Dia da Gerontologia na Lusíada debate contextos seguros para o envelhecimento.
Numa organização conjunta de várias unidades orgânicas da Universidade Lusíada (Lisboa) - do Instituto de Psicologia e Ciências da Educação, do Instituto Superior de Serviço Social de Lisboa e do Centro Lusíada de Investigação em Serviço Social e Intervenção Social (CLISSIS) -, realizou-se, a 14 de dezembro de 2023, o Dia da Gerontologia na Lusíada, um evento com tradição nas comunidades académica e científica, centrado, este ano, na segurança, "[...] considerando-a um valor fundamental com impacto no desenvolvimento psicológico e social do processo de envelhecer" (fonte: página web do evento).
A segurança da população idosa, temática central deste Dia da Gerontologia na Lusíada, é considerada pela Organização Mundial de Saúde (OMS, "[…] um dos pilares do envelhecimento ativo e saudável, sendo essencial para a manutenção da capacidade intrínseca e funcional das pessoas idosas […]" (fonte: Estratégia Nacional para o Envelhecimento Ativo e Saudável) e, por exemplo, os ambientes físicos são de extrema importância, viabilizando a capacidade funcional do idoso e prevenindo quedas, entre outros riscos.
A iniciativa que contou com a coordenação da Professora Doutora Teresa Rodrigues da Silva, diretora do Instituto Superior de Serviço Social de Lisboa e Investigadora do CLISSIS, da Professora Doutora Túlia Cabrita, diretora do Instituto de Psicologia e Ciências da Educação e igualmente investigadora do mesmo centro de investigação, e do Professor Doutor Duarte Vilar, diretor do CLISSIS, e responsáveis, também, pela sessão de abertura do evento, onde destacaram a abordagem multidisciplinar da temática.

Ilustração 1: Professor Doutor Manuel Domingos (© Fundação Minerva • Jorge Lopes Carvalho, 2023) • Ilustração 2: Professora Doutora Isabel Sousa (© Fundação Minerva • Jorge Lopes Carvalho, 2023)
A conferência de abertura "Envelhecimento e segurança: práticas e estratégias multidimensionais" foi proferida pela Professora Doutora Tânia Gaspar, Vice-Presidente da Associação Portuguesa de Psicogerontologia, e moderada pela Professora Doutora Maria Isabel de Jesus Sousa, docente da Universidade Lusíada e investigadora do CLISSIS. A palestrante abordou diversos aspetos, salientando-se os mitos e preconceitos associados à condição do idoso e, ainda, as várias seguranças que é necessário assegurar para um envelhecimento ativo: a segurança física, a segurança psicológica, a segurança cognitiva e a segurança social.
O painel "Cuidar em Segurança" foi moderado pelo Professor Doutor Manuel Domingos, docente no Instituto de Psicologia e Ciências da Educação e investigador do CLISSIS, que aconselhou a leitura do livro "De senectute", de Marco Túlio Cícero, escrito em 44 a.C., mas que permanece uma obra fundamental para se pensar, no mundo contemporâneo, as condições daquela que considera "a melhor idade". A obra é uma reflexão sobre "os conceitos de velhice conveniente e inconveniente", considerando que "a velhice digna é uma construção que exige muito esforço" e, na conceção estoica de Cícero, a velhice deve ser aceite por todos, pois é uma determinação da natureza (fonte: "De senectute").
O painel teve a participação de representantes de várias instituições que prestam apoio e cuidados geriátricos, como a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, com a Dr.ª Anabela Fialho, Diretora da Residência de Idosos de São João de Deus, Aldeia de Santa Isabel, e a Dr.ª Maria Rita Turras, Diretora do Núcleo de Gestão de Produtos de Apoio, que referiram, respetivamente, o apoio e a gestão de residências de idosos por parte da Instituição, e os fatores de risco em ambiente doméstico e produtos de apoio. Aqui, foi salientado que mais de 65% dos acidentes com pessoas idosas ocorre no espaço doméstico.
A Escola Superior de Saúde do Alcoitão, representada pela Professora Doutora Patrícia Paquete, que analisou a importância da terapia ocupacional e o problema da demência, algo que também foi abordado pela Dr.ª Maria Rosa de Nóbrega e Fernandes, do Gabinete de Aconselhamento Psicológico e Promoção de Saúde (GAPPS), com o projeto Aventura Social, o programa de estimulação cognitiva, GinasticaMente e o InterAjuda, projeto BIP/ZIP que tem como população-alvo os idosos e os cuidadores formais e informais.
A bolseira do Instituto de Psicologia e Ciências da Educação, doutoranda em Psicologia Aplicada: Saúde e Bem-Estar, a Mestre Rita Gaspar, focou a sua apresentação no cuidador informal e estratégias para quem cuida, que possam assegurar um ambiente seguro para a pessoa cuidada.
Os trabalhos encerraram com uma intervenção da Professora Doutora Carla Marina Cunha Ribeirinho, docente do Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas e investigadora do Centro de Administração e Políticas Públicas, da Universidade de Lisboa, que fez uma "desmontagem" da palavra Segurança, relacionando-a com aspetos e questões do apoio geriátrico:
- S - de segurança e de saúde;
- E - de envolvência e de espaços;
- G - de garantia de direitos humanos, porque "[...] a pessoa tem de estar no centro daquilo que é a nossa intervenção [...]";
- U - de utopia realista, porque "[...] temos de trabalhar sempre com a esperança de melhorar [...]";
- R - de resiliência, porque a geriatria é "[...] a área da Cinderela do Serviço Social [...]" porque o trabalho é permanente;
- A - de avaliação e de aprendizagem, esta ao longo da vida;
- N - de novas políticas e de novas respostas;
- Ç - letra inserida nas palavras Formação e Capacitação, porque profissionais com formação e capazes são essenciais;
- A - de autonomia e de autodeterminação, porque se deve respeitar a vontade, a escolha da pessoa idosa, "[...] que tem direito a ser, a existir como pessoa com autodeterminação [...]", mas sobretudo A de Amor, definido pela palestrante, neste contexto, como "a forma como nos entregamos por inteiro naquilo que fazemos".

Ilustração 3: Professora Doutora Tânia Gaspar. (© Fundação Minerva • Jorge Lopes Carvalho, 2023) • Ilustração 4: Professora Doutora Carla Marina Cunha Ribeirinho. (© Fundação Minerva • Jorge Lopes Carvalho, 2023)
O aumento da longevidade e da população idosa, registado nas últimas décadas na Europa, tem levado a profundas transformações nas sociedades. Em 2022, Portugal era o 4.º país da União Europeia com maior percentagem de pessoas idosas (fonte: Eurostat), ultrapassado apenas pela Grécia, Alemanha e Itália. Em 2021, as pessoas com 65 ou mais anos representavam 20,6% de toda a população residente em Portugal e, nesse mesmo ano, a esperança média de vida, nos homens, era de 78,1 anos e de 83,5 para as mulheres e o índice de envelhecimento passou de 27,3% em 1960 para 182,1% em 2021 (fonte: PORDATA).
Esta situação exerce um forte impacto na sociedade e exige adaptações e respostas a vários níveis, procurando-se promover um envelhecimento ativo, definido pela OMS, como "[...] o processo de otimização das oportunidades para a saúde, participação e segurança, para a melhoria da qualidade de vida à medida que as pessoas envelhecem" (WHO - Active Ageing, A Policy Framework. A contribution of the WHO to the Second United Nations World Assembly on Ageing, Madrid, Spain, April, 2002). Considerando que este conceito "[…] dependerá muito do empenho de cada um, enquanto agente da sua própria saúde, participação e segurança, e da sociedade como um todo, de forma a que sejam garantidas as oportunidades para tal, à medida que as pessoas envelhecem" (fonte: Estratégia Nacional para o Envelhecimento Ativo e Saudável).
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Fotografia do banner (da esquerda para a direita): Professora Doutora Túlia Cabrita, Professor Doutor Duarte Vilar e Professora Doutora Teresa Rodrigues da Silva durante a sessão de abertura do evento. (© Anónimo, 2023)

Este trabalho é financiado por fundos nacionais através da FCT – Fundação para a Ciência e a Tecnologia, I.P., no âmbito do projeto «UIDB/04624/2020».