Projeto da Professora Helena Botelho entre as três propostas selecionadas para concurso à Bienal de Arquitetura de Veneza 2027.
O projeto "Matéria Viva — Os materiais da construção portuguesa e o saber que resiste", que integra a proposta da Professora Doutora Arqt.ª Helena Botelho, diretora da Faculdade de Arquitetura e Artes (FAA) da Universidade Lusíada (Lisboa), encontra-se entre as três propostas selecionadas para a fase de concurso que irá definir a representação portuguesa na Bienal de Arquitetura de Veneza 2027. O concurso, da Direção-Geral das Artes (DGArtes), decorre até 6 de outubro de 2026, e visa escolher o projeto curatorial e expositivo que representará oficialmente Portugal na 20.ª Exposição Internacional de Arquitetura – La Biennale di Venezia 2027, que terá lugar entre 8 de maio e 21 de novembro de 2027. O trabalho escolhido estará presente no Edifício Fondaco Marcello (Veneza), tendo como referência o tema da Bienal de 2027, "Do Architecture – For the Possibility of Coexistence Facing a Real Reality". Entre os principais objetivos, estão a valorização e promoção da arquitetura portuguesa, a sua internacionalização, a experimentação e investigação artística, a sustentabilidade e a criação de novas formas de diálogo entre a arquitetura e outras áreas do conhecimento e diferentes públicos.
Partindo dos materiais e dos saberes construtivos portugueses, o projeto da Professora Helena Botelho coloca em destaque um património que não se limita aos edifícios ou às técnicas de construção: inclui também os conhecimentos, gestos, práticas e experiências transmitidos entre gerações e profundamente ligados aos diferentes territórios. A proposta valoriza, assim, a relação entre matéria, território e conhecimento, chamando a atenção para formas de construir que fazem parte da identidade arquitetónica portuguesa e para saberes que permanecem relevantes perante os desafios atuais da arquitetura. A escolha dos materiais e das técnicas construtivas assume particular importância num contexto em que a arquitetura procura respostas mais sustentáveis, valorizando os recursos locais, a reutilização, a durabilidade e o conhecimento existente nos próprios territórios. A arquitetura vernacular portuguesa é, aliás, reconhecida pelo conhecimento incorporado nas suas soluções construtivas e pela relação próxima que estabelece com as condições locais e, ao recuperar e tornar visíveis estes saberes, "Matéria Viva" propõe olhar para a construção portuguesa não apenas como memória do passado, mas como um património vivo, capaz de contribuir para pensar o presente e o futuro da arquitetura.
A par da proposta da Professora Helena Botelho, o grupo de trabalho constituído por Álvaro Domingues, Andreia Garcia, João Gomes da Silva, Mariana Pestana e Tânia Teixeira, selecionou os projetos "Analog Twins", de Alice Clanet-Hallard, Edgar Brito, Francisco Lobo e Romea Muryn, e "Mãos ao Chão", de Joanna Alice Helm, Remígio Van Eyes Chilaule e Samuel de Brito Gonçalves. As propostas selecionadas destacaram-se pela sua qualidade conceptual e proposta expositiva, bem como pela relevância do percurso artístico das equipas envolvidas e pela correspondência ao desafio lançado pelos curadores Wang Shu e Lu Wenyu. Para além de terem em consideração o espaço onde a exposição se vai instalar, o Edifício Fondaco Marcello, e a própria cidade de Veneza, "as propostas, nesta segunda fase de concurso, deverão ter em conta objetivos como a valorização e promoção da arquitetura, nas suas diversas manifestações, as suas interseções e diálogos transversais com outras disciplinas artísticas e áreas do conhecimento; a dinamização da internacionalização das artes e da cultura portuguesa através da cooperação com outros países; a valorização da dimensão educativa e da sensibilização para a cultura através de boas práticas de mediação de públicos; a valorização da pesquisa e experimentação artísticas como práticas inovadoras do desenvolvimento e do conhecimento; a fomentação da sustentabilidade ambiental e a implementação de boas práticas ecológicas e a promoção da acessibilidade física, social e intelectual de todos os profissionais envolvidos nos projetos artísticos e dos respetivos públicos." A identificação da proposta a representar o Pavilhão de Portugal será feita por uma comissão de apreciação constituída pelos mesmos especialistas que integraram a fase de seleção prévia. (fonte: DGArtes)
A candidatura vencedora contará com um apoio financeiro que poderá atingir 497 mil euros, integrado numa dotação global de 500 mil euros, com uma distribuição anual de 300 mil euros em 2026 e até 200 mil euros em 2027, conforme previsto da declaração anual da DGArtes, no âmbito do Programa de Apoio a Projetos.

Ilustração: Edifício Fondaco Marcello, sede da representação de Portugal nas bienais de Veneza. (© DGArtes, 2026)
Criada em 1895, a Bienal de Veneza é uma das mais antigas e prestigiadas instituições internacionais dedicadas à promoção da cultura e da criação contemporânea, sendo um importante espaço de encontro e debate nas áreas da arte, arquitetura, cinema, música, teatro e dança. A Bienal de Arquitetura, realizada alternadamente com a Exposição Internacional de Arte, surgiu em 1980, com a primeira Exposição Internacional de Arquitetura, dirigida pelo arquiteto e teórico italiano Paolo Portoghesi, e é, atualmente, uma das principais plataformas internacionais para apresentar projetos, ideias e debates sobre a arquitetura contemporânea, reunindo arquitetos, investigadores, estudantes e profissionais de todo o mundo. A participação de Portugal e de projetos portugueses na Bienal representa, por isso, uma importante oportunidade de visibilidade e internacionalização da arquitetura portuguesa, permitindo apresentar a diversidade da produção arquitetónica nacional e contribuir para o debate internacional sobre o futuro da disciplina.
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Ilustração do banner: Professora Doutora Arqt.ª Helena Cristina Caeiro Botelho. (© Helena Botelho, 2026)