Direito, Serviço Social e Arquitetura da Universidade Lusíada concedem título Doutor "Honoris Causa" a personalidades portuguesas e espanholas.
No dia 26 de junho de 2026, a Universidade Lusíada realizou, no campus de Lisboa, a cerimónia de concessão do título Doutor Honoris Causa a três personalidades que, pelo seu percurso de vida e profissional, se distinguem nas atividades académica, científica, cultural e cívica. Três áreas do saber – Direito, Serviço Social e Arquitetura –, três exemplos inspiradores e de exceção foram destacados: Professor Doctor D. Alfonso Bullón de Mendoza y Gómez de Valugera, Dr.ª Maria Isabel Torres Baptista Parreira Jonet e Professor Doctor Arquitecto D. Alberto Campo Baeza, respetivamente.
Presidida pelo Reitor, Professor Doutor Afonso Filipe Pereira d'Oliveira Martins, e pelo Professor Dr. João José de Pires Duarte Redondo, Chanceler da Universidade Lusíada e Presidente da Fundação Minerva – Cultura – Ensino e Investigação Científica, a cerimónia das laudatio relevaram o papel de destaque dos agora Doutores, a nível académico e científico e, igualmente, no contributo que dão à sociedade civil.
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Ilustração 1: Momento da investidura do Professor Doctor D. Alfonso Bullón de Mendoza y Gómez de Valugera como Doutor Honoris Causa, em cerimónia presidida pelo Reitor da Universidade Lusíada, Professor Doutor Afonso d'Oliveira Martins. (© Fundação Minerva • Jorge Lopes Carvalho, 2026)
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O Professor Doctor Alfonso Bullón de Mendoza y Gómez de Valugera, historiador espanhol de grande projeção académica, especializado em história política da Espanha contemporânea, foi apadrinhado pelo Professor Doutor José Artur Anes Duarte Nogueira, Vice-Reitor da Universidade Lusíada, que sublinhou incidir a sua obra "em momentos do devir histórico nos quais se contrapunham alternativas suportadas em larga medida em quadros jurídicos distintos. Ao investigar historicamente o dilema absolutismo – liberalismo, nas vertentes militar e política, o ilustre Professor investigou, no fundo, problemas que podendo expressar-se de formas múltiplas, estão ligados a um lastro jurídico." A investidura do académico no grau Doutor Honoris Causa, na vertente de História do Direito, justifica-se "pelos méritos inerentes à obra historiográfica de Afonso Bullón de Mendoza, pela relevância do seu conhecimento para a jurishistoriografia em geral, […] pela atenção dada à realidade politica e militar portuguesa na fase posterior à recuperação seiscentista da independência e na fase miguelista, pela profícua ligação à Academia Portuguesa de História, pelo relacionamento próximo que, através da Universidade CEU San Pablo de Madrid, sempre manteve com a instância reitoral da Universidade Lusíada e pela brilhante carreira académica e universitária que o orna." O homenageado agradeceu a concessão do título e ressalvou a ligação familiar a Portugal, já com alguns séculos, e a relação dos seus estudos, específicos sobre história contemporânea espanhola, com a própria história portuguesa. Avançou que o século XX trouxe alterações ao relacionamento entre Portugal e Espanha, evidenciando-se um carácter mais académico, referindo uma conferência sobre as relações entre os dois povos, em fevereiro de 1916, do avô, catedrático de Geografia Política e Descritiva da Universidade de Madrid. Aqui, recorreu às palavras do seu antepassado que era de opinião que, apesar da unidade geográfica, Espanha e Portugal conhecem-se pouco, separando-nos algo pior que o ódio: a indiferença. O Professor Alfonso de Valugera lembrou, igualmente, o interesse do pai pelas relações entre os dois países ibéricos, e dele próprio, nas várias visitas que tem feito a Portugal, considerando ser importante desenvolver "uma espécie de inteligência política, cooperação económica e um íntimo contato intelectual". Especificou o interesse que tem pela Guerra Civil portuguesa, numa época conturbada da própria Europa, terminando com a afirmação que este título, que agora recebeu, o incentiva a retomar os estudos sobre Portugal.
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Ilustração 2: Momento da investidura da Dr.ª Maria Isabel Torres Baptista Parreira Jonet como Doutora Honoris Causa, em cerimónia presidida pelo Reitor da Universidade Lusíada, Professor Doutor Afonso d'Oliveira Martins. (© Fundação Minerva • Jorge Lopes Carvalho, 2026)
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O Professor Doutor João José da Silva Pissarra, docente do Instituto Superior de Serviço Social de Lisboa da Universidade Lusíada, apresentou a Dr.ª Maria Isabel Torres Baptista Parreira Jonet, "um exemplo vivo a seguir", atual Presidente da Federação Portuguesa dos Bancos Alimentares contra a Fome, do Banco Alimentar contra a Fome de Lisboa e da ENTRAJUDA. A distinção da Dr.ª Isabel Jonet revela-se pela sua "capacidade de transformar conhecimento em respostas concretas, eficazes e humanamente mobilizadoras, promovendo a emancipação coletiva em contextos de profunda emergência social." No périplo que fez pelo percurso de vida da homenageada, ressalvou que soube "convocar ciência, realismo, rigor e exigência de gestão para edificar novas formas de organização e apoio no combate à pobreza, revelando uma afinidade profunda com os valores que orientam a comunidade académica e com a missão pública que a Universidade assume perante o país." Aqui, destacou que, com esta distinção honorífica, a Universidade Lusíada "renova a sua fidelidade à tradição humanista que a enforma e reafirma a sua vocação de distinguir aqueles que, pelo seu exemplo, consolidam valores cívicos e éticos essenciais à coesão social e à vida coletiva." O Professor João Pissarra enfatizou, ainda, que "a missão última da Universidade consiste na produção de novos conhecimentos, na formação de cidadãos qualificados e na interação esclarecida com a comunidade, a fim de acompanhar, interpretar e orientar o progresso e a transformação da sociedade. Nesse desígnio maior, impõe‑se igualmente cultivar a reflexão crítica sobre os desafios sociais, ambientais, económicos e culturais que se colocam ao nosso tempo, convocando o pensamento para a compreensão do mundo e para a ação responsável." A Dr.ª Isabel Jonet afirmou-se honrada e lisonjeada com esta distinção académica (inesperada), referindo que honra sobretudo as instituições à qual está ligada. Para falar do seu projeto, de e para a vida, partiu das palavras de Ortega y Gasset (filósofo e ensaísta espanhol): "tive a sorte de ser eu", destacando a educação e os valores familiares que lhe foram incutidos, nomeadamente no que se refere ao voluntariado e ao aproveitamento dos recursos, sendo o "desperdício intolerável". Articulou a sua exposição centrada na intervenção junto da sociedade e na "determinação de fazer diferente" referindo aqui, especificamente, a criação do Banco Alimentar.
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Ilustração 3: Momento da investidura do Professor Doctor Arquitecto D. Alberto Campo Baeza como Doutor Honoris Causa, em cerimónia presidida pelo Reitor da Universidade Lusíada, Professor Doutor Afonso d'Oliveira Martins. (© Fundação Minerva • Jorge Lopes Carvalho, 2026)
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Arquitetura distinguiu o trabalho do Professor Doctor Arquitecto D. Alberto Campo Baeza, um dos arquitetos espanhóis mais reconhecidos internacionalmente, conhecido pela sua arquitetura minimalista, baseada na luz natural, na proporção, na gravidade e na construção de espaços de grande clareza conceptual. A laudatio foi feita pela Professora Doutora Arqt.ª Helena Cristina Caeiro Botelho, diretora da Faculdade de Arquitectura e Artes (FAA) da Universidade Lusíada (Lisboa), que afirmou, desde logo, não vir apenas apadrinhar um arquiteto: "venho apadrinhar uma forma de estar no mundo." A docente entende que "há arquitectos que constroem edifícios. E há os raros que constroem ideias. Alberto Campo Baeza pertence, sem hesitação, a esta segunda família. Toda a sua obra assenta numa convicção desarmante na sua simplicidade: a de que a arquitectura é, antes de tudo, ideia construída." Salientou que "quem conhece Alberto Campo Baeza sabe que ele é, talvez antes de mais, um Mestre, no sentido antigo e pleno da palavra. uma das vozes mais influentes na forma como hoje se pensa e se ensina a disciplina." A sua obra toca-nos, "pela cabeça e pelo coração", afirmando que "o maior presente que Alberto Campo Baeza pode deixar [aos estudantes] não é a admiração pela sua obra. É um exemplo de como se trabalha. A ideia antes da forma. O rigor antes do efeito. A honestidade da matéria. A luz tratada como o material mais precioso de todos. E, acima de tudo, a convicção de que vale a pena dedicar uma vida inteira a fazer bem uma coisa difícil."
O arquiteto agradeceu as palavras e a distinção concedida, considerando ser mais fruto da generosidade da Universidade Lusíada do que do seu mérito. Referiu a amizade que o une a vários arquitetos portugueses, nomeadamente à sua 'madrinha' nesta cerimónia e ao Professor Doutor Arqt. Fernando Hipólito, igualmente docente da Faculdade de Arquitetura e Artes da Universidade Lusíada (FAAUL). O Professor Doctor Arquitecto D. Alberto Campo Baeza descreveu à assistência alguns pormenores do seu percurso académico e profissional e apresentou uma breve reflexão sobre o tema central da sua vida e obra: a luz, o primeiro material da arquitetura. O 'arquiteto da luz' (designação que diz lhe ser atribuída pelos estudiosos da arquitetura) justifica esta escolha precisamente por estar numa universidade cujo lema é sol lucet omnibus (o sol brilha para todos). Terminou com excertos do poema de Camões, "Amor é fogo que arde sem se ver", para reiterar os agradecimentos pela atribuição do título Doutor Honoris Causa.

Ilustração 4: Professor Doctor Arquitecto D. Alberto Campo Baeza, Dr.ª Maria Isabel Torres Baptista Parreira Jonet, Professor Doctor D. Alfonso Bullón de Mendoza y Gómez de Valugera, Professor Doutor Afonso d'Oliveira Martins, Professor Dr. João Duarte Redondo, Professor Doutor José Duarte Nogueira, Professor Doutor João Pissarra e Professora Doutora Arqt.ª Helena Botelho. (© Fundação Minerva • Jorge Lopes Carvalho, 2026)
A atribuição do título de Doutor Honoris Causa constitui uma das mais elevadas distinções académicas conferidas por uma universidade, celebrando a excelência e o impacto na sociedade de percursos que inspiram e legados que perduram, através de contributo científico, cultural, social ou profissional que reflete valores de excelência, inovação e compromisso com o conhecimento. Mais do que distinguir trajetórias individuais, os Doutoramentos Honoris Causa afirmam o papel da instituição na promoção do mérito, do pensamento crítico e do diálogo entre a academia e a sociedade. Ao conferir este grau honorífico a estes três doutores, a Universidade Lusíada reforça a sua missão de reconhecer e valorizar personalidades que, pelas suas obras e ações, contribuem para o progresso, o desenvolvimento e a construção de uma sociedade mais esclarecida e inclusiva.
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Ilustração do banner (da esquerda para direita): Professor Doctor D. Alfonso Bullón de Mendoza y Gómez de Valugera, Dr.ª Maria Isabel Torres Baptista Parreira Jonet e Professor Doctor Arquitecto D. Alberto Campo Baeza. (© Fundação Minerva • Jorge Lopes Carvalho, 2026)