Investigadora do CIPD, Professora Patrícia Ribeiro, apresenta, em Luanda, estudo sobre “Saúde mental e direitos da mulher em Angola”.
A investigadora do Centro de Investigação em Psicologia para o Desenvolvimento (CIPD) da Universidade Lusíada, Professora Doutora Patrícia de Oliveira Ribeiro, esteve presente, entre os dias 16 e 19 de julho de 2026, em Luanda (Angola) numa missão relacionada com o projeto "Mulheres e Vida", financiado pelo Instituto Camões, I.P., sob coordenação da "Rosto Solidário", em parceria com as associações Cáritas Portuguesa, Saúde em Português e a Cáritas de Angola.
Durante a missão, foi apresentado, em conferência de imprensa, o estudo "Saúde mental e direitos da mulher em Angola", desenvolvido em parceria com a Universidade de Luanda e aprovado pela Comissão de Ética da Universidade Lusíada. A coordenação científica do estudo foi assegurada pela Escola Superior de Educação de Paula Frassinetti (ESEPF), aqui representada pela Professora Patrícia Ribeiro, contando, ainda, com a colaboração da Professora Doutora Mónica Nogueira Soares e a Mestre Marisa Lima (da ESEPF).

Ilustração 1: Apresentação do estudo pela Professora Doutora Patrícia Ribeiro. (© Anónimo, 2026)
Assente numa metodologia qualitativa, o estudo integrou a análise da legislação angolana sobre os direitos das mulheres, e, ainda, entrevistas a mulheres residentes nas províncias de Luanda e Bengo e grupos focais com especialistas e profissionais da área. Procurou-se compreender de que forma os direitos das mulheres e as condições sociais influenciam a sua saúde mental e bem-estar. Os resultados evidenciam que, apesar da existência de um quadro legal relevante de proteção dos direitos das mulheres, persistem importantes desafios na sua concretização efetiva. A investigação identificou: a violência baseada no género; a dependência económica; a desigualdade no acesso aos serviços de saúde mental; a sobrecarga de cuidados; o abandono parental; e a persistência de normas socioculturais discriminatórias como fatores que comprometem significativamente a saúde mental das mulheres angolanas.
Entre as principais recomendações do estudo destacam-se: a descentralização dos cuidados de saúde mental; o reforço das estruturas de acolhimento e proteção das vítimas de violência; a promoção da autonomia económica das mulheres; o fortalecimento da articulação entre os setores da saúde, justiça e ação social; e o investimento em estratégias de prevenção, literacia comunitária e capacitação das lideranças locais. Os principais resultados e recomendações do estudo foram igualmente divulgados no programa de rádio "Ponto e Contraponto" (18 de julho), contribuindo para alargar o debate público sobre a saúde mental, os direitos das mulheres e os desafios da intervenção comunitária em Angola.

Ilustração 1: Professora Doutora Patrícia Ribeiro durante a apresentação do estudo. (© Anónimo, 2026)
O estudo apresentado integra o projeto do CIPD (CIPD/2526/TPS/2), em desenvolvimento, com a mesma designação, no Lab 2 – Educação, Inclusão e Sociedade, tendo, como objetivo geral, compreender o panorama global da saúde mental das mulheres em Angola, a sua perceção sobre de que modo o assunto é abordado no país, e, ainda, identificar de que forma os direitos da mulher em Angola podem impactar o seu estado psicológico. O estudo deverá incluir, ainda, algumas recomendações aos decisores políticos, aos líderes comunitários e à sociedade civil, em geral.
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Ilustração do banner: Professora Doutora Patrícia Ribeiro. (© CIPD, 2026)
