Professor Manuel Domingos apresenta aula aberta sobre Alexander Luria e o nascimento da neuropsicologia clínica.
No dia 3 de novembro de 2023, no Auditório 3 da Universidade Lusíada (Lisboa), decorreu uma aula aberta sobre "Alexander Luria e o nascimento da neuropsicologia clínica", da responsabilidade do Professor Doutor Manuel Domingos, investigador do Centro Lusíada de Investigação em Serviço Social e Intervenção Social (CLISSIS) e docente da licenciatura em Psicologia do Instituto de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade Lusíada
A neuropsicologia clínica é um ramo da psicologia que se centra no estudo da relação entre o cérebro e o comportamento humano; combina princípios da neuropsicologia, que se concentram no funcionamento cerebral, com a psicologia clínica, que se centra na avaliação e tratamento de traumas psicológicos e emocionais.
Os neuropsicólogos clínicos trabalham na avaliação e no tratamento de pessoas que apresentam transtornos neuropsicológicos e alterações no funcionamento cognitivo, emocional e condutual que resultam de lesões cerebrais, doenças neurológicas ou transtornos de desenvolvimento. Esses transtornos podem incluir condições como o dano cerebral traumático, a doença de Alzheimer, o transtorno do espectro autista, o transtorno por déficit de atenção e a hiperatividade, entre outros. É assim uma disciplina interdisciplinar que trabalha em estreita colaboração com médicos, neurologistas, psiquiatras, terapeutas ocupacionais e outros profissionais de saúde, com um objetivo comum: melhorar a qualidade de vida das pessoas que enfrentam desafios neuropsicológicos, mediante avaliações precisas e tratamentos adequados.

Ilustração (em destaque): Professor Doutor Manuel Domingos durante a aula aberta. (© Fundação Minerva • Jorge Lopes Carvalho, 2023)
Nesta aula aberta, foi destacado Alexander Romanovich Luria (1902-1977), neuropsicólogo soviético, cujo trabalho desempenhou um papel significativo na criação (como hoje a entendemos) e desenvolvimento da neuropsicologia clínica. O Professor Manuel Domingos, abordou o seu perfil "[...] enquanto clínico brilhante, filósofo do binómio mente-encéfalo, pedagogo e, sobretudo, enquanto humanista de exceção [...]." Dedicou grande parte da sua vida, sobretudo depois do fim da II Guerra Mundial, à assistência de pacientes com lesão encefálica e, tal como na altura era referido, alterações das funções corticais, estabelecendo rigorosos critérios de diagnóstico e programas intensivos de reabilitação neuropsicológica. O seu trabalho pioneiro na avaliação e reabilitação de pacientes com danos cerebrais, teve um impacto significativo, na prática da neuropsicologia clínica e na compreensão das funções cognitivas. Luria tinha uma abordagem única no estudo das funções cognitivas e do cérebro humano: a interdisciplinaridade era essencial para a compreensão das funções cognitivas superiores do cérebro humano e desenvolveu uma teoria da neuropsicologia que se baseava em três princípios-chave: unidades funcionais do cérebro (cada uma responsável por funções cognitivas específicas); três sistemas funcionais no cérebro (o regulador, o da linguagem e o da representação); e a importância do desenvolvimento histórico-cultural.
Assim, Alexander Luria desempenhou um papel crucial no desenvolvimento da neuropsicologia clínica ao propor uma abordagem interdisciplinar e ao promover uma compreensão mais profunda das funções cognitivas e do cérebro humano, deixando-nos um legado que continua a influenciar a pesquisa e a prática neuropsicológica.
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Fotografia do banner: Professor Doutor Manuel Domingos e a estudante Lenka Korecková Alves. (© Fundação Minerva • Jorge Lopes Carvalho, 2023)
