União Europeia e ONU assinalam o Dia internacional em memória das vítimas do Holocausto — "O 'nunca mais' é agora".
O mundo recorda hoje, 27 de janeiro de 2025, a libertação dos prisioneiros do campo de concentração de Auschwitz, na Polónia, ocorrida neste dia no ano de 1945, assinalando-se, igualmente este ano, o 80.º aniversário do final da Segunda Guerra Mundial (1939-1945). O Dia internacional em memória das vítimas do Holocausto foi criado a 1 de novembro de 2005, através da Resolução 60/7 da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), com o objetivo de não esquecer o genocídio de cerca de seis milhões de judeus e, ainda, de minorias étnicas e pessoas com incapacidades várias. Pretende-se, igualmente, educar para a tolerância e a paz, bem como alertar para o combate ao antissemitismo.
O Conselho Europeu divulgou um comunicado de imprensa no qual chama a atenção para os tempos atuais: "Testemunhamos hoje um avolumar sem precedentes do antissemitismo no nosso continente [...], condenamos com a maior veemência possível o aumento alarmante do número de incidentes antissemitas violentos [...]. Mais do que nunca, é fundamental que cumpramos o nosso dever de honrar as vítimas do Holocausto. Estamos determinados a combater o antissemitismo e a proteger e promover a vida judaica na Europa. Denunciamos todas as formas de discriminação, de intolerância, de racismo e de xenofobia e tomaremos medidas decisivas para fazer face a estas ameaças às sociedades democráticas." Reitera-se que o 'nunca mais' é agora, lembrando que "[...] o respeito pela dignidade humana, pela liberdade, pela democracia, pela igualdade, pelo Estado de direito e pelos direitos humanos, incluindo as liberdades de expressão e de religião ou convicção, bem como pelos direitos das pessoas pertencentes a minorias, deve orientar e orientará sempre as nossas ações, em consonância com os valores em que assenta a nossa União Europeia e que são comuns a todos nós."
O Parlamento Europeu assinala, igualmente, esta data, destacando a presença de sobreviventes (cerca de 50) do Holocausto numa cerimónia, em Auschwitz-Birkenau, onde estarão também presentes os presidentes do Parlamento e do Conselho (Roberta Metsola e António Costa, respetivamente), lembrando que, no dia da libertação, por tropas soviéticas, estavam no campo 7.000 prisioneiros, tendo morrido 1,1 milhão de pessoas neste espaço. Reiterou, ainda, a preocupação em não deixar esquecer esta página da História e do mundo, referindo que, ainda antes da resolução da ONU de 2005, "[...] in 1995, Parliament adopted a resolution calling for the establishment of a European Holocaust Remembrance Day in all Member States. In January 2005, on the 60th anniversary of the liberation of Auschwitz-Birkenau, Parliament adopted a resolution proposing 27 January as European Day of Remembrance of the Holocaust in the EU [and] this year, Parliament is holding a formal Holocaust commemoration ceremony during a plenary session on 29 January, with a formal address by Holocaust survivor Corrie Hermann."
A ONU escolheu para tema deste ano "A memória do Holocausto e a educação para a dignidade e os direitos humanos" e o secretário-geral, António Guterres, referiu que "[…] o Holocausto mostra o que acontece quando o ódio, a desumanização e a apatia vencem. A sua recordação é um baluarte contra a degradação da humanidade e um apelo claro à ação coletiva para garantir o respeito pela dignidade e pelos direitos humanos, bem como pelo direito internacional que os protege." Avança-se, ainda, que "[...] the Holocaust is regarded as a paradigm for every kind of human rights violation and crime against humanity; all the victims (Jews, Roma, Resistance members, politicians, homosexuals, Jehovah’s Witnesses, disabled persons) of the Nazi regime are taken into consideration." (fonte: ONU)
Este dia foi, igualmente, assinalado com a disponibilização on-line (de acesso aberto e gratuito), por parte da Biblioteca Wiener, com sede em Londres, um dos maiores arquivos mundiais sobre o Holocausto, de parte do seu arquivo que reúne centenas de milhares de documentos originais sobre a situação dos judeus europeus antes de 1939, o regime nazi e o Holocausto. Entre os mais de 150.000 documentos, disponíveis em linha pela primeira vez, encontram-se numerosas fotografias tiradas aquando da libertação do campo de Auschwitz, em 27 de janeiro de 1945, documentos utilizados nos julgamentos de Nuremberga, e, ainda, cerca de 500 folhetos e livros de propaganda antifascista, distribuídos na Alemanha na década de 1930 e disfarçados de anúncios de champôs ou livros de receitas, para escapar à vigilância do regime nazi.
O complexo dos campos de concentração de Auschwitz foi o maior de todos os criados pelo regime nazi alemão, contando com três campos principais, no qual os prisioneiros executavam trabalhos forçados e, por um longo período, um deles funcionou, também, como campo de execuções. Os campos estavam localizados a aproximadamente 60 quilómetros a oeste de Cracóvia, tendo sido criado o primeiro em maio de 1940 (Auschwitz I); Auschwitz II, também conhecido como Auschwitz-Birkenau, no início de 1942; e Auschwitz III (Auschwitz-Monowitz), em outubro de 1942.
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Ilustração do banner: entrada do campo de Auschwitz-Birkenau. (© Comissão Europeia • Anónimo, 2025)