bairros de barracas, os técnicos das equipas de apoio local e os novos dirigentes da Câmara Municipal de Lisboa. [...] Nesta experiência de cidade participada [pela população mal alojada e as brigadas], nova e democrática, foram anos em que se ocuparam terrenos, em que se formaram cooperativas e em que se planificaram novos bairros e desenhos de habitações, com projetos tão emblemáticos como os do Alto dos Moinhos, Casal Ventoso ou Quinta Grande" (fonte: Tinta da China).

Ilustração 2: Doutor Arqt. Ricardo Santos na aula aberta. (© Fundação Minerva • Jorge Lopes Carvalho, 2024)
Um dos grandes ensinamentos do processo SAAL foi a sinergia criada entre as equipas multidisciplinares e a população, que resultou numa participação ativa dos cidadãos na definição de medidas e de políticas habitacionais, fortemente apoiadas no espírito corporativo. Deste ensinamento da história da arquitetura de habitação em Portugal conclui-se que com organização e mobilização dos recursos humanos e financeiros, apoiado no saber fazer dos técnicos envolvidos, o caminho para o direito à habitação, preconizado pela Constituição da República Portuguesa, é exequível.
Desde 2007, o Doutor Arqt. Ricardo Santos tem construido um caminho de convergência entre investigação e prática profissional. Enquanto investigador, doutorado pela Faculdade de Arquitetura da Universidade do Porto, tem trabalhado no âmbito da história da arquitetura portuguesa e, mais recentemente, sobre os processos de participação e os movimentos sociais do pós-25 de Abril. A expressão dos seus projetos tem resultado de uma pesquisa em torno da identidade da arquitetura portuguesa e de um equilíbrio entre o desenho do lugar, a construção de um modo de habitar e uma ideia de conforto (fonte: página web do arquiteto).
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Fotografia do banner: Doutor Arqt. Ricardo Santos. (© Fundação Minerva • Jorge Lopes Carvalho, 2024)

Ana Rita Ribeiro
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Ana Rita Ribeiro é bibliotecária nos Serviços de Informação, Documentação e Internet da Universidade Lusíada, desde 2008, e colabora, entre outras áreas, no tratamento e processamento da informação, na redação de notícias, no apoio ao utilizador e à aprendizagem.
É licenciada em Línguas e Literaturas Modernas e pós-graduada em Ciências Documentais (variante de bibliotecas).
Para além da sua atividade profissional, aposta em tempo de qualidade com a família, na leitura e é entusiasta do exercício físico, corrida e trail running.
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