Aula aberta sobre os desafios da investigação inclusiva com pessoas com demência, na Lusíada, com a Mestre Maria Rosália Guerra.
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Ilustração: Mestre Maria Rosália Caeiro Alas Medinas Guerra. (© Maria Rosália Caeiro Alas Medinas Guerra)
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No dia 20 de março de 2024, realizou-se uma aula aberta sobre os "Desafios da investigação inclusiva com pessoas com demência: "recherche praticienne" e abordagem emic no cruzamento da gerontologia social e da sociologia", com a Professora Maria Rosália Caeiro Alas Medinas Guerra, gerontóloga, docente no Instituto Politécnico de Portalegre e doutoranda em Sociologia na Universidade de Évora, organizada pelo Professor Doutor Michel Gustave Joseph Binet, que decorreu no âmbito da unidade curricular de "Metodologias de investigação avançada em Serviço Social", do 1.º ano do mestrado em Serviço Social da Universidade Lusíada (Lisboa).
Esta aula aberta incidiu sobre o valor acrescentado da autoetnografia profissional (ou recherche praticienne) em investigações sensíveis, junto de pessoas com demência, pessoas em situação de grande fragilidade que sofrem de uma doença cognitivamente degenerativa e crónica. Na maioria das vezes, tais investigações ficam fora do alcance de investigações mais clássicas, em que o investigador é um “estranho”, um “desconhecido” ou, até, um “intruso”, do ponto de vista dos sujeitos inquiridos. Ao utilizar a recherche praticienne, o investigador desenvolve a pesquisa no quadro de relações já construídas, no âmbito do exercício da sua profissão. Relações de interconhecimento pessoal e de confiança mútua, construídas previamente no decurso de um acompanhamento gerontológico, possibilitam o estabelecimento de novas relações, para fins de investigação.
A convidada partilhou com os estudantes a sua experiência durante as visitas domiciliárias realizadas no quadro do acompanhamento e do apoio prestados às pessoas que acompanha nas suas investigações. Através desta metodologia, a investigadora desenvolveu uma etnografia ao/no/do domicílio, atenta e respeitosa, com sensibilidade microética, às variações do estado de disponibilidade de cada pessoa acompanhada e estudada. A título de exemplo, referiu como o anoitecer altera com frequência a disponibilidade das pessoas para prolongar a interação com a investigadora, sublinhando a importância, do ponto de vista da ética da relação a outrem, de prestar atenção aos detalhes que sinalizam estas alterações.
A investigadora concluiu a aula aberta referindo que, deste trabalho, ainda em curso, resultam análises que dão corpo a uma abordagem emic de pessoas com demência, compreendidas e respeitadas na sua singularidade, de grande relevância, do duplo ponto de vista da investigação, sociológica e gerontológica, e da intervenção social.
Este tipo de evento tem-se revelado determinante na formação dos estudantes, uma vez que os põe em contacto direto com especialistas e outros investigadores, proporcionando-lhes um trabalho focalizado em aspetos concretos, nas perspetivas teórica e prática, facilitando a compreensão dos problemas sociais e permitindo a reflexão ético-política e ficando a conhecer novas abordagens de investigação.
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Nota 1: notícia elaborada com o apoio do Professor Doutor Michel Gustave Joseph Binet.
Nota 2: imagem do banner: promenor do cartaz do evento. (© Danie Franco, unsplash, 2016)

Ana Rita Ribeiro
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Ana Rita Ribeiro é bibliotecária nos Serviços de Informação, Documentação e Internet da Universidade Lusíada, desde 2008, e colabora, entre outras áreas, no tratamento e processamento da informação, na redação de notícias, no apoio ao utilizador e à aprendizagem.
É licenciada em Línguas e Literaturas Modernas e pós-graduada em Ciências Documentais (variante de bibliotecas).
Para além da sua atividade profissional, aposta em tempo de qualidade com a família, na leitura e é entusiasta do exercício físico, corrida e trail running.
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