Lusíada volta a receber o Encontro "Olhares sobre a deficiência – Intervenção, investigação e formação em rede", que já vai na terceira edição.
O III Encontro "Olhares sobre a deficiência – Intervenção, investigação e formação em rede", que reuniu especialistas em torno da temática do apoio à vida independente, teve lugar na Universidade Lusíada (Lisboa), no dia 4 de junho de 2024, numa organização conjunta do Instituto Superior de Serviço Social de Lisboa (ISSSL) e da Federação Nacional de Cooperativas de Solidariedade Social (FENACERCI), com o apoio do Centro Lusíada de Investigação em Serviço Social e Intervenção Social (CLISSIS) e da Fundação para a Ciência e a Tecnologia, IP.
A Professora Doutora Teresa Rodrigues da Silva, diretora do ISSSL, e o Dr. Joaquim Ascenção Pequicho, Vice-Presidente do Conselho de Administração da FENACERCI, receberam os participantes neste evento, congratulando a Universidade Lusíada por esta terceira edição, bem como a manutenção do formato híbrido, permitindo, dessa forma, chegar a mais pessoas.
Como nota de abertura para os trabalhos a executar durante este encontro sobre o apoio à vida independente das pessoas com deficiência, o Dr. Joaquim Ascenção Pequicho começou por fazer uma breve introdução colocando à discussão o artigo 19 da Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, que estabelece o direito a viver de forma independente e a ser incluído na comunidade, com escolhas iguais às demais e a tomada de medidas eficazes e apropriadas para facilitar o pleno gozo, por parte das pessoas com deficiência, do seu direito e a sua total inclusão e participação na comunidade. Para atingir o elencado no artigo, da parte das instituições que prestam apoio ao cidadão com deficiência, espera-se que assumam um compromisso para a ação, que deve passar pelo autodiagnóstico organizacional, pela promoção de uma literacia de direitos, pela observação da ética organizacional, pela promoção da capacitação e qualificação dos técnicos e pela promoção das micropráticas de acordo com o ecossistema organizacional. Por parte da FENACERCI, este enquadramento do compromisso de ação resultará na Carta de Compromisso para a Inclusão Comunitária, que está a ser elaborada com o apoio do ISSSL e que consagra dez princípios: valorizar a pessoa, valorizar a comunidade, cooperação de base comunitária, qualidade dos apoios, política de prevenção da violência, capacitação de adaptação à mudança centrada na pessoa, valorizar a diversidade de apoios, sustentabilidade organizacional, intervir e transformar, e promover a investigação e inovação.

Ilustração 1: Professor Doutor Michel Binet durante o encontro. (© Fundação Minerva • Joaquim Matos Ferreira, 2024)
No seguimento, e na perspetiva da academia, o Professor Doutor Michel Binet apresentou os resultados da reunião preparatória deste encontro onde apontou os principais temas levantados e sobre os quais seria interessante desenvolver investigação académica, tirando partido do enorme campo de trabalho fornecido pelas cooperativas de solidariedade social e instituições semelhantes.
As instituições CERCIESPINHO, CERCICA e CERCILISBOA foram as dinamizadoras do painel de discussão sobre a visão e perspetivas em torno da promoção do apoio à vida independente. Ana Margarida Martins, da CERCIESPINHO, falou sobre a passagem do Centro de Apoio à Vida Independente (CAVI) para Serviço de Apoio à Vida Independente (SAVI) na sua área de intervenção. Edgar Pereira, da CERCICA, falou sobre a qualificação e emprego no apoio à vida independente. Da parte da CERCILISBOA, Susana Henriques abordou a temática dos direitos das pessoas com deficiência utilizando o exemplo do Centro de Atividades e Capacitação para a Inclusão, que trabalha um plano individual de inclusão, para capacitar os sujeitos com competências e ferramentas que lhes permitam alcançar uma cidadania plena. Da perspetiva das pessoas apoiadas, Ana Filipa Leça, Albino Silva e Marco Paulo Santos forneceram os seus testemunhos, na primeira pessoa, e transmitiram as suas definições de independência e de como o apoio à vida independente, fornecido pelas instituições às quais estão ligados, melhoram, exponencialmente, a sua qualidade de vida enquanto pessoas com deficiências. Também foi dada a palavra a familiares de pessoas com deficiência que confirmaram o papel fundamental do apoio à vida independente e de como ele se reflete na sua dinâmica enquanto cuidadores.

Ilustração 2 (da esquerda para a direita): Albino Silva, Marco Paulo Santos e Ana Filipa Leça durante o encontro. (© Fundação Minerva • Joaquim Matos Ferreira, 2024)
A encerrar a parte da manhã, juntou-se ao encontro, via Zoom, a Amalia San Román, da Plena inclusión, movimento associativo espanhol que luta pelos direitos das pessoas com deficiência intelectual e de desenvolvimento, que fez uma interessante reflexão sobre os conceitos de independência e interdependência e apresentou o que a sua instituição tem feito no campo de residências que promovam uma vida independente, através do projeto "Mi Casa: una vida en comunidad" que promove uma experiência real de vida em comunidade.
Os trabalhos da tarde iniciaram com uma pequena tertúlia com o Professor Michel Binet que, partindo do conceito de microética desenvolvido por Komesaroff e Worthley no contexto da medicina e da gerontologia social, respetivamente, apelou a uma reflexão conjunta sobre um compromisso ético para a vida independente, de como a atenção aos detalhes, as microinterações do dia a dia, a ética das pequenas coisas, se refletem na vida das pessoas com deficiência. O Professor deixou no ar o exercício de as instituições efetuarem uma auto-observação das práticas e das micropráticas do seu dia a dia e chegarem a conclusões de como o modus operandi habitual pode alterar a perceção da pessoa com deficiência sobre o que é a vida independente.

Ilustração 3 (da esquerda para a direita): Dr.ª Julieta Sanches e Professora Teresa Rodrigues da Silva na sessão de encerramento do encontro. (© Fundação Minerva • Joaquim Matos Ferreira, 2024)
Este terceiro encontro terminou com as palavras do Dr. Joaquim Ascenção Pequicho, da Dr.ª Julieta Sanches, Presidente do conselho de administração da FENACERCI, e da Professora Teresa Rodrigues da Silva que enalteceram a importância destas reflexões conjuntas para a partilha de experiências e para a construção de conhecimento académico sobre a temática, ficando a promessa de continuidade destes encontros anuais.
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Fotografia do banner (da esquerda para a direita): Dr. Joaquim Ascenção Pequicho e Professora Doutora Teresa Rodrigues da Silva na sessão de abertura.(© Fundação Minerva • Joaquim Matos Ferreira, 2024)

Ana Rita Ribeiro
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Ana Rita Ribeiro é bibliotecária nos Serviços de Informação, Documentação e Internet da Universidade Lusíada, desde 2008, e colabora, entre outras áreas, no tratamento e processamento da informação, na redação de notícias, no apoio ao utilizador e à aprendizagem.
É licenciada em Línguas e Literaturas Modernas e pós-graduada em Ciências Documentais (variante de bibliotecas).
Para além da sua atividade profissional, aposta em tempo de qualidade com a família, na leitura e é entusiasta do exercício físico, corrida e trail running.
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