Maestro António Victorino d'Almeida esteve na Lusíada para falar sobre a importância do Festival de Vilar de Mouros de 1971.
O Maestro António Victorino d'Almeida esteve na Universidade Lusíada (Lisboa), no dia 21 de maio de 2024, para uma conversa informal que teve como matéria de fundo o Festival de Vilar de Mouros de 1971 e a cantata cénica "Dom Garcia", do compositor português Joly Braga Santos. Este evento surgiu da iniciativa do Professor Doutor Paulo António Enes da Silveira e teve a organização do próprio, através da empresa ARTPRODES, Artistic Productions Enes da Silveira, dos estudantes Filipa da Silva Cruz e José Eduardo da Silva Maciel, e do Professor Doutor Massimo Cavalli, coordenador da licenciatura em Jazz e Música Moderna, da Faculdade de Arquitetura e Artes.
Durante 2 horas, António Victorino d'Almeida e o Professor Paulo Enes da Silveira, como dinamizador da conversa, estiveram em palco, onde o Maestro narrou algumas histórias que estiveram por detrás da edição de 1971 do Festival Vilar de Mouros, o primeiro Festival de música destinado à juventude, realizado em Portugal, na vila de Caminha, região do Alto Minho.

Ilustração 1 (da esquerda para a direita): Maestro António Victorino d’Almeida e Professor Doutor Paulo António Enes da Silveira. (© Fundação Minerva • Jorge Lopes Carvalho, 2024)
António Victorino d'Almeida, que esteve presente como compositor, músico e diretor artístico nesta edição de 1971, situou a história da cantata cénica "Dom Garcia", como uma obra indissociável do contexto deste festival, pois surgira através duma encomenda feita a Joly Braga Santos pela pessoa que idealizou e deu existência a este Festival, o Dr. António Augusto Barge, sobre o qual o Maestro se referiu amplamente durante a sua alocução.
"Dom Garcia" é uma obra composta para banda sinfónica, grande coro sinfónico, cinco solistas cantores e seis atores declamadores. A encomenda estendeu-se a Natália Correia e David Mourão Ferreira para a escrita do libreto, e foi estreada no dia 8 de agosto de 1971, na inauguração do certame, com a participação do Coral Polifónico de Viana do Castelo, do Grupo de Bailado "Verde Gaio" e da Banda Sinfónica da Guarda Nacional Republicana (GNR), sob a direção do Maestro Silva Dionísio, a quem a obra foi dedicada.

Ilustração 2 (da esquerda para a direita): Maestro António Victorino d’Almeida e Professor Doutor Paulo António Enes da Silveira. (© Fundação Minerva • Jorge Lopes Carvalho, 2024)
O Dr. António Augusto Barge (1917-2002), natural do concelho de Caminha, exercia medicina em Lisboa onde possuía um grupo grande e variado de conhecimentos em Lisboa, entre os quais o Comandante-Geral da GNR, um dos símbolos do regime do Estado Novo. Este contacto em particular foi essencial no momento de contornar as muitas burocracias e faltas de apoios de outros quadrantes no sentido de concretizar aquilo que era uma das suas maiores aspirações pessoais, a promoção turística do Minho.
Esta relação de confiança, que já teria permitido ao médico levar a banda de música da GNR a Vilar de Mouros, em edições anteriores do Festival – de menor dimensão e mais viradas para o folclore – foi também responsável pela presença da banda em 1971. Foi esta banda sinfónica que acompanhou o Maestro António Vitorino D'Almeida na "Sinfonia Desconcertante", uma obra que, também, resultou de encomenda feita pelo Dr. António Augusto Barge. A peça foi estreada no mesmo fim de semana de "Dom Garcia", no primeiro dos três fins de semana de duração do Festival, programado para ser exclusivamente preenchido com música clássica.

Ilustração 3: Maestro António Victorino d’Almeida. (© Fundação Minerva • Jorge Lopes Carvalho, 2024)
Depois de esgotado este tópico, o Maestro ofereceu à plateia uma visão geral acerca da história da música, ou dos diversos géneros musicais, com enfoque para a história do jazz. O orador falou das raízes populares do jazz, das variantes harmónicas que as comunidades negras de Nova Orleães, nos Estados Unidos da América, introduziram na música, contrárias aos ícones da estética burguesa de compositores como Beethoven, Bach ou Wagner.
Sentado ao piano, o orador demonstrou, também, as semelhanças e as diferenças entre o jazz e o blues, em relação à música clássica. Mencionando a evolução deste género, desde o canto madrigal ao barroco, à música clássica vienense, do romantismo à música dodecafónica, o Maestro António Victorino d’Almeida exibiu no teclado as mudanças que a contraparte americana da arte musical europeia introduziu na composição musical.

Ilustração 4 (da esquerda para a direita): Maestro António Victorino d’Almeida e Professor Doutor Paulo António Enes da Silveira. (© Fundação Minerva • Jorge Lopes Carvalho, 2024)
O evento terminou em homenagem festiva, com um momento musical em que o Professor Doutor Massimo Cavalli, acompanhado por vários estudantes em palco, interpretaram e dedicaram um mini-concerto ao Maestro, com a execução de dois standards da música internacional. O último dos quais, o "Parabéns a você", foi entoado calorosamente pela assistência, composta por estudantes e amigos do aniversariante. António Victorino d'Almeida, nascido em 21 de maio de 1940, festejou, então, o seu octogésimo quarto aniversário junto dos músicos da licenciatura em Jazz e Música Moderna.

Ilustração 5 (da esquerda para a direita): Maestro António Victorino d’Almeida e estudante Filipa da Silva Cruz. (© Fundação Minerva • Jorge Lopes Carvalho, 2024)
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Fotografia do banner: Maestro António Victorino d’Almeida. (© Fundação Minerva • Jorge Lopes Carvalho, 2024)

Jorge Lopes Carvalho
Redator e repórter fotográfico
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