FCEE apresenta seminário sobre escravatura e questões económicas no Brasil.
No dia 27 de fevereiro de 2024, a Faculdade de Ciências da Economia e da Empresa (FCEE) da Universidade Lusíada (Lisboa), numa organização do seu diretor, o Professor Doutor Álvaro Matias, promoveu um seminário subordinado ao tema "Escravatura e desenvolvimento de longo prazo no Brasil", apresentado pelo doutor Guilherme Berse Rodrigues Lambais, investigador do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa.
A conferência foi inaugurada e moderada pelo Professor Doutor Nuno Tiago Cláudio Leitão Baptista, docente da FCEE e investigador integrado do Centro de Investigação em Organizações, Mercados e Gestão Industrial (COMEGI), em representação do diretor da FCEE, que destacou a relevância da temática, sobretudo no que se relaciona com o desenvolvimento económico atual do território brasileiro.
O seminário abordou várias questões, nomeadamente: "Terá o tráfico de escravos no Brasil influenciado os termos de troca, a competitividade externa e o desenvolvimento económico do país no longo prazo? Que ensinamentos e implicações – se é que os há – nos trará esta realidade histórica para as determinantes do crescimento na atualidade do país e da região?". (fonte: página oficial do evento)

Ilustração (em destaque): Doutor Guilherme Berse Rodrigues Lambais. (© Fundação Minerva • Jorge Lopes Carvalho, 2024)
O orador baseou a sua apresentação no projeto de investigação que tem desenvolvido nos últimos dois anos – How a Nation is Born: Reconstructing Four Centuries of Brazilian Economic Growth (Como nasce uma nação: reconstruindo quatro séculos de crescimento económico brasileiro) –, em parceria com o Professor Doutor Nuno Palma, igualmente investigador do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa e docente do Departamento de Economia da Universidade de Manchester. O projeto vem preencher uma lacuna relativamente ao Brasil, no que se refere a estudos consistentes sobre esta temática, reconstrói séries para a população, preços, salários, índices de bem-estar, produto interno bruto (PIB) e PIB per capita do Brasil do século XVI (1574) a 1920, e será uma ajuda preciosa para investigar o crescimento económico, para testar hipóteses concorrentes sobre a razão pela qual as nações crescem e diminuem, e para os principais debates no desenvolvimento histórico comparativo, tais como a grande divergência e os debates sobre as origens coloniais.
O investigador chamou a atenção do público para a leitura de uma obra, de 2012, fulcral para se entender o porquê da disparidade de riqueza entre as nações – Por que as nações fracassam (Why Nations fail?) –, relacionando-a com o objetivo principal da sua pesquisa: tentar avaliar as consequências do tráfico de escravos para os salários e desigualdade salarial e verificar o impacto nas trocas e desenvolvimento económico a longo prazo. O Doutor Guilherme Lambais destacou a correlação que encontrou entre o número de escravos, que entraram no Brasil até 1850, com o nível salarial: quantos mais escravos, mais baixo o salário, o que teve efeitos negativos, a médio e longo prazo, no crescimento económico.
No debate final com os estudantes, foi também salientado que "[…] a relação da escravidão passada com a atual está ainda por estudar […]", sobretudo a situação que se vive na Amazónia, tendo ainda o Professor Doutor Nuno Baptista chamado a atenção para "[…] o gap que existe entre os muito ricos e os pobres, algo que tende a aumentar […]".
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Fotografia do banner (da esquerda para a direita): Doutor Guilherme Berse Rodrigues Lambais e Professor Doutor Nuno Tiago Cláudio Leitão Baptista. (© Fundação Minerva • Jorge Lopes Carvalho, 2024)
