Professora Júlia Cardoso participa em webinar sobre estratégias e práticas de intervenção no combate à pobreza.
Inserido nas Comemorações do Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza, realizou-se, no dia 24 de outubro, um webinar sobre “Estratégias e práticas de intervenção no combate à pobreza: desafios e oportunidades”, organizado pelo Núcleo Distrital de Bragança da EAPN Portugal (Rede Europeia Anti-Pobreza).

Este webinar contou com a presença da Professora Doutora Júlia Cardoso, investigadora do Centro Lusíada de Investigação em Serviço Social e Intervenção Social (CLISSIS) e docente da licenciatura, do mestrado e do doutoramento em Serviço Social da Universidade Lusíada (Lisboa). A sua intervenção, intitulada "O papel do poder local no combate à pobreza", destacou o potencial dos municípios, num esforço conjunto de cooperação e de colaboração, para a diminuição das diferenças sociais, visando “um espaço societário mais coeso”.
A Professora Doutora Júlia Cardoso referiu, igualmente, a necessidade de se respeitarem princípios éticos nas intervenções de combate à pobreza, assegurando a dignidade e a privacidade do “sujeito de direito” (do ponto de vista moral, jurídico e político), algo que nem sempre é salvaguardado nas intervenções, sobretudo das instâncias locais. A investigadora recorreu à definição de ética, reflexão apoiada, sobretudo, no pensamento de Paul Ricoeur (1995), entendida como “[...] a busca de uma vida feliz, para e com os outros, no seio de instituições justas [...]”, para chamar a atenção daquilo que deveria ser uma orientação obrigatória na ação social dos municípios para garantir justiça aos cidadãos.
Destacou, ainda, duas necessidades importantes - articulação e integração -, medidas articuladas com outros níveis, integrando setores como a saúde, o ensino e a habitação, entre outros. O desafio da transferência de competências para as autarquias, a nível da ação social, deve ter em atenção que a resolução de problemas sociais são uma causa comum, o que exige um trabalho cooperativo intermunicipal. É importante que as autarquias deixem de funcionar apenas como meio supletivo do Estado e passem a ter “[...] uma posição mais robusta de intervenção social [...]”, que não pode e não deve ser esporádica nem apenas paliativa. A investigadora entende que a ação social tem uma tripla função: prestadora de serviços de apoio; reguladora de tensões sociais; e promotora do desenvolvimento das pessoas e das comunidades.
A EAPN Portugal organizou e dinamizou, com vários parceiros locais, entre 17 e 24 de outubro, cerca de 130 iniciativas e atividades por todo o país, visando mobilizar, sensibilizar e envolver a comunidade nas ações de luta contra a pobreza e a exclusão social.
O Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza é assinalado, anualmente, a 17 de outubro, por iniciativa da ONU, através da Resolução 47/196, de 22 de dezembro de 1992, em resultado de uma manifestação contra a pobreza, a fome e a miséria, realizada em Paris, em 1987, quando cerca de cem mil pessoas se reuniram na Praça dos Direitos Humanos e Liberdades no Trocadéro, respondendo ao apelo do Padre Joseph Wresinski, fundador do movimento internacional ATD Fourth World.
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Fotografia do banner: Professora Doutora Júlia Cardoso. (© Fundação Minerva • Jorge Lopes Carvalho, 2018)
