Delfim Sardo em conversa com Os Espacialistas, no "Círculo de Leitores de Imagens".
O coletivo artístico "Os Espacialistas", com o apoio da Direção-Geral de Ensino Superior (DGES) e da Faculdade de Arquitetura e Artes (FAA) da Universidade Lusíada (Lisboa), recebeu, nas instalações desta instituição, no dia 13 de maio de 2024, no âmbito do projeto "Círculo de Leitores de Imagens", o Professor Doutor Delfim Sardo, que se divide entre a curadoria, o ensino e a escrita, como crítico de arte, programador de artes visuais na Culturgest, professor na Faculdade de Belas Artes na Universidade de Lisboa, e vogal do Conselho de Administração da Fundação Centro Cultural de Belém, experiência profissional que foi uma mais-valia para esta conversa.
Coube à Professora Doutora Arqt.ª Helena Botelho, diretora da Faculdade de Arquitetura e Artes (FAA) da Universidade Lusíada (Lisboa) e investigadora do Centro de Investigação em Território, Arquitetura e Design (CITAD), uma apresentação breve do convidado, tendo o Arqt. Diogo Paulo Conduto de Castro Guimarães destacado alguns pontos da sua carreira profissional que se multiplica por várias áreas, "[...] com um curriculum difícil de resumir [...]". Foi, igualmente, referida pelo Arqt. Luís Maria Rodrigues Baptista a ligação antiga (desde 2011) que existe entre Delfim Sardo e Os Espacialistas, salientando a influência que aquele teve no amadurecimento do projeto e o ter ajudado a perceber e a estabelecer "[...] uma relação entre as imagens, os espaços e a ideia de projetar imaginariamente a partir da fotografia e do desenho [...]".

Ilustração 1 (em destaque): Professor Doutor Delfim Sardo. (© Fundação Minerva • Jorge Lopes Carvalho, 2024)
A conversa discorreu sobre o quadrado negro, "[…] elemento simples e estável […]", a corrente suprematista (um movimento artístico russo, centrado em formas geométricas básicas — particularmente o quadrado e o círculo — e tido como a primeira escola sistemática de pintura abstrata do movimento moderno) e a pintura monocromática, com o foco em Kazimir Malevich, artista russo do início do século XX, sendo o monocronismo negro "[…] uma das figuras mais recorrentes da arte moderna […], ligado à história das vanguardas russas […]". Malevich criou (entre 1913 e 1915), várias repetições autorais do "Quadrado Negro", existindo atualmente quatro variantes que diferem em padrão, textura e cor e foi originalmente concebido como parte do projeto de uma cortina de palco para a ópera futurista "Vitória sobre o sol". O orador referiu, também, o Manifesto de Malevich (1915), que considera ser "muito puritano" e onde se afirma que "[…] a pintura deve recusar toda a intuição e toda a sensualidade […] porque é preciso que saia da arte que tinha sucumbido à pornografia […]". Para o pintor, o que lhe interessa é a materialidade da cor: "[…] a cor é tinta [e Malevich] estabelece um género pictórico, uma tipologia da pintura [e] a pintura transforma-se numa entidade autónoma que se gere a si própria num mundo material […]".

Ilustração 2: Professor Doutor Delfim Sardo. (© Fundação Minerva • Jorge Lopes Carvalho, 2024)
O Professor Delfim Sardo chamou, ainda, a atenção para "[...] o que podemos ver numa pintura deriva não só da pintura, mas também da sua colocação no espaço [e este] transforma-se numa componente significante da própria obra de arte […]", o que é, para ele, uma contradição: "[…] por um lado, Malevich tenta uma autonomia da obra de arte em relação à sua figuração do mundo, por outro, vincula-a ao mundo pela sua ligação arquitetónica […]".
Abordou-se especialmente a relação entre as palavras e as imagens, uma temática sempre presente nestas conversas do Círculo de Imagens, e "[…] a luta que é jogar palavras com imagens, para as fazer conversar [considerando o orador que] arte não é linguagem, embora muitas vezes a use [e] arte e linguagem articulam-se e têm uma relação […]". O convidado falou, ainda, do "[…] campo comum entre a arte e a arquitetura […]: o inconsciente coletivo da arte e da arquitetura [e defendeu que] toda a prática artística é relacional [e] a relação entre a arte e a cultura estabelece-se no plano da partilha do sensível […]".

Ilustração 3: Professor Doutor Delfim Sardo. (© Fundação Minerva • Jorge Lopes Carvalho, 2024)
O convidado, doutorado em Arte Contemporânea pela Universidade de Coimbra, escreve regularmente sobre Teoria da Arte e é autor de vários livros, destacando-se a sua participação numa obra recente (julho de 2023) "Part Book — Um guia compreensivo para a arte contemporânea em Portugal", editado no âmbito do Parte — Portugal Art Encounters (programa que apoia a internacionalização do sistema da Arte Contemporânea em Portugal). Este livro funciona como um guia para o Turismo de Arte em Portugal e convida à (re)descoberta do país através dos museus, galerias, espaços independentes e eventos com programação de arte contemporânea, oferecendo um conjunto de reflexões inéditas por autores convidados sobre a produção artística atual.

Ilustração 4: Professor Doutor Delfim Sardo. (© Fundação Minerva • Jorge Lopes Carvalho, 2024)
O coletivo "Os Espacialistas", formado em 2008, desenvolve um projeto de investigação que entrelaça Arte, Arquitetura e Educação, abraçando uma visão utópica e alternativa da arquitetura mediante instalações efémeras, design gráfico, maquetas, vídeo e fotografia.
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Fotografia do banner: Professor Doutor Delfim Sardo. (© Fundação Minerva • Jorge Lopes Carvalho, 2024)
