Estudantes de Arquitetura da Lusíada visitam o concelho do Crato.
Os estudantes do 1.º ano da licenciatura em Arquitetura (mestrado integrado), da Faculdade de Arquitetura e Artes da Universidade Lusíada (Lisboa), das unidades curriculares de "Arquitetura 1" e "Desenho de Observação" (turmas A1, A2 e A3), deslocaram-se, no dia 15 de fevereiro de 2024, ao concelho do Crato, numa visita de estudo ao Mosteiro de Flor da Rosa e à Anta do Tapadão, monumentos nacionais desde 1910, para, segundo o Professor Doutor Arqt. Mário Chaves, "[...] constatação da sua qualidade formal e integração territorial e paisagística".
Na visita, que serviu, igualmente, para recolher elementos e informação para a realização de trabalhos académicos, integrados nos temas curriculares do 2.º semestre, os estudantes foram acompanhados por vários docentes de Arquitetura: Professoras Doutoras Arquitetas Maria João Moreira Soares e Ana Isabel Arez de Magalhães e Professores Doutores Arquitetos Bernardo d'Orey Manoel e Rui Manuel Reis Alves, para além do já referido Professor Doutor Arqt. Mário Chaves.

Ilustração 1 (da esquerda para a direita): Professor Doutor Arqt. Bernardo d'Orey Manoel, Professora Doutora Arqt.ª Maria João Soares e Professor Doutor Arqt. Rui Alves no Mosteiro de Flor da Rosa, Crato. (© Mário Chaves, 2024) • Ilustração 2 (em destaque): Professora Doutora Arqt.ª Ana Arez de Magalhães e estudantes de Arquitetura no Mosteiro de Flor da Rosa, Crato. (© Mário Chaves, 2024)
O município do Crato, no Alto Alentejo, perto de Portalegre, apresenta um património arquitetónico muito rico, abrangendo desde vestígios pré-históricos até à época contemporânea, passando pela ocupação romana e períodos medieval e moderno, tendo esta visita possibilitado a observação de dois monumentos, separados por séculos e por estilos arquitetónicos muito distintos, ambos classificados como Monumentos Nacionais desde 1910: a Anta da Aldeia da Mata, também referida como Anta do Tapadão, a dois quilómetros da povoação de Aldeia da Mata, na freguesia do mesmo nome; e o Mosteiro de Santa Maria de Flor da Rosa, vulgo Mosteiro de Flor da Rosa, e também referido como Mosteiro da Ordem do Hospital de Flor da Rosa, e, mais recentemente, também Pousada Mosteiro Crato, em Flor da Rosa, na freguesia de Crato e Mártires, Flor da Rosa e Vale do Peso.
O município do Crato tem inventariadas mais de 70 antas e a Anta do Tapadão constitui-se num monumento megalítico com mais de cinco mil anos e destaca-se pelo seu grande porte, talvez o maior do seu género no país, encontrando-se em ótimo estado de conservação. Aquando da sua escavação foi encontrado um riquíssimo espólio de vasos de cerâmica, flechas, facas, machados, adornos femininos, ossos humanos e de animais, um báculo e placas-ídolo (única na península), em homenagem à terra-mãe.
As antas ou dólmens, tipo de construções pré-históricas que se encontra disseminado por todo o território continental português, "[…] são construções megalíticas pré-históricas de carácter sepulcral […], constituídas por uma câmara formada por grandes esteios de pedra, e fechada no topo por uma laje horizontal […], construção esta que era finalmente coberta por uma camada semicircular de terra e pedras, a mamoa, tendo esta camada de terra e pedras, em muitos casos, sido destruída pela erosão da chuva e do vento, e pela ação do homem, e daí as antas propriamente ditas que subsistiram ao longo do tempo estarem, em geral, completamente descobertas e visíveis a olho nu […]". (fonte: Portugal – Dicionário histórico)

Ilustração 3: Estudantes de Arquitetura na Anta do Tapadão, Crato. (© Mário Chaves, 2024) • Ilustração 4: Estudantes de Arquitetura no Crato. (© Mário Chaves, 2024)
O imponente Mosteiro de Santa Maria de Flor da Rosa, mandado edificar em 1356, pelo 1.º Prior do Crato, D. Álvaro Gonçalves Pereira, que aí está sepultado, pai do Santo Condestável, D. Nuno Álvares Pereira, para sede da Ordem, é considerado o mais importante exemplo de mosteiro fortificado existente na Península Ibérica, e nele está instalada, atualmente, uma das unidades das Pousadas de Portugal: Pousada Mosteiro Crato.
A povoação do Crato fora doada, em 1232, por D. Sancho II, à Ordem dos Hospitalários (posteriormente Ordem Soberana e Militar de Malta) e, em 1340, passou a ser a sede da Ordem, tendo os professores chamado a atenção que todo o conjunto arquitetónico sofreu, no decurso dos séculos, importantes alterações, nomeadamente nos séculos XVI e XVII e, depois, no século XX, onde houve uma maior preocupação de preservação do plano original gótico. Estruturalmente, o mosteiro é composto por três edificações distintas: a igreja-fortaleza de estilo gótico, um paço-acastelado gótico, já com alterações quinhentistas, e as restantes dependências conventuais já renascentistas e mudéjares. A visita permitiu, ainda, aos estudantes de Arquitetura observarem o porquê da igreja de Flor da Rosa ser "[…] a mais vertical de todas as igrejas portuguesas construídas na Idade Média […]: o transepto, nave e capela-mor elevam-se à mesma altura, criando uma sensação de equilíbrio espacial, mas também de verticalidade extrema, uma vez que a elevação da igreja é muito significativa […]". (fonte: A arquitetura gótica em Portugal)
O Mosteiro da Ordem do Hospital de Flor da Rosa foi classificado como Monumento Nacional em 1910, mas só na década de 1940 começaram as obras de restauro. Mais tarde, em 1991, iniciam-se os trabalhos de reconversão para aí abrigar uma Pousada de Portugal, pelo arquiteto João Luís Carrilho da Graça, aberta ao público em 1995. Em 2009, após um conjunto alargado de ações de investigação, recuperação e valorização, o monumento abriu uma área de interpretação, onde são disponibilizados diferentes serviços de apoio, que permitem uma melhor compreensão de toda a história deste local, e, ainda, a instalação do Núcleo de Escultura Medieval do Museu Nacional de Arte Antiga.

Ilustrações 5 e 6: Estudantes de Arquitetura no Mosteiro de Flor da Rosa, Crato. (© Mário Chaves • 2024)
Esta visita (que foi sobretudo uma aula in loco), permitiu aos estudantes perceberem o equilíbrio que se procurou alcançar entre estruturas arquitetónicas separadas por séculos, e com opções arquitetónicas muito pragmáticas e conectadas com o quotidiano, indo ao encontro daquilo que a licenciatura em Arquitetura (mestrado integrado) da Universidade Lusíada (Lisboa) preconiza como objetivos essenciais no ensino e aprendizagem desta área científica: aliar a teoria à prática; conciliar passado, presente e futuro; articular criatividade e funcionalidade; e prover projetos sustentáveis.
As aulas "fora da sala de aula" são, para os estudantes de Arquitetura, uma forma de adquirir conhecimento, mediante experiências que incorporam uma aproximação sensorial ao espaço visitado, e permitem, ainda, praticar o olhar clínico e refletir sobre a história de um lugar e dos seus habitantes. As visitas de estudo agregam em si várias potencialidades, e são atividades relevantes e fundamentais no processo de ensino-aprendizagem, facilitando o desenvolvimento das capacidades de observação, imaginação e reflexão crítica dos estudantes, tendo uma dupla função: formativa e informativa.
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Fotografia do banner: Estudantes de Arquitetura no Mosteiro de Flor da Rosa, Crato. (© Mário Chaves, 2024)
