Lusíada debate o papel da mulher na indústria da música, no CCB.
No dia 8 de abril de 2025, a Sala Fernando Pessoa do Centro Cultural de Belém recebeu uma mesa-redonda intitulada "Círculo de mulheres: uma conversa sobre o papel da mulher na indústria da música", uma iniciativa da Faculdade de Arquitetura e Artes (FAA) da Universidade Lusíada (Lisboa), organizada pelas Professora Doutora Arqt.ª Helena Cristina Caeiro Botelho, diretora e docente da FAA, Professora Doutora Isabel Maria de Campêlo Fernandes, coordenadora da licenciatura em Jazz e Música Moderna, e Mestre Joana Guerreiro Borges Machado, docente do referido curso. O evento recebeu várias convidadas da área da música, cabendo a moderação do debate à Professora Isabel Campêlo e ao Dr. João Miguel Cordeiro Barradas, docente da licenciatura em Jazz e Música Moderna.
O contexto da mesa-redonda relacionou-se, no geral, com a manutenção de um paradigma, que urge mudar, do papel que a História tem dado à mulher no panorama musical, sendo realçado pela organização que "historicamente, as mulheres foram obliteradas pelos agentes de socialização e sociabilização, constando raramente dos syllabi das aulas de História da Música." Em concreto, o escândalo do clube de jazz Hot Club (no qual um pianista foi acusado de violação, com cerca de 80 outras denúncias contra este e outros músicos) trouxe à ribalta a pertinência de, nas palavras da Professora Helena Botelho, "[...] chamar um conjunto de mulheres cantoras ou instrumentistas, de várias gerações, com várias experiências, para podermos discutir estes assuntos". Este debate pretendeu, assim, promover o diálogo e troca de experiências entre várias mulheres com profissões na área da Música e "[…] criar consciência na comunidade sobre a presença feminina na indústria musical através da experiência individual e coletiva de cada uma das convidadas." Em entrevista ao jornal "Público", a docente sublinha que, não obstante a iniciativa ter partido do meio académico, é importante que seja alargada à sociedade: "Não nos interessa que seja uma coisa científico-académica. Porque é um assunto pertinente, interessa-nos que ele chegue às mais diversas camadas e que possamos discuti-lo. O debate será gravado, iremos divulgar a gravação nas redes da universidade e vamos produzir um documento, com o resultado da conversa, que será divulgado em rede e à imprensa."
Ilustração: Imagens do evento. (© Fundação Minerva • Helder de Albuquerque Machado, 2025)
Ao mesmo órgão de comunicação social, a Dr.ª Joana Machado, que é, também, cantora, considerou ser este debate "absolutamente essencial, [salientando que], sobretudo num mundo que continua a ser predominantemente masculino e onde são sobretudo homens os convidados para falar no contexto académico. E num país como o nosso, que tem uma indústria musical pequenina e que na música de nicho tem muito pouca representatividade feminina." Um dos objetivos desta mesa-redonda passa, também, por, através da experiência das convidadas, perceber "[...] que mensagens podemos transmitir às mulheres que no futuro queiram ser músicas; se é um percurso fácil ou difícil [...]. A percentagem de músicas que desistem após a formação superior é grande, porque não têm empregabilidade. Isso foi corrigido na música clássica, onde há maior paridade, mas no jazz não. Por isso, queremos ouvir as perspetivas das várias gerações e queremos que a comunidade assista a isto."
Inês Vaz (acordeonista), Inóspita (nome artístico de Inês Matos, guitarrista), Jessica Pina (trompetista e cantora), Margarida Campelo (pianista e cantora) e Selma Uamusse (cantora), distribuídas, assim, em atividades como o canto, a composição, a produção, a instrumentação e o ativismo falaram, numa conversa informal, sobre os seus percursos profissionais, as dificuldades e preconceitos com que são, ainda, confrontadas as mulheres no mundo musical, e, igualmente, a (difícil) articulação entre a vida profissional e a vida pessoal/familiar.
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Ilustração do banner (painel da esquerda para a direita): Jessica Pina, Margarida Campelo, Inóspita, Inês Vaz, Selma Uamusse, Isabel Campêlo e João Barradas. (© Fundação Minerva • Helder de Albuquerque Machado, 2025)