Intervenções do Professor José Francisco Pavia nos média nacionais.
O Professor Doutor José Francisco Pavia, coordenador da licenciatura e do mestrado em Relações Internacionais da Faculdade de Direito da Universidade Lusíada (Lisboa), e investigador do Centro de Estudos Jurídicos, Económicos, Internacionais e Ambientais (CEJEIA) da referida instituição, analisou, num direto do dia 19 de fevereiro de 2025, às 00H15, no canal de notícias Now, vários acontecimentos da atualidade internacional, tendo, ainda, colaborado com o jornal "Observador", com um artigo de opinião que nos remete para as zonas do Mar Vermelho, Golfo Pérsico e África Oriental, no século XVI.
 |
|
Ilustração: Professor Doutor José Francisco Pavia no canal Now. (© Medialivre, 2025)
|
No programa televisivo, o especialista em relações internacionais focou a sua análise crítica em recentes acontecimentos da política internacional, nomeadamente as Cimeiras de Paris e de Riade que se debruçaram sobre a guerra na Ucrânia e as negociações para a paz. Na capital francesa, no dia 17 de fevereiro, o encontro informal entre vários líderes europeus terminou sem qualquer anúncio concreto, uma vez que a ideia de enviar tropas de manutenção da paz para a Ucrânia continua a suscitar grandes divisões, com a França e o Reino Unido a mostrar alguma abertura a este cenário. No dia 18, na Arábia Saudita, o Secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, e o Ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov estiveram na Cimeira de Riade, que contou, ainda com a presença, do lado norte-americano, do enviado especial para o Médio Oriente, Steve Witkoff, e do conselheiro para os negócios estrangeiros do presidente russo, Yuri Ushakov, mas sem nenhuma autoridade ucraniana presente na reunião. Neste encontro, a Rússia e os Estados Unidos concordaram em designar as respetivas equipas para começar a trabalhar numa via para colocar um fim no conflito na Ucrânia o mais rapidamente possível, de uma forma que seja duradoura, sustentável e aceitável para todas as partes.
No contexto da série de artigos "Portugal 900 Anos", numa colaboração semanal da Sociedade Histórica da Independência de Portugal e o jornal Observador, foi publicado no dia 20 de fevereiro, um texto intitulado "Dois impérios colidem: Otomanos e Portugueses no Mar Vermelho e África Oriental" que aborda a disputa, no século XVI, entre portugueses e turcos otomanos nestas zonas e que terminou, de forma infeliz para Portugal, em 1578, com a morte do rei Dom Sebastião, em Alcácer Quibir. O artigo de opinião refere que "o Império Otomano, que durou do início do século XIV até ao início do século XX, foi uma grande potência global que teve um impacto significativo em várias regiões do mundo, incluindo em África. […] Um dos laços culturais mais significativos entre os otomanos e o continente africano foi através do Islão. O Islão era uma parte significativa da identidade otomana, e os otomanos estavam empenhados em espalhar a religião por todo o mundo. […] O Império Otomano também teve um impacto económico significativo em África [e] em meados do século XVI, a presença portuguesa na Índia, na África Oriental, no Golfo Pérsico e no Mar Vermelho ameaçava o Império Otomano, quer em termos geoestratégicos, quer em termos económicos. […] Os cristãos encontravam-se agora no Mediterrâneo e, também, no Oceano Índico, ameaçando a retaguarda otomana e as lucrativas rotas comerciais no Mar Vermelho, Golfo de Áden, Golfo Pérsico e Oceano Índico. […] A confrontação entre Otomanos e Portugueses na África Oriental dar-se-á, sobretudo, no Corno de África e costas do Mar Vermelho. […] Esta disputa entre os Impérios Português e Otomano terminará, de alguma maneira, por ter o seu epílogo, em Alcácer Quibir, em 1578, onde o rei português Dom Sebastião acabará por ser derrotado e morrer. […] A ironia da história fará com que os Otomanos, que tinham perdido às mãos dos Portugueses o lucrativo comércio das especiarias e posições geoestratégicas no Oceano Índico, Golfo Pérsico e África Oriental, se vissem agora 'vingados' no Norte de África às portas do Atlântico."
_______________________
Ilustração do banner: Professor Doutor José Francisco Lynce Zagalo Pavia. (© Fundação Minerva • Arquivo da Universidade Lusíada • Jorge Lopes Carvalho, 2022)
