Professor Nicolas Badalassi é orador em conferência sobre segurança internacional organizada pelo CEPRI.
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Ilustração 1: Programa da conferência "Segurança Internacional". (© Fundação Minerva • CEPRI, 2025)
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O Centro de Estudos Políticos e Relações Internacionais (CEPRI), com o apoio do Centro de Estudos Jurídicos, Económicos, Internacionais e Ambientais (CEJEIA) da Universidade Lusíada organizou, no dia 27 de março de 2025, no campus de Lisboa, uma conferência sobre segurança internacional com uma palestra — "2008-2025: Europe's Post-Cold War Order Challenged" — cujo keynote-speaker foi o Professor Doutor Nicolas Badalassi, docente de História Contemporânea e coordenador do mestrado em "Géostratégie, défense et sécurité internationale" do Institut d'études politiques d'Aix-en-Provence (Sciences Po Aix), sendo, ainda, diretor do Centre méditerranéen de sociologie, de science politique et d’histoire (MESOPOLHIS).
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Ilustração 2: Professor Doutor Vítor Ramon Fernandes. (© Fundação Minerva • Jorge Lopes de Carvalho, 2025)
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A sessão de abertura coube ao Professor Doutor Vítor Ramon Fernandes, docente da Faculdade de Direito da Universidade Lusíada (Lisboa) e investigador do CEJEIA, que congratulou a iniciativa do CEPRI, dada a sua pertinência e atualidade, e apresentou o convidado, fazendo uma breve síntese do seu percurso profissional.
O Professor Badalassi começou por abordar a questão da guerra na Ucrânia e aquilo que considera um autêntico 'earthquake': a invasão russa em 2022, defendendo que é uma situação para ser vista a longo prazo, recuando ao final da Guerra Fria e aos anos 80 do século XX. Referiu, então, a expansão do modelo norte-americano – "globalization = americanization" –, e o fim gradual do mesmo, destacando as intervenções militares americanas no Médio Oriente (Iraque e Afeganistão) e os consequentes falhanços políticos dos EUA nestes territórios.
O 'desastre geopolítico'; a crise (global) económica e financeira de 2008; o “global warming” – alterações climáticas; e as migrações estão, na sua opinião, na base da mudança do paradigma liberal do período pós-Guerra Fria. O modelo de segurança, defesa e cooperação do ocidente, herdado dos finais da Segunda Guerra Mundial, está gasto e tem mais desvantagens do que vantagens. O novo paradigma é, na perspetiva do orador, baseado em "[…] 'iliberal' conceptions of international relations", traduzido por um controlo de fronteiras, um domínio de minorias e um uso da força e intimidação, entre outras manifestações, que têm precedência sobre direitos humanos. Destacou, ainda, o poder (económico e não só) da China, com dados estatísticos recentes: "[…] the belt and road initiative creates a global infrastructure network […]: China uses, acquires and builds railsroads, ports and pipelines […]".
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Ilustração 3: Professor Doutor Nicolas Badalassi durante a sua intervenção. (© Fundação Minerva • Jorge Lopes de Carvalho, 2025)
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A política imperialista russa e as ambições russas (centradas no Cáucaso, Ucrânia e Mediterrâneo) de Putin, que deseja claramente um engrandecimento da Rússia, agravam o sentimento de insegurança na Europa. Lembrou que, até recentemente (dados de 2015) a prioridade da União Europeia (UE) e da NATO era a luta contra o terrorismo islâmico e, atualmente, sobretudo na parte europeia mais oriental, o foco é a ameaça russa, com a maioria dos países europeus a coincidir nesta perceção. O Professor Badalassi frisou que a posição da Rússia, e particularmente do seu líder, não é novidade: em 2007, na conferência de segurança em Munique, Putin já tinha mostrado preocupação pelo alargamento da NATO, considerando-o uma provocação, e evidenciando querer recuperar a influência russa na Europa oriental, nas zonas que lhe são mais próximas. A invasão da Ucrânia trouxe para a ribalta, na sua perspetiva, estas questões do pós-Guerra Fria e sublinhou o cenário político europeu atual, numa dupla caracterização: a necessidade de uma unidade europeia perante uma ameaça comum e, paradoxalmente, o renascer de nacionalismos – o populismo –, que exige um esforço de equilíbrio. Exemplificou com o BREXIT (saída da Inglaterra da UE), situação que enfraqueceu muito os princípios da Comunidade.

Ilustração 4 (da esquerda para a direita): Professora Doutora Raquel dos Santos Duque, Professor Doutor José Francisco Lynce Zagalo Pavia, Professora Doutora Maria Miguel Sousa Galito e o estudante Bernardo Leite Ferreira Fonseca e Castanheira. (© Fundação Minerva • Jorge Lopes Carvalho, 2025)
Na 2.ª parte do evento, teve lugar um debate que discutiu a temática "Segurança europeia: questões atuais e desafios" e no qual participaram vários docentes da Faculdade de Direito da Universidade Lusíada (Lisboa) e investigadores do CEJEIA: Professor Doutor José Francisco Pavia, coordenador da licenciatura e do mestrado em Relações Internacionais; Professora Doutora Maria Miguel Sousa Galito e Professora Doutora Raquel dos Santos Duque.
O especialista em Relações Internacionais, Professor Doutor José Francisco Lynce Zagalo Pavia, interrogado sobre o que pode significar para a Europa o afastamento dos EUA chamou a atenção para uma "ideia de quase orfandade", considerando que "[…] a Europa, desde o final da Segunda Guerra Mundial habitou-se a contar com o guarda-chuva norte-americano e, de repente, percebeu que já não pode contar com isso e até pode encontrar alguém [administração atual norte-americana] que é um rival […]", destacando, por exemplo, os efeitos que poderão ter na economia europeia as recentes alterações tarifárias sobre a indústria automóvel. É um facto adquirido que a Europa tem de começar a rearmar-se, e a necessidade de uma maior participação europeia na sua própria defesa é algo que tem sido salientado por vários presidentes norte-americanos. Atualmente, Portugal gasta 1,6% do seu PIB com a defesa, um valor que na realidade nem será este, porque, por via de "uma contabilidade criativa" (que não é exclusiva do nosso país), aparecem aqui contabilizadas despesas com a GNR e pensões das forças de segurança, por exemplo. Se se avançar para os 3%, como tem sido referido, onde se irá buscar o dinheiro? O Professor José Francisco Pavia só vê três hipóteses: desviar de outras áreas, aumentar os impostos ou aumentar a dívida pública, qualquer uma delas com problemas associados e de difícil implementação.
A Professora Doutora Maria Miguel Sousa Galito, neste ponto, acrescentou que, na perspetiva de uma economista, há, ainda, outra alternativa: saber gerir os recursos naturais (mar) de outra forma e tornar a defesa rentável: "Apostar no setor de defesa de forma a criar dinheiro". Lembrou que Portugal tem a 5.ª maior zona económica exclusiva (ZEE) da Europa, prevendo-se para breve o seu aumento. A docente focou a sua intervenção no caso particular de Portugal e em tópicos sugeridos pelos estudantes para análise neste debate:
- Segurança europeia;
- Dependência da Europa face à NATO;
- A relação transatlântica;
- O novo posicionamento dos EUA e as consequências para a Europa (segurança);
- Moscovo: a sua posição e intenções;
- O rearmamento da Europa e a sua "defesa independente";
- A ideia de autonomia militar a e capacidade defensiva da Europa.
Sublinhou que a expressão "rearmar a Europa" tem colhido algumas críticas, com alguns países a considerarem ser "[…] uma expressão excessivamente carregada, que corre o risco de alienar os cidadãos", sendo o plano "Prontidão 2030" (Comissão Europeia) a alternativa, que toma como referência a data na qual a Rússia poderá, previsivelmente, ter a capacidade necessária para lançar um ataque contra a NATO ou contra um Estado-Membro da UE. Apresentou, ainda, dados que mostram que, entre 2021 e 2024, a despesa total dos Estados-Membros da UE com a defesa aumentou mais de 30% (cerca de 1,9% do PIB da UE em 2024).
"A Europa será forjada nas crises e será a soma das soluções adotadas para essas crises", palavras de um dos fundadores da União Europeia, Jean Monet, foram recordadas pela Professora Doutora Raquel dos Santos Duque, avançando que a ideia é que cada país terá de desenvolver as áreas em que é mais forte para uma estabilidade de todos. No entanto, salientou que a diversidade europeia pode ser um entrave, dado que os territórios "[…] têm prioridades de segurança muito diferentes [e consequentemente] com perceções das ameaças muito diferentes, [algo que] sempre existiu." Nos últimos dois anos, "[a UE tem tido uma maior harmonização quanto à perceção de ameaça, em relação à Rússia […] e isso pode ajudar a definir as prioridades de defesa no espaço europeu." Um ponto de convergência é a necessidade de uma 'autonomia estratégica', mas, defende a docente, esta "[…] não deve incidir apenas em segurança e defesa […], tem de ser abrangente, tem de incluir comércio, por exemplo […]" e exemplificou com a recente situação pandémica do Covid-19, que "[…] demonstrou que há poucos países no mundo que estão especializados em determinadas áreas e quase nenhum é europeu".

Ilustração 5 (da esquerda para a direita): Professor Doutor José Francisco Lynce Zagalo Pavia, Professora Doutora Maria Miguel Sousa Galito e Professora Doutora Raquel dos Santos Duque durante o debate. (© Fundação Minerva • Jorge Lopes Carvalho, 2025)
A iniciativa possibilitou, ainda, uma participação da assistência, composta maioritariamente por estudantes dos vários anos das licenciaturas de Direito e de Relações Internacionais, com algumas questões colocadas ao Professor Nicolas Badalassi e aos docentes referidos, demonstrando não só o interesse das matérias aqui abordadas e a sua relação com conteúdos programáticos de unidades curriculares dos cursos referidos, mas, igualmente, a sua pertinência no contexto político internacional atual.
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Ilustração do banner: Professor Doutor Nicolas Badalassi durante a sua intervenção. (© Fundação Minerva • Jorge Lopes de Carvalho, 2025)
