Professor José Francisco Pavia comenta, na Antena 1, questões relacionadas com a guerra na Ucrânia.
O Professor Doutor José Francisco Pavia, coordenador das licenciaturas em Políticas de Segurança e Relações Internacionais e dos mestrados em Relações Internacionais e Segurança e Justiça da Faculdade de Direito da Universidade Lusíada (Lisboa) e observador português junto da Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO), comentou, na Antena 1, nos dias 28 e 31 de maio de 2024, nos Noticiários das 14H00 e das 09H00, respetivamente, questões relacionadas com a visita a Portugal do presidente da Ucrânia, e com a guerra russo-ucraniana, assuntos que têm dominado a cena política nacional e internacional.
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Ilustração 1: Imagem do "Noticiário". (© Antena 1, 2024)
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A jornalista Rita Soares, no Noticiário, emitido no dia 28 de maio, questionou o especialista em relações internacionais sobre o significado da vinda de Volodymyr Zelensky a Lisboa, tendo o Professor José Francisco Pavia recordado que "[…] Portugal é um apoiante de primeira hora da resistência ucraniana […]", e pode, no acordo agora firmado ("uma parceria estratégica"), "[…] oferecer algumas coisas: treino, formação, equipamento militar, apoio logístico, [numa altura em que] os ucranianos estão um bocadinho desiludidos com Portugal, [porque] pensavam que Portugal podia ter alguma influência em África no sentido de contrariar a influência russa que está a avançar em África […]", dando São Tomé e Príncipe e a Guiné-Bissau como exemplos. De facto, neste aspeto, considera o especialista, "[…] Portugal tem falhado, […] a diplomacia portuguesa não tem conseguido evitar esse avanço russo em África, [o que é] uma desilusão para a Ucrânia […]".
Foi, ainda, anunciada recentemente a presença de Portugal, na cimeira da paz sobre a guerra na Ucrânia, que se vai realizar na Suíça, a 15 e 16 de junho, sendo a delegação nacional liderada pelo Presidente da República. Lisboa foi, aliás, a última paragem do tour europeu de Zelensky, dedicado a promover esta Cimeira da Paz, com a confirmação de vários países, mas não dos EUA, tendo a Rússia ficado de fora da lista de convidados.
No Noticiário do dia 31 de maio, editado pelo jornalista Frederico Moreno, o assunto em análise foi a "luz verde" que a Casa Branca deu, pela primeira vez, à utilização de armas norte-americanas, por parte das forças militares ucranianas contra russos, "um momento de viragem" e "[...] uma luz verde limitada, para evitar uma escalada no conflito, ao mesmo tempo que permite às tropas ucranianas uma recuperação no terreno [...]". O timing desta autorização, por parte da administração norte-americana, é explicado pelo comentador: "[...] estamos perante avanços significativos das forças russas e os ucranianos têm tido enormes dificuldades em conter este avanço russo devido a vários motivos, [destacando] o atraso sistemático da entrega de armas ocidentais aos ucranianos [...]".
O Professor José Francisco Pavia frisou que a autorização agora concedida tem objetivos e alvos muito específicos e limitados, uma vez que Washington justifica que a nova política de Joe Biden visa apenas o contra-ataque e proíbe ataques de longo alcance. Ou seja, "[...] só em Kharkiv [segunda maior cidade da Ucrânia] ou à sua volta [...] e não contra alvos militares dentro da Rússia, porque isso iria fazer escalar a guerra [...]", deixando, ainda, um alerta de que isto pode não ser uma vantagem ucraniana sobre os russos. "[...] Passamos para um novo patamar, [mas] o problema é saber se isso chega, se vem a tempo de impedir este avanço russo contra Kharkiv, [numa altura em que] temos ouvido dizer que as tropas ucranianas estão exaustas [e] com enormes dificuldades no recrutamento de novos soldados, [sendo de opinião que] não sei se este novo patamar vai fazer muita diferença."
No dia 7 de junho, os limites ao uso do armamento disponibilizado à Ucrânia pelos países ocidentais é precisamente o tema que estará em discussão, no encontro entre os ministros dos Negócios Estrangeiros dos países da NATO, que decorre na cidade de Praga, na Chéquia.
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Fotografia do banner: Professor Doutor José Francisco Lynce Zagalo Pavia. (© Fundação Minerva • Jorge Lopes Carvalho, 2022)
