Professora Ana Arez de Magalhães publica textos em obra internacional sobre Modernismo em África.
A Professora Doutora Arqt.ª Ana Isabel Arez de Magalhães, docente da Faculdade de Arquitetura e Artes da Universidade Lusíada (Lisboa) e investigadora do Centro de Investigação em Território, Arquitetura e Design (CITAD) da Universidade Lusíada, publicou, em dezembro de 2024, três textos no livro "Modernism in Africa", editado pela Birkhäuser, nos quais analisa projetos arquitetónicos em Angola e em Moçambique, dos anos 50 e 60 do século XX, da autoria de arquitetos portugueses. A obra é uma iniciativa da Docomomo International, uma ONG criada em 1988, que se dedica à documentação e conservação dos edifícios, sítios e bairros do Movimento Moderno em todo o mundo.
O primeiro trabalho, "Radio Nacional de Angola Building" (pp. 94-99), analisa o projeto, em Luanda, do edifício da Rádio Nacional de Angola, construído entre 1963 e 1967, da autoria dos arquitetos Fernão Simões de Carvalho, José Pinto da Cunha e Fernando Alfredo Pereira. Destaca-se: "[...] the building’s design is based on the harmonious measurements of Le Corbusier’s Modulor system" e "[...] effectiveness in responding to the tropical climate was one of the concerns that guided the design of the building."
"Manga Church" (pp. 168-171), é a segunda contribuição da Professora Ana Arez de Magalhães e, neste texto, apresenta-se a igreja do Imaculado Coração de Maria, em Manga, (Beira, Moçambique), projetada por João Garizo do Carmo, construída entre 1954 e 1957. Este edifício "[…] stands as an exemplary work in applying new programes for renovating liturgical spaces, developed in the wake of the Second Vatican Council." A investigadora refere que "[…] Garizo do Carmo’s chosen architectural language is an example of conceiving liturgical spaces in response to the tropical climate by drawing upon international models rooted in the formal ideals of the Modern Movement, particularly influenced by modern Brazilian architecture."
Por último, "Beira Railway Station" (pp. 192-199), descreve a estação de comboios da Beira, (Moçambique), edificada entre 1957 e 1966, que pode ser vista como "[…] as an exemplary building in the heritage of the Modern Movement." O trabalho, dividido em três partes, foi da responsabilidade, novamente, de João Garizo do Carmo, em conjunto com Paulo de Melo Sampaio e Francisco José de Castro. "The project for the Beira Railway Station exemplifies the principles of the international architectural language of the post-war period. In addition to the fundamentals of Corbusian grammar, expressed through the adherence to the ‘five points’ or the functional organisation of spaces, the extensive formal lexicon of Brazilian modern architecture, a common characteristic in the language of its authors, is abundantly applied here."
A obra "Modernism in Africa" apresenta uma série de textos e fotografias, considerando vários aspetos do modernismo em todas as partes de África, com o foco na África Subsariana. O ponto de partida desta publicação foi o projeto internacional "Shared Heritage Africa: Rediscovering Masterpieces", coordenado pela Docomomo alemã e financiado pelo Ministério Federal dos Negócios Estrangeiros da Alemanha, de 2021 a 2023. O projeto centrou-se na redescoberta de edifícios modernos do pós-guerra, desde a década de 1950 até à década de 1980 nos países parceiros, uma vez que muitos países africanos abrigam uma arquitetura extraordinária, virtualmente desconhecida. A arquitetura do Movimento Moderno está longe de estar sistematicamente documentada, sendo que os principais fundos são oriundos de instituições portuguesas, britânicas e alemãs.
A Docomomo International (International Working Party for Documentation and Conservation of Buildings, Sites and Neighbourhoods of the Modern Movement) é composta por 80 grupos de trabalho nacionais e está presente em todos os continentes. Procura chamar a atenção do público, autoridades, profissionais e comunidade educativa para a arquitetura moderna, opondo-se à destruição e desfiguração de obras significativas. A principal atividade é a identificação e levantamento das obras do Movimento Moderno e, posteriormente, o desenvolvimento e promoção de técnicas e métodos apropriados de conservação e (re)utilização adaptativa.
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Ilustração do banner: Professora Doutora Arqt.ª Ana Isabel Arez de Magalhães. (© Anónimo)
