Investigadores do CITAD organizam aula aberta sobre as minas d'água na zona da Ajuda.
No dia 12 de novembro de 2024, numa parceria entre a Universidade Lusíada (Lisboa) e a Junta de Freguesia da Ajuda, decorreu nas instalações desta instituição de ensino, uma aula aberta subordinada ao tema "Minas d'água na Ajuda: uma proposta de classificação", que contou com a presença de vários oradores convidados que abordaram a relevância de um estudo de identificação histórica, levantamento e, especificamente, de uma classificação desta antiga estrutura, anterior ao século XVIII, construída por proprietários de quintas aí existentes, e que integrou o sistema hidráulico subsidiário que partia da Ajuda e se estendia a Belém e a Alcântara.

Ilustração 1 (da esquerda para a direita): Professor Dr. Nuno Miguel Sampaio Viola de Drummond Ludovice e Professora Doutora Arqt.ª Maria de Fátima Silva durante a aula aberta. (© Fundação Minerva • Jorge Lopes Carvalho, 2024).
A organização foi da responsabilidade do Professor Dr. Nuno Miguel Sampaio Viola de Drummond Ludovice, docente da unidade curricular de "História da Arquitetura" (3.º ano) da licenciatura em Arquitetura (mestrado integrado) da Faculdade de Arquitetura e Artes (FAA) e investigador do Centro de Investigação em Território, Arquitetura e Design (CITAD), e da Professora Doutora Arqt.ª Maria de Fátima Silva, coordenadora da área científica de "Edificações" (3.º ano) da mesma licenciatura e do projeto "O estuário do Tejo e as suas áreas ribeirinhas: estratégias para a sua sustentabilidade" (EsTEjo), do referido centro de investigação. Este projeto tem desenvolvido, ao longo da última década e meia, investigação científica sobre o estuário deste rio, e, numa perspetiva multidisciplinar, combinando Arquitetura, Arqueologia e História, tendo apresentado, recentemente, o estudo de identificação da estrutura de abastecimento de água ao Palácio da Ajuda e envolvente (zonas de Belém e de Alcântara), por minas d'água, provenientes da serra de Monsanto. O objetivo, para além de dar a conhecer estas infraestruturas, é, também, o de promover a valorização e salvaguarda deste património histórico-hidráulico em risco de desaparecer.

Ilustração 2 (da esquerda para a direita): Professor Doutor Arqt. Alberto Cruz Reaes Pinto, Arqt. Jorge Manuel Marques e Professor Doutor José Manuel de Mascarenhas durante a aula aberta. (© Fundação Minerva • Jorge Lopes Carvalho, 2024).
A sessão de abertura foi feita pelo Professor Doutor Arqt. Alberto Cruz Reaes Pinto, diretor do CITAD, que apresentou os oradores e a organização, salientando que o tema desta aula aberta se insere nas atividades científicas do referido centro de investigação e na questão da sustentabilidade, assunto atual face às alterações climáticas do nosso século. A assistência teve, a seguir, a oportunidade de ouvir o Arqt. Jorge Manuel Marques, presidente da Junta de Freguesia da Ajuda, antigo estudante da Universidade Lusíada, que referiu "os muitos mitos e algumas verdades" que existem à volta destas minas, que compõem um património muito disperso, destacando o risco do seu desaparecimento face, também, ao desenvolvimento urbano e ao avanço da cidade numa zona ainda periférica de Lisboa. Relevou a importância de enquadrar e não perder o que temos do ponto de vista patrimonial, defendendo que "[…] a melhor maneira de conhecer é estudar no terreno com o conhecimento empírico de quem cresceu à volta das minas […]" e, para além de investigar, classificar e aproveitar o recurso, por exemplo, como "[…] centro de interpretação, centro de estudo e como poupança de um recurso natural […]". A componente histórico-cultural foi abordada pelo Professor Doutor José Manuel de Mascarenhas, Professor Associado aposentado da Universidade de Évora e membro da Cátedra UNESCO em "Património Imaterial e Saber-Fazer Tradicional: ligando patrimónios", que referiu a necessidade de se fazer "[...] uma abordagem integrada do sistema hidráulico do palácio e das estruturas envolventes, incluindo as captações, por exemplo, destacando a Arca d'água principal e um troço da principal galeria, o chamado aqueduto da Ajuda cuja nascente se encontra na área do Moinho do Penedo [...]".

Ilustração 3 (da esquerda para a direita): Professor Doutor Eng. António Carmona Rodrigues, Professor Dr. Nuno Miguel Sampaio Viola de Drummond Ludovice, Professor Doutor Arqt. Alberto Cruz Reaes Pinto, Professor Doutor José Manuel de Mascarenhas e Arqt. Jorge Manuel Marques. (© Fundação Minerva • Jorge Lopes Carvalho, 2024).
O presidente do Conselho de Administração do Grupo AdP – Águas de Portugal, Professor Doutor Eng. António Carmona Rodrigues deu o seu testemunho por meio de uma vídeo gravação na qual salientou "[…] a importância e oportunidade desta aula aberta [tendo em atenção que] o património hidráulico é testemunho do engenho que existiu desde há muito tempo no nosso país, um exemplo do que é o aproveitamento sustentável da água […]". No caso particular de todo o acervo patrimonial ao redor do Palácio da Ajuda, este ajuda, não só a consagrar e a valorizar esse património hidráulico que ainda existe, mas também serve de inspiração e de conhecimento acrescido para o domínio dos recursos hídricos e de soluções do passado que em muitos casos voltam a ser usadas."

Ilustração 4: Pormenor do projeto, com identificação de algumas das minas d'água da Ajuda. (© Fundação Minerva • Jorge Lopes Carvalho, 2024).
A Professora Fátima Silva fez o enquadramento do objeto deste estudo, através de uma abordagem técnica, referindo que este é "um trabalho de grande inteligência, de grande capacidade de engenho" e, numa apresentação mais detalhada, o Professor Nuno Ludovice, referiu considerar que este é "[…] um projeto virtuoso porque nos dá duas perspetivas: por um lado, olhamos para a importância patrimonial, histórica, e a vinculação que este sistema hidráulico tem com as quintas reais; por outro, é um projeto de atualidade, porque sabemos da importância da água, que tem a sua finitude […]". Aqui, sublinhou a importância de uma "[…] aferição técnica das potencialidades que esta água tem e da sua reutilização para aquilo que possam ser gastos diários atuais […]". É, também, importante aproveitar "[…] o saber dos antigos sobre formas de canalizar e usar a água, sem degradar as estruturas urbanas". No que se refere ao projeto de classificação da mina do palácio, em concreto, referiu a equipa multidisciplinar, para além dele próprio (historiador) e da Professora Fátima Silva (arquiteta), mencionando a Dr.ª Elisabete Barradas (arqueóloga), e duas estudantes do mestrado em Arquitetura, a Dr.ª Maria Caeiro e a Dr.ª Isabella Maiauskas. Por último, sintetizou, em três palavras, aquilo que se pretende com estes estudos: "classificação, conservação e utilização".
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Imagem do banner (da esquerda para a direita): Professor Dr. Nuno Miguel Sampaio Viola de Drummond Ludovice, Professor Doutor Arqt. Alberto Cruz Reaes Pinto, Professor Doutor José Manuel de Mascarenhas e Arqt. Jorge Manuel Marques. (© Fundação Minerva • Jorge Lopes Carvalho, 2024).
