CITAD organiza conferência internacional sobre "Ambiente construído sustentável e circular".
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Ilustração 1: Logótipo da 1.ª conferência internacional "Ambiente construído sustentável e circular". (© Fundação Minerva, 2025)
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Teve lugar na Universidade Lusíada (Lisboa), nos dias 22 e 23 de maio de 2025, a 1.ª conferência internacional sobre "Ambiente construído sustentável e circular" (Circular and Sustainable Built Environment), uma iniciativa do Centro de Investigação em Território, Arquitetura e Design (CITAD), organizada pelo seu diretor Professor Doutor Arqt. Alberto Cruz Reaes Pinto e os bolseiros, o Mestre Eng. Carlos Alberto de Oliveira Augusto e a Mestre Arqt.ª Marlene Canudo Urbano. O programa contou com a participação de numerosos especialistas, portugueses e estrangeiros, nas diversas temáticas abordadas relacionadas com a construção, a economia circular e a sustentabilidade.
O encontro partiu da urgência de conciliar uma crise habitacional, com especial relevância no plano interno, com os desafios atuais que se colocam ao setor da construção, tais como a descarbonização, a escassez e volatilidade das matérias-primas, a poluição e os resíduos associados à atividade. "As questões relacionadas com o ambiente construído ao nível micro (materiais), mezzo (edifícios) e macro (cidades) são um dos grandes problemas a que as sociedades atuais terão de responder, pronta e eficazmente, alinhadas com os princípios da economia circular e da sustentabilidade, dos quais a salubridade e a saúde são partes integrantes." (fonte: conferência)
As boas-vindas aos participantes neste evento, multidisciplinar e em formato híbrido, foram dadas pelo Professor Doutor José Artur Anes Duarte Nogueira, Vice-Reitor da Universidade Lusíada, e pela comissão organizadora, liderada pelo Professor Alberto Reaes Pinto. O diretor do CITAD sublinhou a relevância desta conferência, numa época de mudança, "[…] com origem nos grandes problemas para os quais a humanidade tem de encontrar respostas urgentes, [sendo o maior] o das alterações climáticas, resultantes de um crescimento económico insustentável com base no carbono [e, ainda], o consumo sem critério dos nossos recursos naturais finitos no planeta, a produção excessiva de resíduos, e o aumento da poluição mundial [...] a par da tendência para a concentração nas grandes cidades, saturadas e poluídas". O Professor Alberto Reaes Pinto defendeu que "as universidades e os seus centros de investigação podem ter uma ação muito significativa, trabalhando em conjunto com a sociedade, com empresas, indústrias e autarquias, no sentido de contribuírem, ao nível do ambiente construído com soluções criativas, inovadoras e sustentáveis, não só para a contenção do aquecimento global […], mas, também, para a solução dos problemas locais". Referiu que "as mudanças afetam a sociedade e particularmente, a arquitetura, […] parecendo certo que os modelos que temos adotados até aqui estão esgotados. É preciso encontrar novos modelos de gestão de habitação, de reabilitação e de regeneração das cidades, com soluções que resolvam, entre outros, os problemas de energia e mobilidade, da gestão de resíduos, da sustentabilidade do ambiente construído, do emprego, da segurança e da melhoria do bem-estar das pessoas."

Ilustração 2 (da esquerda para a direita): Mestre Eng. Carlos Alberto de Oliveira Augusto, Professor Doutor Arqt. Alberto Cruz Reaes Pinto, Professor Doutor José Artur Anes Duarte Nogueira e a Mestre Arqt.ª Marlene Canudo Urbano.(© Fundação Minerva • Joaquim Matos Ferreira, 2025)
A conferência teve dois keynotes speakers: o Professor Doutor Arqt. Miguel Amado, do Instituto Superior Técnico - IST (Universidade de Lisboa), que fez a sua palestra no primeiro dia, na abertura das sessões, abordando "Planear a Cidade Sustentável: descarbonizar a cidade atual para construir a cidade sustentável do futuro" e o Arquiteto Alan Organschi, diretor do Building Lab (School of Architecture) da Yale University, a terceira mais antiga instituição de ensino superior dos Estados Unidos da América, que falou sobre design regenerativo: "Building a planetary solution: regenerative design and construction for the future of human settlement".
A apresentação do docente do IST trouxe à assistência uma reflexão sobre o que será 'a cidade sustentável do futuro', defendendo que "[…] precisamos de nos focar na maneira de tentar voltar a tecnologias mais simples, tecnologias que não dependam tanto das emissões de carbono para resolver os nossos problemas e as nossas necessidades atuais." Existem muitos problemas relacionados com as alterações climáticas, "[…] e um deles depende de nós: a questão de como utilizamos o ambiente natural que existe e que, para as nossas atividades humanas, necessitamos de o transformar, de o utilizar, mas nunca o deixamos nas mesmas condições em que o recebemos." Salientou que "[…] o planeta cada vez é mais urbano e mais urbanizado. Está num crescendo, cada vez temos menos terrenos naturais", e daí a urgência em "[…] abordar as questões de maneira diferente, com preocupações futuras. […] E o que vamos querer no futuro é, tendo por base os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas, criar um percurso mais sustentável, duradouro […], coisas que se vão perpetuar, dão-nos tempo para utilizar, compreender e pensar sobre isso."

Ilustração 3 (da esquerda para a direita): Professor Doutor Arqt. Miguel Amado e Arquiteto Alan Organschi na 1.ª conferência internacional sobre "Ambiente construído sustentável e circular". (© Fundação Minerva • Joaquim Matos Ferreira, 2025)
O Arquiteto Alan Organschi especializou-se em design e construção regenerativa — uma abordagem que procura transformar o setor da construção, passando de um agente de degradação ambiental para um motor de regeneração ecológica e social. Diferente do design sustentável tradicional, que visa minimizar impactos negativos, o design regenerativo propõe que edifícios e cidades possam restaurar ecossistemas, capturar carbono, promover biodiversidade e fortalecer comunidades locais. O palestrante defende o uso de materiais biogénicos, como a 'mass timber' – madeira processada industrialmente a fim de otimizar o seu desempenho para uso na construção civil –, a fim de transformar os edifícios em reservatórios de carbono, em vez de fonte de emissões, o que pode, na sua perspetiva, tornar o setor da construção parte da solução climática. Reiterou que urge reformular as cidades emergentes — a maneira como as construímos, organizamos, distribuímos os serviços e as habitamos: "is a call for radical transformation. It challenges all those with a role in the conception, production, operation, and governance of the building sector to address the systemic ecological, climatic, and social impacts incurred by its activities. [...] The production and operation of buildings must benefit not only the human species they house but all other living organisms, as well as the diverse biomes that they call home." Para o arquiteto Alan Organschi, as cidades não devem apenas reduzir o seu impacto ambiental, mas funcionar como sistemas vivos, capazes de regenerar os recursos que consomem — água, solo, biodiversidade, energia. A sua visão é a de um futuro onde edifícios e cidades não apenas coexistam com a natureza, mas contribuam ativamente para a regenerar, melhorando, ao mesmo tempo, a qualidade de vida das pessoas.
Nos dois dias de trabalhos, as várias sessões distribuíram-se pelos seguintes temas:
- Materiais e tecnologias de aplicação para a construção circular;
- Construção & Reabilitação 4.0;
- Cidades sustentáveis e o Novo Bauhaus Europeu (NBE);
- Sustentabilidade e Building Information Modelling (BIM);
- Prefabricação e construção modular de edifícios de habitação;
- Eficiência energética em edifícios e a nova diretiva europeia (EPBD);
- Ambiente construído e saúde humana.

Ilustração 4: Pormenor de várias apresentações. (© Fundação Minerva • Joaquim Matos Ferreira, 2025)
A temática da sustentabilidade e da circularidade no ambiente construído teve, nesta conferência, uma abordagem multidisciplinar, envolvendo áreas como arquitetura, engenharia, urbanismo, design, ciências ambientais e políticas públicas. Este evento permitiu, assim, articular diferentes saberes e promover o intercâmbio entre investigadores, profissionais e estudantes, criando oportunidades para a inovação e a cocriação de soluções integradas e viáveis. Defendendo que as universidades têm um papel crucial na formação de cidadãos ativos, críticos e conscientes dos desafios contemporâneos, a Universidade Lusíada, ao promover uma conferência dedicada ao ambiente construído sustentável e circular, demonstra um compromisso ativo para com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), nomeadamente com os ODS 11 (Cidades e Comunidades Sustentáveis), 12 (Consumo e Produção Responsáveis) e 13 (Ação Climática). A academia assume, assim, uma posição de liderança ética e social na promoção da transição ecológica.
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Fotografia do banner: Professor Doutor Arq. Alan Organschi durante a sua intervenção na conferência. (© Fundação Minerva • Joaquim Matos Ferreira, 2025)
