Professor Manuel Monteiro analisa, em órgãos de comunicação social, questões de política nacional.
O Professor Doutor Manuel Fernando da Silva Monteiro, docente da Faculdade de Direito da Universidade Lusíada e investigador do Centro de Estudos Jurídicos, Económicos, Internacionais e Ambientais (CEJEIA), tem marcado presença regular em órgãos da comunicação social, com intervenções, entrevistas e comentários analíticos a assuntos de política nacional.
Neste contexto, o podcast da Antena 1, "Política com Assinatura", editado pela jornalista Natália Carvalho, recebeu, no dia 11 de fevereiro de 2026, o docente para, numa conversa informal, auscultar a opinião do ex-presidente do CDS-PP (Centro Democrático Social-Partido Popular) sobre a situação política atual, num momento pós-eleições presidenciais, em particular, sobre os desafios da Direita, crise de liderança, dinâmicas de poder e reconfiguração política.
O Professor Manuel Monteiro foi muito contundente em várias afirmações que fez, nomeadamente quando referiu que "os dirigentes partidários que temos tido em Portugal nos últimos anos estão mais preocupados com a sua reeleição do que propriamente com a projeção do Estado", salientando, igualmente, a necessidade da Direita se reinventar, num contexto de crescente fragmentação. Aqui, focou as tensões internas que historicamente têm marcado os partidos de direita em Portugal, e na dificuldade em superar rivalidades do passado para construir um projeto comum e sustentável.
Ilustração 1: Professor Doutor Manuel Monteiro no podcast da Antena 1, "Política com Assinatura". (© Antena 1, 2026)
Na entrevista à Antena 1, o docente defende que Pedro Passos Coelho seria a melhor opção para liderar a direita portuguesa, criticando a estratégia da Aliança Democrática (AD) nas eleições presidenciais. Na sua visão, Passos teria conseguido "mobilizar e federar o espaço não socialista ou à direita do Partido Socialista" e esvaziar o que o ex-líder do CDS chama de "muitas aventuras de natureza político-partidária". A Direita portuguesa perdeu, assim, "uma oportunidade histórica de se recompor à volta de uma figura capaz de a unir [e] Montenegro sai fragilizado, por culpa própria, deste processo." Questionado, pela jornalista Natália Carvalho, se o PSD de Montenegro não queria Passos Coelho, a resposta foi direta: "Acho que não. Acho que eles não gostam muito que ele ande por aí." E a razão prende-se, muito provavelmente, com o chamado "setor cavaquista", que terá impedido Luís Montenegro de fazer uma afirmação pública de apoio a Passos Coelho. Mais, a liberdade política que, no entender do docente, é uma caraterística do ex-presidente do PSD (Partido Social Democrata), entre 2010 e 2018, e ex-Primeiro-Ministro (2011-2015), acaba por ser algo que, mesmo dentro do próprio partido, não é bem vista. A entrevista incluiu, também, uma análise crítica ao crescimento do partido Chega e o Professor Manuel Monteiro entende que a direita tradicional falhou ao não conter o partido numa fase inicial, afirmando que "o PSD e a AD não souberam lidar com o fenómeno Chega". É de opinião que "uma fusão CDS com PSD seria uma autoestrada ainda maior para o partido Chega." Concretamente sobre André Ventura, reconhece-lhe ambição de liderança, mas aponta limitações, nomeadamente falta de consistência e credibilidade política, sugerindo que ainda não reúne condições para liderar a direita. Por fim, relativizou a vitória presidencial de António José Seguro, considerando que esta resultou mais de dinâmicas internas do PS do que de um apoio sólido generalizado.
Mais recentemente, no programa da TSF "Na ordem do dia" do dia 27 de abril de 2026, editado pela jornalista Judith Menezes e Sousa, o académico e político analisou a forma como os partidos se posicionaram nas sete revisões da Constituição, face às eleições para a Presidência da República e para o Parlamento, tendo, ainda, abordado o sistema de Governo e o referendo, temáticas analisadas, de forma mais exaustiva, no último número da revista "Polis" da Universidade Lusíada, no artigo "A evolução dos partidos na eleição do Presidente da República e da Assembleia da República, no Referendo e no Sistema de Governo: da Constituinte à revisão constitucional de 2005".
Ilustração 2: Professor Doutor Manuel Monteiro no programa da TSF, "Na ordem do dia". (© TSF, 2026)
Na sua perspetiva, as sucessivas revisões constitucionais em Portugal resultaram de um equilíbrio de cedências entre PS e PSD, os dois partidos que durante décadas garantiram os dois terços necessários para alterar a Constituição. O investigador sublinha que os partidos foram mudando posições ao longo do tempo, embora mantendo alguma coerência em determinadas matérias. Como exemplo, destaca a mudança do PS em relação ao voto dos emigrantes nas eleições presidenciais, passando a aceitá-lo em 1997, mas apenas de forma presencial nos consulados e embaixadas. Na área eleitoral e do referendo, o Professor Manuel Monteiro considera que houve sobretudo um impulso da direita, em especial do CDS e do PSD. Recorda que o CDS foi o único partido a defender desde o início o referendo, enquanto o PS acabou por aderir mais tarde, impondo limites, como a exigência de uma participação superior a metade do eleitorado para que o referendo seja vinculativo. Mais, a análise feita às sete revisões constitucionais mostra que o PCP (Partido Comunista Português) só alinhou com a ideia do referendo, em 1992, a propósito das questões europeias. O académico refere, ainda, que a Constituição permite círculos uninominais nas legislativas, mas a exigência de maiorias qualificadas para alterar a lei eleitoral dificultou a sua implementação. Sobre o atual contexto político, afirma que o antigo modelo de bipartidarismo acabou, já que PS e PSD deixaram de ter juntos os votos necessários para rever a Constituição. Na sua perspetiva, isso obriga o PSD a procurar novos entendimentos parlamentares, concluindo que os partidos "nunca foram estáticos" e que muitas propostas, apresentadas presentemente, já foram defendidas pelos próprios partidos no passado.
O político, jurista e professor universitário iniciou um percurso ligado à política desde muito jovem, quando, no Liceu Passos Manuel, em Lisboa, foi dirigente associativo estudantil (1977-1979), tendo, posteriormente, sido Presidente da Juventude Centrista (1985-1989), Presidente do Partido CDS (1992-1998) e Presidente da Nova Democracia (2003-2009). É, atualmente, presidente do Instituto Amaro da Costa e leciona, na Universidade Lusíada, várias disciplinas na Faculdade de Direito.
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Ilustração do banner: Pormenor da entrevista do Professor Doutor Manuel Monteiro no podcast da Antena 1, "Política com Assinatura". (© Antena 1, 2026)
