Professora Manuela Faia Correia colabora no dossier de RH da revista "Forbes".
O "Dossier RH e Formação" da Forbes Portugal (junho/julho 2026), centrado nas mudanças no mundo do trabalho, marcadas pelo advento da inteligência artificial (IA), contou com a colaboração da Professora Doutora Maria Manuela Marques Faia Correia, docente da Faculdade de Ciências da Economia e da Empresa da Universidade Lusíada (Lisboa) e investigadora do Centro de Investigação em Organizações, Mercados e Gestão Industrial (COMEGI). O dossier interroga-se sobre como lidar com esta nova realidade, levantando algumas questões, nomeadamente, "com a inteligência artificial (IA) no centro desta equação, como vão ser os empregos e os trabalhadores do futuro?".
A realidade atual do mundo do trabalho foi sintetizada pela investigadora: "A combinação entre digitalização, inteligência artificial, envelhecimento demográfico, globalização fragmentada e novas expectativas dos trabalhadores está a mudar simultaneamente o que se entende por trabalho, o tipo de empregos existentes, a forma de trabalhar e a relação entre empresas e trabalhadores." A Professora Manuela Faia Correia avança que o mercado de trabalho mundial está a ser marcado por quatro fatores fundamentais: "escassez de talento, que coexiste com precariedade; mudança na cultura do trabalho; envelhecimento populacional; e fragmentação e insegurança.". Adianta, ainda, que "há sectores com enorme procura, como a tecnologia, a saúde, a engenharia, a área das energias renováveis, dos dados e dos cuidados à população envelhecida, enquanto outras funções sofrem automatização ou perda de valor económico.". No caso específico português, referiu que "Portugal enfrenta vários desafios estruturais e sociais que moldam as práticas de gestão de recursos humanos e os esforços de sustentabilidade." A par de sinais positivos como "a maior qualificação da população jovem, o crescimento do sector tecnológico, o aumento do investimento estrangeiro e a expansão de sistemas de start-ups", apontam-se, igualmente, fragilidades: "níveis elevados de pobreza entre a população idosa, desigualdades regionais no acesso a oportunidades, desigualdades de género, sub-representação das mulheres nas áreas STEM (Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática) e estigmas relacionados com a saúde mental." A investigadora ressalva, igualmente, que o principal problema estrutural é, na sua opinião, o nível baixo dos salários: "a economia portuguesa produz relativamente pouco valor acrescentado e concentra muito emprego em sectores de baixa produtividade." Neste sentido, considera que "quer Portugal quer a Europa como um todo enfrentam, no futuro, cinco grandes desafios: aumentar a produtividade, investindo em inovação, em digitalização e qualificação, subir salários de forma sustentável, combater a precariedade, preparar trabalhadores para a IA e para a automação, com upskilling e reskilling contínuo, e, sobretudo, atrair e reter talento, seja nacional ou estrangeiro.".
A relação das novas gerações com o trabalho foi, também, abordada, com uma menor valorização da estabilidade e da permanência longa numa empresa, privilegiando "equilíbrio pessoal e identificação com os valores da organização" São desafios novos para as organizações, que têm de apostar numa "liderança mais humana, transparente e próxima das pessoas […]: motivar através da confiança, da comunicação e do alinhamento entre os valores da empresa e as expectativas dos trabalhadores. Mais do que mandar, será essencial inspirar e cocriar ecossistemas de trabalho onde as pessoas escolham permanecer.". Salientou o papel dos profissionais de recursos humanos: "[…] para transformar políticas em experiências, para ouvir o que ainda não foi dito, para medir o que realmente importa: a forma como as pessoas vivem o trabalho, […] para ajudar líderes a criar segurança psicológica, a gerir diversidade, a tomar decisões éticas e a navegar um mundo onde humanos e IA trabalham lado a lado." A Professora Manuela Faia Correia fez, ainda, uma chamada de atenção: "a capacidade de aprender continuamente tornou-se quase tão importante quanto a formação inicial."
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Ilustração do banner: Professora Doutora Maria Manuela Marques Faia Correia. (© Fundação Minerva • Helder de Albuquerque Machado, 2024)
