Professor Guilherme d'Oliveira Martins fala, ao Observador, sobre as necessidades do ensino em Portugal.
O Professor Dr. Guilherme Waldemar Pereira d'Oliveira Martins, docente da Universidade Lusíada (Lisboa), administrador executivo da Fundação Calouste Gulbenkian (desde 2015) e docente da Universidade Lusíada (Lisboa), onde leciona, entre outras, a unidade curricular de "História da cultura portuguesa", presente no plano de estudos de várias licenciaturas, falou, no 13 de março de 2025, no podcast "Ensino Privado – 50 anos de associativismo" do órgão de comunicação "Observador" sobre as necessidades do ensino em Portugal, tendo destacado "mais autonomia das escolas, efeito de rede, complementaridade e dignificação dos professores".
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Ilustração 1: cartaz do programa. (© Observador, 2025)
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O programa, inserido na rubrica que comemora os 50 anos da Associação de Estabelecimentos de Ensino Particular e Cooperativo (AEEP), foi dirigido pelo jornalista José Manuel Fernandes e focou o cenário dos últimos 50 anos e os desafios para o futuro, procurando analisar o equilíbrio entre a oferta pública (estatal) e a oferta do ensino particular e cooperativo neste período. O convidado salientou a atual "cobertura efetiva da rede escolar a nível nacional […], com uma complementaridade entre a oferta estatal (de cerca de 80%) e da oferta particular (que ronda os 20%) [e a preocupação] é garantir que seja uma oferta com qualidade." Referiu, neste ponto, o que designa por 'efeito de rede', ou seja, "a interinfluência positiva na qualidade induzida, quer nas escolas públicas, quer nas particulares e cooperativas."
A sua intervenção destacou a importância dos professores no contexto educativo: "é necessário darmos condições e dignidade à atividade docente […]: é importante que o professor tenha um lugar importante, dignificado e valorizado […] porque só assim teremos professores motivados" e, frisou, não falamos apenas de "condições remuneratórias". Aqui, reiterou a urgência de se rever o processo de colocação dos professores (concurso nacional), considerando que "[…] há um caminho, que tem de ser mais corajosamente feito, no sentido da autonomia das escolas […], de forma a estabilizar uma rede escolar articulada (envolvendo todos) e a dar uma resposta satisfatória de qualidade". Defendeu que "[…] temos de ser mais exigentes quanto à qualidade, e a qualidade obriga a que os professores estejam motivados e empenhados", afirmando que "[…] uma sociedade que não valoriza o conhecimento, a educação e a cultura, é uma sociedade que não responde adequadamente aos desafios fundamentais do desenvolvimento humano."
Avançou que a participação da comunidade – família, autarquias – é fundamental para o bom funcionamento da rede escolar (ensino estatal e ensino particular e cooperativo) e para, no final do percurso escolar obrigatório, termos "cidadãos livres e responsáveis", mencionando a relevância de um estudo recente (2022) - "Avaliação de Aprendizagens em Instituições Educativas", coordenado por Júlio Pedrosa e publicado pela Fundação Calouste Gulbenkian, que analisa e avalia o perfil do estudante à saída da escolaridade obrigatória (entre os 3 e os 18 anos). O tema da avaliação das escolas foi igualmente abordado, referindo a necessidade de ser, com transparência, em "três domínios: institucional, dos professores e dos alunos [de forma a] se perceber quais as carências e o que temos a melhorar". Fez, ainda, referência à importância do ensino profissional - "precisamos de ter mais alunos no ensino profissional" - e do 'binómio universidade/politécnico'.
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Ilustração 2: Jornalista José Manuel Fernandes. (© Anónimo, 2025)
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O Professor Guilherme d'Oliveira Martins tem uma vasta experiência na área educativa e no campo da cultura, evidenciada não só pela atividade docente, mas igualmente por funções e cargos que tem desempenhado no decurso da sua vida profissional, destacando-se o ter sido presidente do Centro Nacional de Cultura (2002 – 2016), Vice-Presidente da Comissão Nacional da UNESCO (1988-1994), Secretário de Estado da Administração Educativa (1995-1999) e Ministro da Educação (1999-2000). Da vasta obra de que é autor, quase toda dedicada à defesa da cultura portuguesa e do património cultural, destaca-se "Património cultural: realidade viva" (2020), editado pela Fundação Manuel dos Santos.
O podcast "Ensino Privado – 50 anos de Associativismo" é uma série de seis conversas, conduzidas por José Manuel Fernandes, publisher do Observador, com destacados protagonistas em torno do sistema educativo português, com foco nas últimas cinco décadas do ensino privado, conduzidas por José Manuel Fernandes, tendo sido este o 2.º episódio.
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Fotografia do banner: Professor Dr. Guilherme Waldemar Pereira d'Oliveira Martins no programa "Ensino Privado – 50 anos de associativismo". (© Anónimo, 2025)