Professor Álvaro Matias analisa, em artigo de opinião no Observador, questões relacionadas com crescimento económico.
O Professor Doutor Álvaro Matias, diretor da Faculdade de Ciências da Economia e da Empresa (FCEE) da Universidade Lusíada (Lisboa) e do Centro de Investigação em Economia e Desenvolvimento Comparado (CIEDEC), é autor, coautor e editor de diversos livros sobre Economia e Economia do Turismo, e de diversos artigos científicos com peer-review, publicados em revistas nacionais e estrangeiras. Mantém, também, uma coluna regular de opinião no jornal "Observador", tendo publicado, a 9 de fevereiro de 2026, "Portugal não pode continuar a fingir que cresce", uma análise a vários fatores relacionados com a temática do crescimento económico.
O artigo destaca pontos importantes como crescimento ilusório (baseado na quantidade e não na qualidade), imigração de baixa qualificação e risco de nova divergência estrutural, considerando que "o nosso desafio não é crescermos umas décimas acima da média europeia um ou dois anos. […] O verdadeiro desafio é convergir de forma sustentada com as economias mais desenvolvidas. E isso exige produtividade, capital humano, inovação, instituições eficazes e, sobretudo, coragem política para fazer reformas difíceis."
O docente começa por chamar a atenção para "uma questão central da teoria económica do crescimento: o que significa, afinal, crescer? E, sobretudo, o que significa convergir com as economias mais desenvolvidas?", explicando que "uma economia pode crescer em termos agregados e, ainda assim, não enriquecer. Pode aumentar o seu produto interno bruto e, ao mesmo tempo, manter-se afastada dos níveis de rendimento dos países mais prósperos." Outra distinção que apresenta: entre crescimento extensivo e crescimento intensivo, assentando aquele no aumento dos fatores de produção (mais trabalhadores, mais horas de trabalho, mais capital físico). "O crescimento intensivo, pelo contrário, assenta em ganhos de produtividade, em inovação, em progresso tecnológico e em capital humano. A diferença entre ambos não é apenas quantitativa, mas qualitativa." Conclui-se, assim, que "o crescimento extensivo [problema do crescimento económico português] enfrenta limites naturais. Nenhuma economia pode aumentar indefinidamente o número de trabalhadores ou o tempo de trabalho. O crescimento intensivo, pelo contrário, é potencialmente ilimitado, porque resulta de fazer melhor com os mesmos recursos." Apesar de um aumento efetivo da população ativa em Portugal, o mesmo "ocorreu sem uma correspondente elevação do capital humano médio nem da intensidade tecnológica das atividades. […] O efeito imediato, do ponto de vista contabilístico, é simples: o PIB cresce, porque há mais gente a trabalhar. Mas do ponto de vista do rendimento per capita, a realidade é bastante mais modesta. Se a produtividade média não aumenta, o rendimento por pessoa cresce pouco. E, em certos casos, pode até estagnar." Mais, "a pergunta relevante não é se o PIB cresce. É como cresce. Se o crescimento resulta apenas de mais pessoas a trabalhar em atividades de baixa produtividade, ele não é sustentável."
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Ilustração do banner: Professor Doutor Álvaro António Calado Afonso Matias. (© Fundação Minerva • Helder de Albuquerque Machado, 2023)