Prova pública de Doutoramento em Arquitetura do Mestre Carlos Augusto.
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Ilustração: Capa da prova académica. (© Fundação Minerva • Catarina Graça, 2026)
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O Mestre Carlos Alberto de Oliveira Augusto defendeu, no dia 23 de janeiro de 2026, a sua tese de doutoramento em Arquitetura, que versou sobre o tema "A arquitetura na transição para a construção circular em Portugal: teoria, metodologia e prática" e que procurou "[...] demonstrar a importância da mudança de paradigma no setor da construção, em geral, e na arquitetura, em particular, desenvolver a capacidade de identificar materiais, produtos e sistemas construtivos inovadores e compatíveis com o conceito de construção circular [e] estabelecer princípios gerais de construção circular para aplicação em arquitetura".
Segundo o autor, o nosso planeta enfrenta uma intensificação da crise económica, social e ambiental. Problemas persistentes e estruturais não só continuam, como se vão agravando, ameaçando a biodiversidade e a qualidade de vida das sociedades humanas. Diversos estudos apontam cenários preocupantes e medidas de proteção têm sido estabelecidas como, por exemplo, limitar o aumento da temperatura média global a +1,5 °C até ao final do século, conforme o Acordo de Paris. Para alcançar estas metas é necessário proceder à alteração do modo de produção de bens e serviços da sociedade atual. De um modelo de economia linear, a sociedade terá de avançar para um modelo de economia ecoeficiente e circular.
Nesta linha de pensamento, a indústria da construção representa um grande impacto na pegada ecológica global, pois consome grande parte dos recursos naturais e energéticos, resultando em elevada poluição e resíduos. Torna-se, por isso, imperativo pensar em medidas mitigadoras e de correção do ciclo de produção. Entre essas medidas, podemos enunciar a adoção de materiais, produtos e sistemas construtivos com reduzido impacto ambiental, em consonância com os conceitos de sustentabilidade e de economia circular. Em consequência, a arquitetura deverá, também, adotar estas medidas na fase de conceção, a base da materialização das estruturas edificadas.
No final da investigação foi possível concluir que é viável apostar no desenvolvimento de um mercado nacional de materiais e produtos de construção de acordo com os princípios da construção sustentável e circular. O espaço económico onde se insere Portugal e as suas orientações legislativas e estratégicas permitem impulsionar a adoção progressiva de soluções construtivas mais sustentáveis. No entanto, ainda há muito trabalho a desenvolver, nomeadamente ao nível da atualização da regulamentação e face à escassez de profissionais e empresas especializadas. Assiste-se ao surgimento de novos projetos e fabricantes nacionais ligados a materiais e sistemas construtivos sustentáveis, bem como a um papel relevante da promoção imobiliária na introdução destas soluções no mercado. Paralelamente, a necessidade de responder à atual crise habitacional poderá favorecer a adoção de métodos construtivos prefabricados e modulares, com recurso a materiais naturais e renováveis. Apesar do aumento de iniciativas de formação nesta área, ainda se observa um desfasamento entre o conhecimento existente e a sua aplicação prática. Assim, torna-se evidente a necessidade de reforçar a capacitação e a disseminação de práticas que promovam a transição para um modelo de construção mais sustentável e circular em Portugal.
É desejo do autor que esta investigação possa "[...] ser útil para a arquitetura do nosso tempo, e no nosso país, para o qual este trabalho tem a veleidade de poder vir a ser um [...] contributo em relação a todos aqueles que entendam dever adaptar a sua atividade, com vista a integrar os princípios da sustentabilidade e da construção circular." (fonte: tese).
O Júri, presidido pelo Professor Doutor Afonso Filipe Pereira d'Oliveira Martins, foi composto pelo Professor Doutor Arquiteto Alberto Cruz Reaes Pinto, como orientador, pelo Professor Doutor Arquiteto Miguel José das Neves Pires Amado e pela Professora Doutora Arquiteta Teresa Marat-Mendes, como arguentes, e pelo Professor Doutor Arquiteto Filipe Alexandre Duarte Gonzalez Migães de Campos e pela Professora Doutora Arquiteta Helena Cristina Caeiro Botelho, como vogais, que deliberaram aprovar o candidato no ato público de defesa da tese.
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Imagem do banner: O Mestre Carlos Alberto de Oliveira Augusto durante o ato público de defesa da tese. (© Fundação Minerva • Jorge Lopes Carvalho, 2026)

Ana Rita Ribeiro
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Ana Rita Ribeiro é bibliotecária nos Serviços de Informação, Documentação e Internet da Universidade Lusíada, desde 2008, e colabora, entre outras áreas, no tratamento e processamento da informação, na redação de notícias, no apoio ao utilizador e à aprendizagem.
É licenciada em Línguas e Literaturas Modernas e pós-graduada em Ciências Documentais (variante de bibliotecas).
Para além da sua atividade profissional, aposta em tempo de qualidade com a família, na leitura e é entusiasta do exercício físico, corrida e trail running.
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