Professor José Francisco Pavia comenta, na Antena 1, declarações de Donald Trump sobre a NATO.
O Professor Doutor José Francisco Pavia, coordenador das licenciaturas em Políticas de Segurança e Relações Internacionais e dos mestrados em Relações Internacionais e Segurança e Justiça da Faculdade de Direito da Universidade Lusíada (Lisboa), comentou, no dia 12 de fevereiro de 2024, no Noticiário da Antena 1, as recentes e polémicas declarações do antigo presidente dos Estados Unidos da América (EUA) e candidato às novas eleições presidenciais, Donald Trump, sobre a NATO e a Rússia.
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Ilustração: Imagem do Noticiário. (© Antena 1, 2024)
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Não é novidade que Donald Trump critica, frequente e duramente, os aliados da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) / North Atlantic Treaty Organization (NATO) / Aliança Atlântica que não financiam suficientemente a instituição, salientando que, depois da Rússia ter anexado a península ucraniana da Crimeia em 2014, os países da NATO concordaram em gastar 2% do seu PIB na defesa até 2024, invertendo décadas de cortes desde a Guerra Fria.
Durante a campanha eleitoral de 2016, Trump alarmou os aliados ocidentais ao alertar que, os EUA sob a sua liderança, poderiam abandonar os seus compromissos com a NATO e sair em defesa apenas de países que cumprissem a meta de 2% da Aliança, manifestando um grande ceticismo relativamente à eficácia da organização.
No início deste mês, o comissário europeu para o Mercado Interno, Thierry Breton, revelou que, enquanto presidente dos EUA em 2020, durante o Fórum Económico Mundial, em Davos, Trump disse à presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, que os EUA não ajudariam a Europa se esta fosse atacada, acrescentando ainda que "[...] Moscow could’ do whatever the hell they want’ with NATO members that didn't meet spending targets [...]." (fonte: CNN Portugal)
A 10 de fevereiro deste ano, no comício "Get Out The Vote", em Conway, na Universidade da Carolina do Sul, Trump reiterou esta posição, afirmando que "encorajaria" a Rússia a atacar qualquer Estado aliado da NATO que não contribua financeiramente com o estabelecido para o orçamento da organização. Naturalmente, as reações, a nível internacional, não se fizeram esperar e o porta-voz da Casa Branca, Andrew Bates, considerou os comentários de Trump, "[...] appalling and unhinged, [saying that] encouraging invasions of our closest allies, endangers American national security, global stability, and our economy at home [...]" (fonte: Plataforma X)
A leitura do Professor Doutor José Francisco Pavia sobre esta situação, segue, de perto, aquilo que foi a reação do chefe da diplomacia da União Europeia, Josep Borrell, que considerou as declarações de Trump "devaneios tontos": "[...] Vamos ser sérios: a NATO não pode ser uma aliança militar 'à la carte', não pode ser uma aliança militar dependente de como o presidente dos Estados Unidos está a cada dia [...]". (fonte: SIC Notícias)
Charles Michel, presidente do Conselho Europeu, alertou para o facto de "[...] reckless statements on Nato’s security and solidarity only served the interests of the Russian president, Vladimir Putin [...]. They do not bring more security or peace to the world [...]. On the contrary, they re-emphasise the need for the EU to urgently further develop its strategic autonomy and invest in its defence. And to keep our alliance strong [...]" (fonte: Plataforma X).
A autonomia estratégica europeia foi igualmente abordada pelo Professor José Francisco Pavia, na sua intervenção, referindo que é uma "velha ideia", alimentada agora pelas palavras de Trump, que geram um clima de desconfiança entre os países europeus: "[...] os europeus têm, cada vez mais, [de] tomarem eles próprios conta da sua própria segurança e defesa, dado que o aliado norte-americano está cada vez menos fiável [...]".
O antigo observador português junto da NATO, considerou que "[...] a retórica de Trump é uma grave ameaça ao futuro da NATO [...]", e coloca em causa um conceito fundamental da organização, desde a sua fundação em 1949: o princípio da segurança coletiva, explanado no artigo 5.º do Tratado, que obriga cada um dos 31 países da Aliança Atlântica a ajudar qualquer membro que seja vítima de um ataque armado. No entender do referido Professor, é neste princípio que assenta a credibilidade e a capacidade de dissuasão da NATO, e recordamos que só foi oficialmente invocado uma vez, na sequência do ataque terrorista de 11 de setembro de 2002, contra os EUA.
O próprio secretário-geral da NATO, Jens Stoltenberg, na sua reação às declarações de Trump, também faz alusão ao princípio da segurança coletiva, afirmando que: "[...] NATO remains ready and able to defend all allies. Any attack on NATO will be met with a united and forceful response [and] any suggestion that allies will not defend each other undermines all of our security, including that of the U.S., and puts American and European soldiers at increased risk [...]". (fonte: The Guardian)
As origens da NATO remontam a 1949, tendo a Aliança surgido num contexto de Guerra Fria: "[...] At a time of chaos, ruin and despair, the birth of NATO inspired hopes for peace, solidarity and shared values [...]"e, na sua fundação, estiveram presentes 3 objetivos: travar o expansionismo soviético, dissuadir o renascimento do militarismo nacionalista europeu e incentivar a integração política europeia. (fonte: NATO)
A participação do Professor José Francisco Pavia no Noticiário da Antena 1, ajuda a clarificar situações complexas da atualidade internacional e, paralelamente, os seus comentários e análise crítica assumem uma relevância significativa para os estudantes dos cursos de Políticas de Segurança e de Relações Internacionais da Universidade Lusíada. Os insights informados não só enriquecem o entendimento académico, mas também capacitam os estudantes com uma compreensão mais profunda das implicações práticas das políticas internacionais, preparando-os para enfrentar os desafios do mundo real no campo dinâmico e em constante evolução das relações internacionais. Ao abordar temas atuais da ordem internacional, que influenciam as relações entre Estados, o docente proporcionou uma oportunidade valiosa para os estudantes conectarem teoria e prática, contribuindo para uma formação abrangente e informada dos futuros profissionais dessas áreas científicas.
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Fotografia do banner: Professor Doutor José Francisco Lynce Zagalo Pavia. (© Fundação Minerva • Jorge Lopes Carvalho, 2018)
