Professor José Francisco Pavia comenta, na Antena 1, as consequências, para a política internacional, de uma vitória de Trump.
 |
|
Ilustração: Imagem do "Noticiário". (© Antena 1, 2024)
|
O Professor Doutor José Francisco Pavia, coordenador da licenciatura e do mestrado em Relações Internacionais da Faculdade de Direito da Universidade Lusíada (Lisboa), investigador do Centro de Estudos Jurídicos, Económicos, Internacionais e Ambientais (CEJEIA) e antigo observador português junto da Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO), comentou no dia 5 de novembro de 2024, na Antena 1, no "Noticiário das 9", editado pelo jornalista Frederico Moreno, a situação política que se vive nos EUA, com as eleições presidenciais a decorrerem, a possibilidade de uma vitória de Donald Trump e eventuais consequências para a política externa norte-americana.
Num cenário em que ambos os candidatos se revelam confiantes na vitória respetiva, o especialista em relações internacionais analisou a relação das eleições norte-americanas com o futuro da Aliança Atlântica (OTAN/NATO), perante uma eventual vitória de Donald Trump, lembrando que "[…] vários princípios fundamentais da Aliança foram postos em causa na última administração Trump […]", nomeadamente o Artigo 5.º (ideia da indivisibilidade da defesa), que defende que um ataque a um Estado-Membro é considerado um ataque a todos. Isto "[…] pôs em choque os aliados europeus que temem agora que num eventual 2.º mandato, Trump avance nessa senda de pôr em causa a Aliança Atlântica […]". A questão da repartição das despesas - "[…] com a fixação de Trump em relação aos 2% […]" - é algo que também preocupa os europeus e, num eventual regresso do candidato republicano à Casa Branca, na opinião do Professor José Francisco Pavia, "[…] pode ser que isto dê um choque com a realidade e que os países europeus acordem finalmente para a vida e comecem a investir fortemente na defesa […]".
No que respeita à guerra entre a Federação Russa e a Ucrânia, existem várias teorias sobre a política norte-americana liderada por Trump, considerando-se que a guerra não se vai resolver em 24 horas e que "[…] Zelensky não contará provavelmente com a disponibilidade total que tem agora com o presidente Biden […]". O comentador salientou, ainda, que a imprevisibilidade é uma caraterística marcante de Trump e um fator de preocupação genuína para o mundo.
Os eleitores dos EUA foram às urnas a 5 de novembro para escolher quem comandará a Casa Branca durante os próximos 4 anos, com uma forte possibilidade de um empate entre Kamala Harris (democrata) e Donald Trump (republicano), com 269 delegados cada (são necessários 270 para a vitória), situação que, segundo as últimas notícias, não se verificou, tendo Trump alcançado a vitória com 295 votos eleitorais (50,7%) contra os 226 (47,7%) de Harris.
______________________________________________________________
Fotografia do banner: Professor Doutor José Francisco Lynce Zagalo Pavia. (© Fundação Minerva • Jorge Lopes Carvalho, 2018).
