Professor Vítor Ramon Fernandes comenta a atualidade política dos EUA em programas da RTP3.
O Professor Doutor Vítor Manuel Ramon Fernandes, docente da Faculdade de Direito da Universidade Lusíada (Lisboa) e investigador do Centro de Estudos Jurídicos, Económicos, Internacionais e Ambientais (CEJEIA) analisou, em diversos programas da RTP3, acontecimentos recentes da atualidade política norte-americana relacionados com as eleições presidenciais marcadas para novembro, refletindo, ainda, sobre o futuro da política dos EUA. A desistência do presidente Joe Biden à recandidatura e a possibilidade de Kamala Harris se candidatar pelo Partido Democrata foram os assuntos em destaque.

Ilustração 1: Professor Doutor Vítor Manuel Ramon Fernandes. (© RTP3 • Programa "360º", 2024)
Na primeira intervenção, no dia 20 de julho de 2024, no programa "360º", editado pela jornalista Carolina Freitas, o comentador começou por analisar as declarações de Donald Trump que, num telefonema a Zelensky, lhe terá garantido que, se ganhar as eleições presidenciais norte-americanas, o conflito cessará. Esta estratégia tem, na visão do Professor Vítor Ramon Fernandes, "[…] duas vertentes: é já posicionar-se como um presidente, estabelecer uma ponte […], por outro lado, […] é dizer-lhe [a Zelensky] que tem uma solução, que passa por cortar os fundos […]", ameaça que levará a uma mesa de negociações, com muitas concessões. O investigador chamou a atenção para o facto de, goste-se ou não de Trump, quando ele foi presidente dos EUA, houve, no que respeita à política externa, "[…] uma articulação, uma coerência […]" e advertiu que a redução do intervencionismo norte-americano, em situações de conflitos externos, não é uma ideia defendida só por Trump, até porque é necessário investir na economia norte-americana, destacando que aquele "[…] é, claramente, anticomércio livre, protecionista […]".
À data deste programa, Joe Biden, o atual presidente, ainda não tinha optado pela desistência à recandidatura e o especialista em política internacional considera-o "[…] um candidato muito frágil […]", havendo grandes divisões no seio do Partido Democrata, porque a própria desistência de Biden não é fácil para o partido, sobretudo por questões de financiamento da campanha. Para o Professor Vítor Ramon Fernandes, "[…] a solução mais fácil é ele passar isto para Kamala Harris […]", apesar de lhe parecer que Biden não tem confiança nela, defendendo que "[…] não é claro que ele desista e não é forçosamente bom […]". No entanto, "[…] claramente que não é um bom candidato para fazer frente a Donald Trump […]" mas também não é certo que exista uma melhor alternativa, e, apesar de Kamala Harris ser a opção presentemente mais esperada, o comentador considera que "[…] ambos são maus e fracos." J.D. Vance para ‘fazer dupla’ com Trump foi, no entender do Professor, uma "excelente escolha", porque permite ao candidato republicano "[…] suavizar um bocadinho o discurso […], mas ainda não se percebeu bem como eles jogam um com o outro […]".

Ilustração 2: Professor Doutor Vítor Manuel Ramon Fernandes. (© RTP3 • Programa "3 às 19", 2024)
No programa "3 às 19", emitido no dia 21 de julho, num painel com vários convidados e com edição da jornalista Vânia Correia, o destaque foi, precisamente, para o anúncio da desistência de Joe Biden a candidato à presidência dos Estados Unidos e o avanço, como representante do Partido Democrata, da Kamala Harris. O Professor Vítor Ramon Fernandes é de opinião que "[…] Joe Biden sai mal, porque esperou até à última e sai com uma imagem de quem foi altamente pressionado, […] por Obama, pressionado por 'n' pessoas […], quase que obrigado […]". Considera, ainda, que houve "[…] uma má estratégia por parte do Partido Democrata […]", e a nomeação de Kamala Harris é uma sequência natural, havendo, no entanto, "[…] muita coisa em aberto, [dado que ela] não tem boas sondagens, tem vindo a subir, mas parte de um ponto muito baixo […], não tem grande credibilidade nem grande popularidade […]", afirmando partilhar da opinião de muitos que consideraram que não será uma boa presidente. Irá haver, certamente, uma luta interna por posições, no partido, porque este "[…] é muito heterogéneo, com muitas linhas de interesse […]".
No que respeita às declarações de Trump sobre a desistência de Biden, e sobre, segundo ele, ser mais fácil derrotar Kamala Harris, o especialista em política internacional considera que Biden e Kamala Harris têm estilos diferentes e, no que respeita aos debates com Trump, aquele "[…] estava melhor preparado, particularmente no que concerne a política externa […]" e, aqui, o Professor Vítor Ramon Fernandes classifica Kamala Harris de "[…] extremamente fraca […], com um discurso muito retórico […]". Reitera que "[…] tudo somado, é capaz de ser mais fácil para Donald Trump derrotar Kamala Harris do que Joe Biden […]".

Ilustração 3 (da esquerda para a direita): Jornalista Alexandre Brito e Professor Doutor Vítor Manuel Ramon Fernandes. (© RTP3 • Programa "3 às 17", 2024)
A possibilidade de Kamala Harris ser a candidata do Partido Democrata às eleições presidenciais norte-americanas, com o aval de Biden, mas ainda sem a certeza do apoio do partido, foi o assunto central da análise do Professor Vítor Ramon Fernandes, no programa "3 às 17", com o jornalista Alexandre Brito, no dia 22 de julho. O comentador destacou a importância da equipa que Kamala Harris escolherá para a acompanhar nesta candidatura, sobretudo para o papel de vice-presidente, e afirma que, de facto, neste momento, "[…] ela é quem tem a maior probabilidade de sair vencedor deste processo e de sair como a candidata do partido liberal, mas tem um caminho longo a percorrer, que não é fácil […]".
A dinâmica de Trump/Vance é muito forte, com "[…] uma composição que é, do meu ponto de vista, muito inteligente, porque permite a Trump suavizar um bocadinho o discurso […]", e o especialista em política internacional lembrou, ainda, que "[…] isto não é uma eleição nacional, são 50 eleições […] e o global engana muito […] e há Estados que são determinantes, [destacando] Michigan, Ohio, Pensilvânia, por exemplo […]". Na sua opinião, "[…] são os swing states que vão ditar a vitória, como tem sido tradicionalmente o caso nas eleições passadas […]". Esta expressão designa a particularidade de, nalguns Estados, o resultado eleitoral não ser previsível como em muitos outros, com a maioria dos votos a ir consistentemente ou para o lado do Partido Democrata ou para o lado do Partido Republicano; no sistema americano, de votação indireta com colégio eleitoral (órgão que define o resultado final da eleição), ser o vencedor nestes Estados pode fazer a diferença para quem pretende chegar à Casa Branca.
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Fotografia do banner: Professor Doutor Vítor Manuel Ramon Fernandes. (© RTP3 • Programa "3 às 17", 2024)
